Clipe ‘Macho Discreto’ traz rap, punk rock e orgulho LGBT ítalo-brasileiro

Rohmanelli faz pop transgressor e de postura punk em “Macho Discreto”, parceria com Raphael Warlock

Uma pessoa transita entre o masculino e o feminino, sendo quem é sem se preocupar com o que pensam. Quando os preconceituosos agem, responde com choque e transgressão. Esse é o mote do forte registro “Macho Discreto”, de Rohmanelli. Parceria com o rapper Raphael Warlock, a faixa caminha entre o pop e o punk rock e está disponível em todas as plataformas de música digital.

Usar a música como forma de questionar padrões sexuais, amorosos, políticos e religiosos faz parte do discurso forte na arte de Rohmanelli. Fazendo um “transpop” – como chama sua interpretação extrema – o cantor faz da reinvenção marca na sua vida e obra.

“Com esse trabalho, quero mostrar a vitória e a superioridade da liberdade sobre toda e qualquer moral. No vídeo, pretendo representar o equilíbrio entre o masculino e feminino. Aquela Coincidentia oppositorum que os alquimistas renascentistas e neoplatônicos buscavam, o Andrógino”, conta Rohmanelli.

Italiano radicado no Brasil há 20 anos, o professor universitário Sergio Romanelli começou sua carreira na música em 2014, com a banda Vita Balera. O projeto explorava o rock alternativo com letras em italiano e chegou a lançar um EP homônimo. Antes disso, estudou música erudita e canto lírico. Mas ainda não era suficiente para ele, que queria trabalhar com expressão corporal e teatralidade.

Foi aí que nasceu Rohmanelli, unindo estética, figurino, letra e música. Em 2016, lançou sua estreia com o álbum “Anomalous”, um trabalho conceitual que trafegava entre o português, inglês e italiano e que gerou sete videoclipes. Em 2018, Rohmanelli lançou “Fanatismi”, um trabalho em italiano e muito mais maduro, reunindo experiências e parcerias adquiridas nos primeiros momentos da carreira. Desde então, suas composições passaram pelas mãos de DJs, produtores e músicos do Brasil, da América do Sul e da Europa. Recentemente, ele lançou um single com a banda de rock catarinense Farra do Bowie.

“Macho Discreto”,  coproduzida com Binho Manenti, é uma faixa com um forte conceito. Ela ganhou um clipe que caminha entre o mundo LGBT, o BDSM, o pole dance e a dança em geral, a tattoo e o punk em uma transformação física no próprio artista em um dia intenso de filmagens.

“Pensamos conceitualmente em dois blocos em que houvesse uma iniciação ao masculino primeiro, com a raspagem do cabelo e sobrancelha, a tatuagem, seguido a uma iniciação ao feminino como corpo, o movimento, o pole dance para chegar ao final a uma síntese entre os dois numa mesma pessoa”, explica ele.

Nascimento de uma nova fase do artista, “Macho Discreto” marca não só uma vitória para Rohmanelli, mas para uma das participações do vídeo, a modelista trans Ama Fialho, vítima de um ataque transfóbico em Florianópolis no fim do ano passado.

“O fato dela estar me libertando das amarras nesse clipe e de ser sua primeira aparição pública depois do ataque me deixou muito orgulhoso e emocionado durante a filmagem, pois tem uma carga simbólica muito forte”, conta o artista.

O vídeo foi dirigido por Marco Martins e Loli Menezes e a faixa foi mixada e masterizada por Rafael Pfleger. “Macho Discreto” está disponível em todas as plataformas de streaming de música e no YouTube.

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