São 20 anos de carreira, mas somente em 2012 que Márcio Markkx decidiu que era hora de investir na carreira solo. Antes disso atuou como cantor de baile, backing vocal em estúdio e por fim como professor de canto popular. Fluente no idioma inglês, ele resolveu também investir na música internacional para atingir um público mais específico do mercado.

Dono de um gosto musical amplo, ele afirma que gostaria de fazer um dueto com artistas que tenha uma mensagem parecida com a dele e que não seja somente “balance a bunda”.

E nesta quinta-feira, 02 de julho, Markkx lança nas plataformas digitais e no Youtube o single Out of This Loneliness. Assista ao clipe:

Confira nosso bate papo exclusivo para o Gay Blog Br:

Você canta tanto em inglês quanto em português, tendo composições em ambos os idiomas, por que flertar com o inglês? Seria uma forma de trabalhar a sua carreira fora do país também?

Exatamente isso. Acredito que o tipo de gênero musical que eu proponho em produzir tem mais aceitação fora do país e dessa forma, cantar em inglês atinge um público mais específico do mercado. É evidente que eu gostaria de ser ouvido no meu país de origem e cantar em português, mas ainda sinto uma certa dificuldade na aceitação de um cantor pop homem, posso estar errado nessa percepção, visto que outros artistas fora da grande mídia tem despontado com ótimas novidades musicais e posso dizer, sem falsa modéstia, que gostaria de fazer parte desse “novo time” de artistas brasileiros da música pop.

Como você descreveria o seu estilo musical? Pop/latino? Rock e Soul?

Eu acho que um pouco disso tudo. Não dá para descartar o lado latino já que no Brasil somos expostos a tantas influências diferentes, mas tenho um background muito grande da Soul Music, do Pop e do Rock Internacional e até um pouco do Gospel nacional e internacional, visto os anos de igreja batista que frequentei.

O que te inspira nas suas composições?

As experiências pessoais, meus medos, minhas tristezas, minhas percepções do mundo, mas principalmente a possibilidade de me comunicar com pessoas que precisam ser protegidas dos aspectos nocivos do ser humano que em alguns casos, nem são percebidos.

Marcio Markkx - Foto: Loiola @leo.loiola
Marcio Markkx – Foto: Loiola @leo.loiola

Na música “Quem sabe isso quer dizer amor” uma regravação do Lô Borges, você fez uma parceria com o Paulinho Moska e Milton Nascimento. Como foi dividir o estúdio com um gênio da música como o Milton?

Não fiz parceria com esses gênios em estúdio, na verdade eles serviram de base para que eu criasse o novo arranjo dessa música, que foi também gravada por eles. Milton Nascimento já é uma referência da música brasileira com o seu timbre inigualável, já o Paulinho Moska pra mim, é referência de músico e bom gosto musical. Eu curto demais os artistas que não tem necessidade de ficar se expondo sem precisar, o que eles fazem é deixar sua arte afetar o mundo e por isso eles aparecem.

Ainda sobre esta música, você deu uma roupagem nova a ela, isto é, a regravou em outro estilo musical ou manteve a MPB?

Acho que “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor”, é o reflexo do que chamo de Pop Latino, não só pela condução dos violões, que fica claro essa referência, mas pelo próprio arranjo da voz e nuances durante a música. A ideia foi realmente trazer um tempero novo para a música.

Você nasceu no interior de São Paulo (Rinópolis), em algumas regiões de interior, a música sertaneja acaba prevalecendo no gosto popular, isso também acontecia na sua cidade?

Na verdade nasci nessa cidade, mas cresci em São José dos Campos, também interior de São Paulo, mas um pouco mais central, então não sofri tanto essa interferência, apesar dessa afirmação ser verdadeira, a música sertaneja é bastante presente, não só no interior, mas hoje ela já ganhou o Brasil inteiro. Só não podemos esquecer que hoje, esse tipo de música já sofreu diversas mudanças, não é mais a música dos nossos avós e nem é, tão “sertaneja” assim.

Marcio Markkx - Foto: Loiola @leo.loiola
Marcio Markkx – Foto: Loiola @leo.loiola

Você já declarou que as suas influências são o MPB, Rock, Jazz e a música Soul, poderia dizer suas referências em cada estilo musical?

Não vou dizer a maior, porque seria injusto com muitos artistas, mas uma das principais referências da MPB pra mim é Elis Regina, a maneira como ela tomava posse das canções é uma coisa espantosa. No Rock internacional Freddie Mercury da banda Queen, é a voz que mais me chama atenção até hoje. Eu também sou muito fã do cantor Jamie Cullum, além de um ótimo pianista, sua voz tem uma qualidade totalmente diferente do que estamos acostumados ao Jazz e pra fechar o grupo, Michael Jackson pra mim ainda é o artista do Pop que vai deixar saudade.

Você tem 41 anos e 20 anos de carreira, como foi o início? Em algum momento da sua vida, você teve que mover para a capital onde as oportunidades musicais são maiores?

Sim, me mudei para São Paulo aos 24 anos, já trabalhava como cantor e professor de música no interior e na capital trabalhei como ator, dublador, vocal em estúdio, participei de bandas e continuei com o trabalho de professor de canto.

Você também atuou como backing vocal de estúdios, para quais nomes você emprestou a sua voz?

Trabalhei com diversos artistas independentes, mas nenhum é conhecido da grande mídia. Era um trabalho focado na produção de vocal, ou seja, criar as vozes de acompanhamento para as gravações. Foi um período bem criativo e de grande aprendizado, até para saber lidar com o ego artístico, meu e dos artistas que me contratavam.

Marcio Markkx - Foto: Loiola @leo.loiola
Marcio Markkx – Foto: Loiola @leo.loiola

Em 2012, você decidiu investir definitivamente na carreira solo lançando uma música de sua autoria chamada “You Made me Feel Good“. Compor em inglês não é uma tarefa muito mais desafiadora?

Muito…porque a premissa é que a mensagem seja a mais clara possível, e sendo um falante de segunda língua, nem sempre acontece, mas eu gosto demais da sonoridade da língua inglesa então, procurei ajuda, passei por especialistas até ficar satisfeito com a linguagem. A maior dificuldade é realmente entregar uma letra que seja entendida pelo público. Aliás, é curioso, essa música é muito criticada pelo público brasileiro com relação a letra, já o público de fora, elogia muito, ou seja, não dá para agradar todo mundo e na real, nem penso em agradar ninguém, me preocupo com a mensagem que estou entregando.

E o que podemos esperar do novo single, “Out of This Loneliness“? 

Essa música é antiga e estava na gaveta há anos, mas sempre gostei dela. Resolvi tirar as teias de aranha, corrigir alguns detalhes na produção, gravei o clipe que ficou lindo e enfim, hora de jogar no mundo e ganhar vida. Basicamente é uma música que fala sobre um final de relacionamento, que apesar de altos e baixos, acaba e tem o saldo positivo, mas a vida segue, então bora continuar vivendo.

Você também pretende lançar em Agosto um EP com três canções autorais, como será esse lançamento?

Sim, essas 3 músicas compõem esse trabalho cantado em inglês e possui um colorido bem pop/rock. A ideia desse EP é falar sobre coisas que vivenciamos quando estamos sozinhos, pois é o nosso momento mais verdadeiro, não ter necessidade de vestir nenhuma máscara e de fato, mostrar quem somos.

Marcio Markkx - Foto: Loiola @leo.loiola
Marcio Markkx – Foto: Loiola @leo.loiola

Como você avalia o atual cenário musical brasileiro?

Não gosto de falar sobre o que é bom ou ruim com relação a música, porque gosto, cada um tem o seu e isso importa apenas para você. A música brasileira é tão vasta de gêneros como o tamanho do nosso país, a única coisa que eu acredito que deveria mudar é o nosso acesso nas rádios, na TV e nos meios de comunicação a mais novidades e não só, os mesmos artistas de sempre, como se eles fossem os melhores do mundo e só houvessem os mesmos. Tem muita gente boa por aí, fazendo muito sucesso e nunca apareceu na TV, nem rádio, encontrar esses artistas é quase uma aventura em algumas ocasiões.

Você pretende também fazer live musical como muitos cantores têm feito?

Como cantor, não nesse momento. Por dois motivos, a minha experiência como professor que utiliza a internet para divulgar o trabalho, já demonstra que bombardear o público com lives, não vai fazer o público valorizar nosso trabalho artístico, pelo contrário, o público vai ficar cada vez mais folgado com relação a arte, já que na grande maioria recebe de graça e nós (artistas) não vivemos apenas de aplausos. O segundo motivo é que, meu momento é de lançar material, mostrar meu som, minhas mensagens e o que estou gravando. Ainda não tenho um show formatado e com a pandemia, não vou me preocupar com essa produção, meu momento é produzir e compor, quero aproveitar a demanda virtual para colocar o material no mundo.

Em se tratando da nova safra musical, com quem você gostaria de fazer um dueto?

Com qualquer artista que tenha uma mensagem parecida com a minha, que não seja apenas “balance a bunda”. Tenho pretensões maiores, ainda acredito em deixar uma marca no mundo, sabe como é? Então trabalhar com gente legal e que tenha objetivos reais na música, além de dinheiro e fama, me deixaria muito feliz.

Para acompanhar o cantor em suas redes sociais:

Facebook: https://facebook.com/mmarkkx
Twitter: https://twitter.com/marciomarkkx
Instagram: https://instagram.com/marciomarkkx
YouTube: https://youtube.com/marciomarkkxofficial

Site: www.marciomarkkx.com
Spotify: neste link
PlaylistsNova MPB Acid Pop Markkx

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1 COMENTÁRIO

  1. […] “Essa música é antiga e estava na gaveta há anos, mas sempre gostei dela. Resolvi tirar as teias de aranha, corrigir alguns detalhes na produção, gravei o clipe que ficou lindo e enfim, hora de jogar no mundo e ganhar vida. Basicamente é uma música que fala sobre um final de relacionamento, que apesar de altos e baixos, acaba e tem o saldo positivo, mas a vida segue, então bora continuar vivendo”, disse Markkx em entrevista ao GAY BLOG BR. […]