Instituto de Cinema lança o curso ‘Cinema Queer’

Em oito aulas, Lufe Steffen e Bruno Carmelo discorrem sobre o primeiro filme lançado na década de 1920 até os documentários e o cinema queer do século XXI.

O InC (Instituto de Cinema) possui mais de 100 especialistas de audiovisual e oferece 130 cursos diferentes para quem quer se profissionalizar ou aperfeiçoar em cinema. O Inc passa a oferecer o curso de Cinema Queer, um estudo simultâneo dos filmes pioneiros na cinematografia brasileira e mundial, destacando a recepção e evolução da imagem de indivíduos LGBTQI+.

O objetivo do curso é compreender as principais correntes estéticas e políticas dentro do cinema queer, comparando o caso brasileiro com o cenário de países e cinematografias mais consolidadas.

Conteúdo Programático

Cinema Queer Brasileiro (Prof. Lufe Steffen)

Do início à década de 1960: A transformação, desde um único filme queer registrado na década de 20 até a ascensão de produções sobre o tema na década de 30, chegando à profusão das chanchadas, nos anos 40 e 50, e aos personagens multifacetados de Nelson Rodrigues e Plínio Marcos, além de filmes que fogem à caricatura.

Da pornochanchada aos filmes policiais: Uma passagem da caricatura e do estereótipo de indivíduos LGBT à aparição de retratos urbanos e realistas, além de novas representações da homossexualidade feminina. A associação entre a figura do LGBT com a marginalidade, o banditismo e a violência urbana nos filmes policiais.

Década de 80: Num momento pós-ditadura militar, aumentam os retratos da homossexualidade na juventude, assim como representações da identidade de gênero. Além do primeiro filme brasileiro sobre um casal de mulheres, o neon-realismo paulista abraça a questão queer. A passagem aos anos 90 é marcada pela trilogia queer do cineasta Djalma Limonji Batista.

Década de 90 aos dias atuais: Enquanto o cinema nacional se inspira da linguagem trash de Pedro Almodóvar e John Waters, a produção de curtas-metragens permite novas representações LGBT. A partir de 2000, a ficção aprofunda as representações LGBT em filmes como Madame Satã (2002) e Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014). Os documentários sobre esta temática se multiplicam, com destaque para Dzi Croquettes (2009), São Paulo em Hi-Fi (2016) e Divinas Divas (2017). .

Cinema Queer Mundial (Prof. Bruno Carmelo)

Do início à década de 50: Debate sobre as diferenças entre o queer, o LGBT e correlatos. Estudo dos primeiros filmes que representaram a sexualidade e o gênero de modo mais frontal no cinema, como Different from the Others (1919), Mikael (1924), Senhoritas em Uniforme (1931) e The Gay Divorcee (1934). O personagem queer como alvo de estereótipos, censura e moralismo.

A revolução do cinema queer pós-1950: A inserção de personagens LGBT em Hollywood como vilões ou alívios cômicos. Estudo de obras centrais do período como Meu Passado me Condena (1961), Infâmia (1962) e Lawrence da Arábia (1962). A chegada da produção underground de Andy Warhol, John Waters e Barbara Hammer e a redefinição da estética queer.

A presença queer pós-movimento hippie e a abertura ao pop: Contextualização dos anos 1970 e 1980, quando a descoberta do HIV transformou a comunidade LGBTQI+ e os filmes que visam representá-la. Análise de Cabaret (1972), Minha Bela Lavanderia (1985), O Beijo da Mulher-Aranha (1985), a relação do queer com o imaginário de guerras e ditaduras.

Os documentários e o cinema queer do século XXI: O papel da memória em projetos como Paris is Burning (1990) e O Outro Lado de Hollywood (1995). O aspecto teen e o lúdico em Gregg Araki e Stephan Elliott. A inserção de filmes de temática LGBT nas produções mainstream e séries de televisão, e as tentativas de consagração via Oscar e demais premiações. A questão do autor gay e do lugar de fala.

Lufe Steffen
Lufe Steffen. Foto: divulgação

Sobre Lufe Steffen

Cineasta e jornalista. Dirigiu dois longas documentais, os premiados “São Paulo em Hi-Fi” (2016) e “A Volta da Pauliceia Desvairada” (2012), ambos sobre a noite LGBT paulistana. Roteirizou e dirigiu “Cinema Diversidade”, série documental para TV em 10 episódios, sobre o cinema brasileiro LGBT do século XXI, exibida pelo canal Prime Box Brazil em 2018, e inspirada em seu próprio livro “O Cinema que Ousa Dizer Seu Nome” (2016, Editora Giostri). Publicou ainda o livro “Tragam os Cavalos Dançantes” (2008). Acaba de rodar seu 1º longa de ficção, o musical queer “Nós Somos o Amanhã”. Atualmente ministra oficinas de cinema, versando sobre temas como Literatura x Cinema, LGBTs no Cinema Brasileiro e Cinema Queer Mundial. Em 2018 criou e realizou o 1º Workshop de Roteiro Audiovisual para Pessoas Trans; e em 2019 inaugurou a mostra cinematográfica Queer Terror.

Bruno Carmelo. Foto: divulgação

Sobre Bruno Carmelo

Mestre em Teoria de Cinema pela Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris III, autor de duas dissertações de mestrado sobre a evolução da crítica de cinema. Crítico de cinema pelo AdoroCinema, membro da ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) e curador de mostras sobre o cinema belga contemporâneo e sobre o documentarista Frederick Wiseman.

Instituto de Cinema lança o curso 'Cinema Queer'

Curso: Cinema Queer – No Brasil e no Mundo
Com Lufe Steffen e Bruno Carmelo
Início: 18/11/2019
Duração: 8 encontros, às segundas, quartas, das 19h às 22h.
Carga horária: 24 horas
Investimento: R$ 700,00 (à vista) ou 2x de R$ 375,00
Inscrições: matricula@institutodecinema.com.br

Instituto de Cinema
Rua Teodoro Sampaio, 1121 – Pinheiros – SP Fones: 11 3061 0120 e 11 99556-1485

https://www.institutodecinema.com.br/curso/cinema-queer-no-brasil-e-no-mundo/noite