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Enrolados em bandeiras com as cores do arco-íris, símbolo do movimento LGBTQI+, ontem (25), dezenas de sul-africanos festejaram, em Soweto, o orgulho homessexual e o fim da terceira onda de covid-19 na cidade. Essa foi a 17ª edição da Soweto Pride. As informações são da Agence France Presse (AFP).

A Constituição pós-apartheid da África do Sul protege contra a discriminação baseada na orientação sexual, mas no dia a dia do país, a comunidade LGBTQI+ continua sendo confrontada. A estigmatização em relação a essa população leva, inclusive, a violência no país.

Membros da comunidade LGBTI+ durante a 17ª edição anual da Soweto Pride, na África do Sul (Foto: Reprodução/AFP)

“Ainda matam por isso”, declarou Siphokazi Nombande, de 42 anos, uma das organizadoras da marcha. “Muitos não entendem que as pessoas LGTBQI+ possam existir. Querem mudá-las por causa do que gostam”, acrescenta a ativista em entrevista à AFP.

O isolamento social, para conter a covid-19, acentuou as dificuldades de relação entre os jovens e os familiares que rejeitam suas identidades e orientações sexuais. “Cada vez registramos mais casos [de discriminação], mais problemas de saúde mental”, destacou Siphokazi.

A organização da 17ª edição anual da Soweto Pride, em uma cidade simbólica na luta contra o apartheid, representa um grande impulso para comunidade LGTBQI+. “Ainda resta muito caminho antes de poder dizer que sou LGTBI ou ‘queer’ e que o assumo, sem arriscar minha segurança”, comentou Tshepiso Leeu, enfermeira de 32 anos. “Há muitas coisas a comemorar”, acrescentou.

A história da cidade de Soweto

Soweto é interligada à cidade de Joanesburgo, na África do Sul. A comunidade foi criada em 1963, para juntar, sob uma mesma administração, um conjunto de bairros para pessoas negras. Na época, de acordo com as leis do apartheid, a população negra não podia viver em áreas reservadas aos brancos. Desse modo, bairros foram construídos para abrigar trabalhadores negros e alguns deles foram incorporados a Soweto.

Em 1983, Soweto deixou de fazer parte de Joanesburgo e passou a ter sua própria administração municipal. A comunidade ficou conhecida na época do apartheid por ser foco de resistência antirracista e pelas organizações de protestos contra a política oficial de discriminação racial. Em 16 de junho de 1976, um desses atos foi violentamente reprimido, o que ocasionou no “Massacre de Soweto”.

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Jornalista formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (RS).