Exposição ‘O.X.E.S’ propõe reflexão sobre saúde sexual e direitos humanos

Adriana Bertini propõe reflexão sobre saúde sexual e direitos humanos através da retomada do "artivismo" no País

Provocar debates educativos para derrubar as barreiras do preconceito e da discriminação sobre temas relacionados à saúde sexual e promover informações e métodos de prevenção que estimulem a adesão ao tratamento do HIV e de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Estes são os objetivos da exposição de arte contemporânea O.X.E.S (termo que remete à palavra sexo de trás para frente).

Idealizada pela ativista e artista plástica Adriana Bertini – que já expôs o seu trabalho em mais de 28 países, nos cinco continentes, tornando o seu manifesto artístico referência internacional em HIV e AIDS, com obras em acervos de museus (Fowler Museum UCLA, Museum of Sex NYC, Estados Unidos; World Museum of Cultures, Suécia; e Centraal Museum, Holanda), galerias de arte e órgãos governamentais –, O.X.E.S tem participação da artista visual e médica Fabiana Gabaskallás, e curadoria da artista visual Lucrécia Couso, em parceria com o médico infectologista Rico Vasconcelos.

Adriana Bertini usa uma de suas criações - roupa-arte feita com preservativos (Foto: Bob Wolfenson / Divulgação)
Adriana Bertini usa uma de suas criações – roupa-arte feita com preservativos (Foto: Bob Wolfenson / Divulgação)

Ao longo da exposição, que tem apoio do UNAIDS, Instituto Cultural Barong, Fundo Posithivo e Impulse São Paulo, estão previstos encontros abertos ao público com a presença de artistas, médicos, jornalistas, educadores e formadores de opinião, que discutirão o tema com a intenção de compartilhar informações e promover a interação dos participantes. Com entrada franca, a mostra ocorre de 17 de abril a 29 de junho, no espaço opHicina, em São Paulo.

Adriana Bertini.
Foto: Adriana Bertini.

“A arte tem papel fundamental no desenvolvimento humano e promove mudanças de comportamento. Mais do que uma exposição de arte, queremos que O.X.E.S se torne uma ferramenta contemporânea para que instituições educacionais, corporativas e sociais promovam de forma artística e didática, a importância da arte para a discussão de um tema, que ainda é preconceito: o SEXO”, afirma Adriana.

Há mais de 23 anos, a artista rompe com tradições e tabus, transformando objetos do cotidiano em obras de arte e instalações, para despertar a conscientização social sobre sexualidade e prevenção ao HIV e ISTs junto das populações vulneráveis. Paralelamente, a ativista é voluntária do Fundo Posithivo e do Instituto Cultural Barong, que incentiva jovens à testagem de HIV, sífilis e hepatite, bem como adesão ao tratamento em caso de positividade.

O “artivismo” de Adriana chamou a atenção do norte-americano Timothy Ray Brown, que desembarca pela primeira vez no Brasil para uma conferência sobre o tema e para a abertura da O.X.E.S. Conhecido como o “Paciente de Berlim”, Brown foi o primeiro caso do mundo de cura do HIV, depois de passar por dois transplantes de medula óssea, em 2007. Desde então, ele não apresenta traços do vírus, impressionando pesquisadores e oferecendo perspectivas promissoras sobre como a terapia genética pode levar à cura da doença.

Tim Brown por Sean Black oxes
Tim Brown por Sean Black

“A arte como expressão sexual permite ao artista criar prazer para o contemplador, que interpreta a obra de maneira similar aos gestos, palavras e ações de seu parceiro”, avalia Brown, reforçando que arte e sexo devem ser expressões livres de sentimentos.

A O.X.E.S

Composta por instalações, obras tridimensionais, colagens, moda, audiovisuais e séries de fotografias, a mostra apresenta convidados especiais, como a médica e artista visual Fabiana Gabaskallás, que há mais de 20 anos trabalha com pacientes vivendo com HIV|AIDS e estuda fotografia e artes visuais. Este binômio permeou, naturalmente, a base para um corpo de trabalho, que inclui a transcrição de formas orgânicas e considerações sobre interação ciências-artes. Também compõe o acervo da exposição a O.X.E.S Friends, uma série de fotografias em parceria com o jornalista e fotógrafo norte-americano Sean Black, que registrou filantropos e celebridades comprometidas com o tema, usando uma peça de arte ícone da Adriana Bertini, a Bow Tie. Além de Tim Brown, abraçaram a causa nomes de peso, como Dr. Michael Gottlieb, físico e médico imunologista que descobriu o HIV em 1981, Janson Stuart, Sheryl Lee Ralph, Kelly Gluckman, Thomas Davis, entre outros artistas.

“É uma honra fazer parte desse esforço internacional para educar e desencadear diálogos sobre saúde sexual, autocuidado e cuidado dos outros. O retrato é uma colaboração sagrada de pessoas que desejam usar sua existência e notoriedade para projetar um mundo mais gentil, saudável e feliz. A gravata feita com camisinhas é a forma artística de ‘vestir’ a humanidade para instigar o diálogo e a educação”, declara Sean Black.

A cantora Wanessa, Embaixadora de Boa Vontade do UNAIDS no Brasil, foi clicada pelas lentes do renomado fotógrafo Bob Wolfenson para também integrar a série de fotos, representando celebridades brasileiras engajadas na resposta à epidemia de HIV. Wanessa foi nomeada Embaixadora do UNAIDS em dezembro de 2015 e, desde então, tem se dedicado a participar de campanhas e iniciativas que busquem sensibilizar seus fãs e o público em geral sobre a importância da prevenção do HIV, do tratamento e da zero discriminação.

Serviço

O.X.E.S – Artivismo em Exposição
Data: 17 de abril a 29 de junho
Horário: das 10h às 18h, segunda a sexta; das 11h às 14h, aos sábados
Local: espaço opHicina
Endereço: Rua Teodoro Sampaio, 1.109 – Pinheiros – São Paulo – SP
Entrada Franca

Sobre Adriana Bertini

Artista plástica e ativista, Adriana Bertini transforma objetos do cotidiano que remetem à prevenção sexual em obras de arte e instalações. Há mais de 20 anos, a artista rompe com tradições e tabus com a intenção de despertar a reflexão, a conscientização social e a mudança de comportamento sobre temas como sexualidade, identidade de gênero e prevenção do HIV e ISTs junto à população vulnerável. Reconhecidas internacionalmente, suas obras são destaque em museus, galerias de arte, exposições, conferências, órgãos governamentais e oficinas educativas em todos os continentes.

Sobre Fabiana Gabaskallás

Estudar fotografia motivou a base de um exercício metódico da observação. Trabalhar como médica e artista visual, permitiu o desenvolvimento de um corpo de trabalho que agrega ambos os campos, na tentativa de demonstrar as possibilidades da interação de habilidades analíticas com a criatividade, que todos estamos aptos a acessar. Em Ciência, a repetição das formas através das múltiplas escalas e dimensões é uma ocorrência constante. O termo “auto-similaridade” descreve uma forma que pode ser dividida em múltiplas outras partes, menores ou não, cada uma semelhante à forma que a originou. A linha principal de seu trabalho tem sido a representação dessas várias camadas de diferentes escalas (micro, macro e supermacro), em células, tecidos ou colônias bacterianas. Esses padrões orgânicos repetitivos, e as formas fragmentadas, são seu constante objeto de estudo.

Sobre Lucrécia Couso

Sua vida no mundo das artes começou pela formação em Artes Plásticas na FAAP, em 1995. Como artista participou de exposições individuais e coletivas como: “Na Pinacoteca” com curadoria de Nelson Leirner, “Viscon 9” com curadoria de Luiz Guimarães Monforte, na Austrália, “Em obra” no Paço das Artes. Vencedora do Prêmio Aquisição e Bolsa Integral Anual da FAAP, seus trabalhos fazem parte de diversas coleções particulares. Em 1996 abriu o espaço opHicina e foi uma das pioneiras em São Paulo a reconhecer a fotografia como promissora modalidade de arte contemporânea. Desde então, dedica-se à curadoria, à descoberta de novos talentos, orientação de artistas e criação de projetos expo gráficos.

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