‘Memorycard’ é o álbum de estreia do projeto Ambivalente, de Rodolfo Ribeiro

Através dos selos cariocas Primata Records e Valente Records, o primeiro álbum cheio de Rodolfo Ribeiro, conta com as participações de Saudade, Bronze e Iago Pomponet

Rodolfo Ribeiro, carioca que encabeça o projeto Ambivalente, viaja por memórias em seu primeiro disco “Memorycard”.  O álbum gravado e produzido por Patrick Laplan, vai além dos conceitos de saudade e memória do dicionário, sendo um convite à reflexão e reconexão com nossas próprias lembranças através de outra visão. “A memória é muitas vezes romantizada como algo pra se sentir falta, daí vem todo o conceito do que é a saudade. Como a sociedade incentiva esse apego excessivo a memória pode se tornar algo tóxico, algo que te acorrenta a lembrança”, conta Rodolfo.

O nome do projeto vem inspirado no conceito do álbum, a ideia de que tudo, ao final, tem uma ambivalência. Em seu primeiro álbum cheio, as oito faixas – sendo cinco inéditas – foram compostas por Rodolfo, em críticas sociais, relatos sobre ansiedade, luto, questionamentos, depressão e também, amor.

Capa do álbum Memorycard
Capa do álbum Memorycard – divulgação

Começa com “Insônia”. Em um período de depressão, Rodolfo perdeu o sono, algo que nunca tinha sido comum pra ele. Coincidentemente, começou a ler  “Nos cumes do desespero” de Emil Cioran, que inspirou a música. No livro, o autor divaga sobre a ideia de que adormecer todos os dias te leva a enxergar possibilidades de mudanças no dia seguinte. “A ideia do Cioran era de que não dormindo você enxergasse a realidade de forma retilínea e verdadeira. Hoje em dia não concordo com isso, mas fiquei muito interessado pelo assunto na época”, conta.

“Palavras” segue falando sobre contrastes de visões, ideias diferentes de um relacionamento que ao fim, são completares. O início divertido, leve e apaixonado e o final com a negação, a dor e a sensação de que aquele amor incrível do início nunca existiu de verdade. “Suficiente”, lançada como um dos três singles do artista com uma live, foi a primeira faixa do projeto a ganhar vida. Dialogando sobre autossuficiência propõe que observemos as relações sociais que temos cultivado atualmente. “Ela fala sobre como as pessoas estão se descartando desenfreadamente, sobre esta ideia do ‘não querer se relacionar’ por se bastar”, afirma o cantor. “Foi através da colaboração com o Patrick Laplan, produtor do disco, que vi a beleza de colaborar e confiar. Ele trouxe paz pro meu coração quanto a isso, me fez ver que ainda tem gente que vem pra somar”, completa.

Em “Ex-Amigos”, que conta com a participação do Bronze, Rodolfo discorre sobre o luto da perda de confiança. “Algumas amizades colaboram para o que a gente é, mas de forma tão próxima e conectada que, se por qualquer motivo aquele laço for cortado, nós ficamos sem saber quem somos”.

Já “Falta” é sobre um vazio que permeia a gente”, define o cantor. A faixa confessional foi a primeira do projeto Ambivalente a ser lançada e ganhou clipe dirigido por Juliana Colinas e Guilherme Miranda com roteiro construído a seis mãos junto ao artista. Intensa e confessional, fala sobre a sensação de desconexão com o mundo, com a ideia de que se tem tudo na vida mas que ao mesmo tempo não tem nada.

A reta final começa com “Aniversário”, música com participação de Saudade (Saulo Von Seehausen), e reflete sobre ficar mais velho todos os anos e todas as cargas que vêm junto ao dia de comemoração. “Plástico”, escolhida como  terceiro single de Ambivalente, ganhou clipe por Juliana Colinas e Lucas Luz, e tem participação do cantor Iago Pomponet. Reflete na letra e no vídeo a era digital e as mudanças da relações humanas através das redes sociais e tecnologia, divagando sobre a efemeridade das coisas.

Encerrando “Memorycard”, está “Arquivos”. Seguindo a linha autobiográfica de todo o álbum, a faixa escolhida para finalizar o primeiro trabalho de Ambivalente fala sobre um fim pessoal e também traz a visão própria de recomeço. Sobre um amor e todas as coisas que foram vividas e o peso de uma perda.

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