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Você está preparado para os desafios de ser uma “maricona”?

Uma coisa é certa, todos nós seremos “mariconas” um dia. Devido ao preconceito, a vida de um LGBT+ jovem já é repleta de desafios, mas você parou para pensar sobre os desafios na velhice?

COLUNA BIXA RICA

O essencialismo financeiro é muito mais do que um estilo de vida, é um caminho para se libertar do excesso, usar o dinheiro com inteligência e ter mais tempo para o que realmente importa

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Na semana passada, ao abrir uma caixinha de perguntas no Instagram, um leitor disse que sou “velho”. Procurando levar no bom humor, eu disse: “Sim, sou uma maricona de 34 anos” e, logo em seguida, esse mesmo leitor enviou uma mensagem pelo direct fazendo outros insultos e se vangloriando por ser “novo”.

O que poderia render uma discussão “sem fim”, que não levaria ninguém a lugar nenhum, acabou por me inspirar a escrever este texto, considerando que todos nós, um dia, nos tornaremos “mariconas” e a alternativa a isso sempre é pior. Além disso, as finanças a partir da terceira idade são ainda mais importantes, considerando que os gastos tendem a aumentar e a capacidade produtiva do indivíduo diminui, sendo importante que a pessoa tenha planejado a vida para este momento.

Gean Duarte
Imagem modificada simulando Gean Duarte na velhice

ETARISMO E SOLIDÃO DENTRO DO MEIO LGBT+

Além dos problemas sociais enfrentados pelos LGBTs, as pessoas mais velhas ainda comumente enfrentam o preconceito chamado etarismo (também conhecido como “ageísmo”), que é a junção das palavras “etário” (sinônimo para idade), e “ismo” (nesse contexto, indica discriminação). Segundo o artigo “Todos Nós Seremos Mariconas Um Dia”, isso é ainda mais exacerbado entre os homens gays, que valorizam a jovialidade e a padronização dos corpos.

“Cobram [os homens gays] uma perfeição estética dos homens que os fazem sentirem-se péssimos consigo mesmos, afinal o envelhecimento do organismo começa aos vinte e cinco anos de idade. Calvície, acúmulo de tecido adiposo que mudara as feições da face, linhas de expressões no rosto e demais sinais de que a metamorfose orgânica aponta os avanços do tempo, são vistos como depreciação do valor do indivíduo. Você vale o que aparenta e o quanto tempo de vida tem, de tal maneira que o indivíduo tornar-se- á um subproduto passível de desvalorização patrimonial.”, diz o artigo.

Um exemplo recente é relacionado ao youtuber e produtor de moda Matheus Mazzafera (41), que em dezembro do ano passado recebeu críticas e comentários homofóbicos após postar uma imagem com um look usado na festa de Virgínia Fonseca. Revoltado, e se manifestou no Twitter.

Reprodução

FINANÇAS NA TERCEIRA IDADE LGBT+

Segundo o professor de Antropologia da Universidade Federal de Goiás (UFG), Carlos Henning,  em um artigo do Estadão sobre a solidão dos idosos LGBTs, o envelhecimento biológico de um LGBT acrescenta-se uma complexa teia de problemas discriminatórios.

“A maioria foi expulsa de casa e perdeu essa rede de suporte que é a família. Além disso, enfrenta maiores dificuldades no serviço público de saúde.” Para Henning, o fato de muitas casas de repouso serem administradas por instituições religiosas representa uma barreira a mais para LGBTs que precisam do serviço. “É comum transsexuais terem de desfazer o processo de transição, cortar o cabelo, tirar as próteses e mudar de roupa para serem aceitas ali”.

Além disso, um artigo do Portal do Envelhecimento também aponta que, em nosso país, o envelhecimento é um desafio ainda maior quando comparado a outros, pois a pessoa terá de enfrentar diversas situações.

“O idoso aqui é um sobrevivente, sob vários pontos de vista. Essas pessoas têm que enfrentar atendimento à saúde precário, uma educação que não prepara para o mundo, um mercado de trabalho que paga mal e não permite acumular para a velhice. A pessoa enfrenta a violência dos serviços públicos, a violência urbana e até a violência familiar”, diz o artigo.

Imagem modificada simulando velhice de Gean Duarte
Imagem modificada simulando velhice de Gean Duarte

PEQUENAS MEDIDAS HOJE PARA UMA VELHICE MELHOR AMANHÃ

Nesse contexto que há o questionamento: E o dinheiro na terceira idade? Planejar as finanças é uma necessidade em qualquer fase da vida, mas como dito antes, nesta é ainda mais importante, especialmente para não haver a necessidade de depender exclusivamente do INSS (sistema previdenciário público deficitário), de outras pessoas e de um serviço de saúde precário.

  1. Conhecer seu orçamento: É importante que a pessoa saiba o quanto recebe de renda e quais são os gastos. A própria pessoa precisa ter controle sobre o dinheiro, e não deixar que o dinheiro tenha controle sobre a pessoa;
  2. Poupar para o amanhã: Por mais óbvio que pareça, as pessoas sem educação financeira tendem a não fazer isso. Quando a pessoa vê o próprio orçamento, ela também percebe as oportunidades para fazer sobrar dinheiro, que contribuirá com um futuro digno. Com menos dinheiro gasto em coisas que não são essenciais, sobra mais dinheiro para planejar um amanhã melhor;
  3. Fazer um planejamento para aposentadoria: Muitos idosos permanecem no mercado de trabalho pela necessidade de complementar a renda (benefício do INSS insuficiente para suprir gastos) ou pelo próprio desejo de permanecer. Em ambos os casos, é importante que a pessoa tenha tido um planejamento financeiro e um plano de investimentos adequados, para manter o mesmo padrão de vida ao envelhecer. Mas cuidado, muitos bancos vêm oferecendo planos de previdência privadas ruins, por isso é importante você entender sobre investimentos de verdade. Os Títulos Públicos como o Tesouro IPCA+, por exemplo, são ideais para o objetivo de “aposentadoria”. Faça uma simulação pelo site do Tesouro Direto clicando aqui.

Por mais que existam desafios em envelhecer, o fato é que é um privilégio envelhecer e se tornar uma maricona, muitos não tiveram essa chance.

Reprodução/Instagram @bixarica_
Reprodução/Instagram @bixarica_

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Gean Duarte
Gean Duarte
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