Recentemente divulgamos o lançamento do videoclipe “Alarme”, de Auggusto Ferré, uma das maiores promessas do pop nacional independente. O single faz parte do álbum “Pode Olhar”, o primeiro trabalho autoral do artista onde ele assume o papel de cantor, compositor e produtor executivo.
.
Conversando com o GayBlogBr, Ferré diz que é emocionante falar deste trabalho que é um “divisor de águas” em sua carreira. Canceriano com lua em escorpião (sentimentalismo e sensibilidades apuradíssimas!), toda a intensidade emocional que esta combinação astrológica traz resulta em um álbum que diverte e emociona muito!
.
Você pode acompanhar um pouco mais do trabalho de Auggusto Ferré no Spotify e também em seu canal do YouTube para eventuais novidades.
.
1 – Olá Auggusto, um prazer enorme poder entrevistá-lo! Primeiramente gostaria que você comentasse um pouco sobre você e sua carreira, queremos saber sua história!
.
Fico muito feliz de falar com vocês e agradeço a oportunidade de compartilhar meu trabalho. Comecei muito cedo, sempre fui a criança que dançava na frente da TV e nas festinhas puxava as coreografias do “É o Tchan!” ao invés de jogar bola com os meninos.
.
Eu tinha 7 anos e estava num parque que as vezes minha mãe me levava para brincar, e por acaso, naquele dia tinha uma escola de dança se apresentando. Vi aquelas crianças dançando e quis muito estar lá.Na semana seguinte, estava fazendo minha primeira aula.
.
Após dois meses fiz teste para um programa infantil do SBT, o “Pequenos Brilhantes”. Foi meu primeiro emprego! (Risos) Fiz peça de teatro, espetáculo de dança, campanhas publicitárias e sempre estudei muito. Tirando alguns hiatos da adolescência, nunca mais deixei de ter contato com arte.
.
2 – O projeto “Pode Olhar” é a sua estreia como cantor, compositor e produtor executivo. Quais as ideias para esse álbum? Por que deste nome? Conte um pouco os bastidores e curiosidades do que levou você a se aventurar no mundo da música.
.
Primeiro queria dizer o quanto esse projeto é importante para mim, tanto que até me emociona. Ele se tornou um “divisor de águas” na minha vida porque nele tem tudo o que eu sempre quis fazer e não tive coragem antes.
.
Foi o momento em que olhei para mim mesmo e meus ídolos e decidi que seria como eles.  Decidi criar as oportunidades em vez de esperar que elas aparecessem. Decidi ser Senhor do meu próprio destino. Estou dando tudo de mim para fazer a vontade daquele garotinho que assistia as performances da Britney, doido para estar no meio de tudo aquilo.
.
Por tudo isso que acabei escolhendo o “Pode Olhar” entre as quatro outras músicas para ser o “coração” do EP. É uma música que fala sobre autoconhecimento, de ser feliz se amando com suas qualidades e limitações, sobre se mostrar para o mundo como quem você é, sem medo.
.
A minha primeira ideia foi só fazer uma performance de cover com dança e teatralidade para apresentar em festas. Encontrei meu amigo Guto Mattos, que também é cantor, para me ajudar a conceber essa parte musical. Ele se propôs a escrever algumas músicas do projeto, falamos sobre possibilidades estéticas e temáticas, brincamos com algumas músicas, estudamos referências.
.
Esse processo abriu minha cabeça de uma forma que, naquela semana, acabei escrevendo nove letras. Desde então, estou ultrapassando meus limites em diversas áreas. Tenho muito orgulho de ter conseguido realizar tudo o que tenho em mãos até agora.
.

.
3 – E a história por trás do videoclipe da música “Alarme”? Algum motivo especial para esta ser a primeira faixa de trabalho?
.
Isso é uma curiosidade interessante. Vou te contar um segredo: queria ter lançado tudo isso em setembro do ano passado, me organizei para o clipe do “Pode Olhar”, mas houve um desentendimento com a produtora e tudo foi cancelado na semana da gravação.
.
Aquilo me deixou devastado, imagina um canceriano de lua em escorpião decepcionado. Só queria cavar mais o fundo do poço para encher com a minha dor. Mas, na semana seguinte, as outras músicas foram finalizadas, e quando eu ouvi Alarme pronta eu pensei “Será?”, e meu namorado olhou para mim e disse: “Amor, você vai ter que começar tudo do zero, você pode fazer o que quiser.”.
.
Ele estava sugerindo exatamente o que eu estava pensando: era inegável o potencial dela para música de trabalho. Entendi tudo aquilo como um sinal do universo. Acredito que, por mais triste que eu tenha ficado, aquele cancelamento foi a melhor coisa que me aconteceu. Refiz toda a estratégia, decidi lançar o Alarme em separado e fui “para cima”.
.
Para o clipe, lembrei que escrevi pensando nas noitadas com melhores amigos, parceiros de crime (risos); e fiz um personagem híbrido de espião com super-herói, com uma gangue que se protege e ataca junto, um esconderijo para levar minhas vítimas, com o tom de um anti-herói talvez.
.
É a música mais engraçada e divertida do repertório e, ao mesmo tempo, tem uma mensagem legal. Imagino as pessoas rindo, dançando, fazendo pose com os amigos quando eu a escuto. Não teria um melhor jeito de começar do que fazendo parte de bons momentos da vida das pessoas.
.
4 – Quanto tempo durou o processo de composição da track até a finalização do clipe? Qual foi o processo mais complicado?
.
Ai que pergunta difícil, não sei dizer exatamente quando eu escrevi. Foi um pouco depois daquelas primeiras que comentei.  Sei que terminei de compor ela há dois anos. Lembro porque foi a primeira que participei na melodia, porque antes fazia só letra.
.
Tive muitas dificuldades porque, além de eu centralizar todas as responsabilidades, sou marinheiro de primeira viagem nesse segmento, então estou dando a “cara a tapa” o tempo todo.
.
Achava que ia ser difícil levantar os recursos para iniciar a produção e fazer uma boa gravação. Mas realmente o durante é muito mais complicado: gestão de pessoas, lidar com contratempos, reestabelecer prazos, pensar na divulgação. Quando comecei a lidar com tudo isso ao mesmo tempo, aquela nota mais alta e a música mais difícil não tiravam mais meu sono.
.
.
Foto: Divulgação
5 – Agora indo para sua vida, você sempre esteve no meio artístico, exceto um período em que cursou Rádio/Televisão/Internet. Em que momento você decidiu que a arte era o que você queria para sua vida, mesmo com todas as dificuldades que sabemos que há em seguir carreira, em especial no Brasil?
.
Engraçado… Me fizeram uma pergunta parecida recentemente e pra ser sincero não me soa uma decisão, na verdade eu sinto como se não tivesse escolha. Não vou dizer que não seria capaz de fazer outras coisas, porque faço outras atividades inclusive pra levantar mais verba e financiar esse projeto, e muitas vezes me divirto e me realizo até certo ponto, mas eu só consigo fazer com esse foco.
.
Quando faço outra coisa me sinto improdutivo, mesmo que faça bem. Parece que tudo é perda de tempo, não me sinto bem se não estou usando minha criatividade. E não é fácil, é incrível como as riquezas do nosso país alem de não serem valorizadas, são atacadas como um todo.
.
Ser artista no Brasil é estar sempre contra tudo e contra todos, as pessoas nos amam e nos odeiam, é preciso muita força enfrentar desestímulos diários e em várias escalas. Tentei traçar outros caminhos por acreditar no medo que as pessoas acham que devemos ter, mas hoje foco no exemplo de todos os artistas que formam nosso legado e nos inspiram apesar de tudo. Quero estar junto com eles mostrando pros meus fãs que toda luta vale a pena.
.
6 – Você também é professor e coreógrafo na Aggregat Escola de Dança. Conte-nos um pouco sobre sua carreira de dançarino.
.
Confesso que as vezes fico mais nervoso em entrar na sala de aula a subir em um palco. Me cobro o triplo, pois é um lugar em que as consequências dos meus erros não se resumirão a mim. É muita responsabilidade ensinar e mexer com o corpo de outra pessoa e isso me enriquece muito.
.
Na verdade, eu sou obrigado a pensar mais nas coisas, ser mais preciso, buscar mais. Fico me vendo nas minhas alunas e vendo outras possibilidades nelas. Morro de orgulho das minhas crias!
..
A dança foi meu primeiro contato com arte. Comecei na dança de salão, depois fui para o jazz, contemporâneo e o ballet. Dancei no programa Pequenos Brilhantes e depois fui do ballet da Carla Perez, quando ela começou cantar música infantil.
.
Adulto, fiz parte do Coletivo dos Sonhos do João Pirahy, e fui intérprete criador em três espetáculos da Cia Chá Chique (Antigo Núcleo de Pesquisa em Dança Contemporânea da FASCS). Esse último foi uma experiência que levo para vida. Amava fazer parte daquilo, foi onde destruí a parede entre o ator e o bailarino.
Foto: Divulgação
.
7 – Tem alguma previsão para o lançamento de uma nova faixa? Pretende lançar algum cover?
.
Eu nem anunciei ainda, mas vou vazar aqui que vou lançar o EP Pode Olhar agora em fevereiro. Ainda não fechei a data, mas logo coloco nas redes sociais!
.
Um cover pode ser uma possibilidade no futuro, tem várias músicas que eu ia adorar fazer, mas agora estou focado no meu conteúdo.
.
Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".