Peça ‘Angels in America’ retrata epidemia da AIDS e olhar crítico ao governo

Épico gay norte-americano de Tony Kushner, "Angels In America" é um dos maiores sucessos teatrais dos anos 90

Considerada por muitos estudiosos como o texto teatral mais importante dos últimos 50 anos, Angels in America é um díptico escrito por Tony Kushner no início dos anos 1990. Composto de O Milênio se Aproxima (parte 1) e Perestroika (parte 2), o texto recebeu os principais prêmios da dramaturgia americana, incluídos aí os prestigiados Tony Award, Drama Desk Award e Pulitzer Prize.

Montagem do diretor paranaense Paulo de Moraes segue fielmente a peça, apresentada em duas partes, que somam sete horas de palco (Crédito: Divulgação) angels in america
Montagem do diretor paranaense Paulo de Moraes segue fielmente a peça, apresentada em duas partes, que somam sete horas de palco (Crédito: Divulgação)

Angels in America se passa na década de 1980, em Nova York, durante a chamada Era Reagan e quando a AIDS assolou a cidade. “É um épico teatral em duas partes. É uma peça especial, imensa, um mergulho no final do século XX, mas que – diante do colapso em que o mundo se encontra hoje – revela uma atualidade esmagadora. A pela reflete sobre o mundo ocidental, sobre religiões, política, relações afetivas, sexo, medo da morte, covardia, crueldade, História. Há um sentido de devastação se alastrando por toda a peça. Mas o resultado cênico é um movimento constante, personagens se fazendo vivos por estarem em movimento.”, comenta o diretor Paulo de Moraes.

“Embora haja um cheiro de realidade permanente, a nossa montagem não é nada realista. Usamos um espaço nu, aberto. E pairando sobre esse espaço aberto, um grande teto branco, uma espécie de asa geométrica, como um anjo pairando sobre a História. Fora isso, usamos pouquíssimos elementos em cena, para que os corpos dos atores sejam determinantes pra narrativa e a imaginação do publico seja cúmplice e finalizadora do acontecimento estético.”, conclui Moraes.

‘Angels in America foi adaptada para a televisão pela HBO em 2003, resultando numa minissérie de sucesso, com um elenco estelar liderado por Al Pacino, Meryl Streep e Emma Thompson.

Serviço: ANGELS IN AMERICA
Estreia nacional: dia 3 de maio de 2019
Temporada: de 3 de maio a 2 de junho
Sextas-feiras, às 21h: ANGELS IN AMERICA – Parte 1 – O MILÊNIO SE APROXIMA
Sábados, às 18h: ANGELS IN AMERICA – Parte 1 – O MILÊNIO SE APROXIMA
Sábados, às 21h: ANGELS IN AMERICA – Parte 2 – PERESTROIKA
Domingos, às 18h: ANGELS IN AMERICA – Parte 2 – PERESTROIKA
Local: Sesc Vila Mariana
Endereço: Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, São Paulo.
Telefone: 11 5080-3000
(próximo ao Metrô Ana Rosa)
Valor do Ingresso: R$ 30,00 (inteira), R$ 15,00 (meia) e R$ 9,00 (comerciário)
Importante: Cada sessão será vendida de maneira independente. Quem assistir no sábado terá de comprar 2 ingressos, 1 para a parte 1 e outro para a parte 2.
Vendas na bilheteria ou pelo site https://www.sescsp.org.br
Capacidade de Público: 400 pessoas
Duração: Aproximadamente 150 minutos, cada parte.
Classificação Indicativa: 16 anos (cenas de nudez, simulação de sexo e palavrões)
Gênero: Drama

Sobre ANGELS IN AMERICA e seus personagens

Deus abandonou o paraíso. Na terra – mais especificamente na cidade de Nova York – um novo profeta está para surgir. O ano é 1985, o milênio se aproxima rapidamente, e Prior Walter (Jopa Moraes) é o profeta que se erguerá dos destroços deste terrível século. Mas ele tem problemas maiores. Com apenas trinta anos, acaba de ser diagnosticado com AIDS. Seu namorado, Louis (Luiz Felipe Leprevost), é incapaz de lidar com a progressão dos sintomas. O vômito, as feridas, a doença o apavoram de tal modo que ele decide se mudar e deixa Prior. Sozinho no apartamento, Prior – o profeta – tem sonhos febris onde ouve uma voz angelical que chama por ele. Paralelo a isso, o famoso advogado Roy Cohn (Sérgio Machado) – uma figura que realmente existiu – também recebe de seu médico a notícia de que está com AIDS. Perverso e ultraconservador, esconde sua homossexualidade e sua doença. Por mais temido e influente que seja em todo o país, é a primeira vez que Cohn se depara com algo que não pode controlar.

O pupilo de Roy, Joe (Ricardo Martins), é mórmon e trabalha no Tribunal de Apelação como chefe de gabinete há cinco anos. Roy oferece a ele um cargo importante no Departamento de Justiça em Washington, para que Joe o beneficie em um processo que visa expulsar Cohn da Ordem dos Advogados. Joe se vê dividido entre a carreira e seus princípios éticos. Além disso, seu casamento com Harper (Lisa Eiras) não vai nada bem. A criação religiosa fez com que Joe nunca assumisse sua homossexualidade e, para aplacar a depressão da relação, Harper ingere quantidades enormes de Valium, buscando refúgio em suas alucinações. Num momento de crise, Joe liga para a mãe, Hannah (Patrícia Selonk), e conta para ela que é gay. Hannah o repreende veementemente durante a ligação, mas dias depois vende a casa em Salt Lake City, onde morava, e chega em Nova York para descobrir que o filho sumiu. Ele deixa Harper para viver com Louis – que trabalha no tribunal como digitador – a sexualidade que sempre reprimiu. Joe – advogado, mórmon, republicano – personifica a América que Louis abomina, mas um improvável elo se forma entre eles, uma paixão sexual e poderosa.

Prior está desolado sem alguém do seu lado. Perdeu muitos amigos para a AIDS nos últimos tempos e teme ser o próximo. No auge da doença e da febre, um Anjo desce dos céus e aparece em seu quarto. O Anjo (Marcos Martins) é de certa forma assustador. Ele explica que o movimento da espécie humana – sua incapacidade de se manter parada, de não se misturar – seria a causa dos males do mundo e do desaparecimento de Deus. Prior é o escolhido para restabelecer a paz, cessando todos os movimentos migratórios da humanidade. Ele faz de tudo para rejeitar sua profecia, se torna progressivamente mórbido e amargurado, causando preocupação em seu amigo Belize (Thiago Catarino), que tenta ajudá-lo a lidar com a rejeição de Louis e a cuidar da saúde debilitada. Belize é enfermeiro e trabalha no turno da noite no hospital em que Roy é internado. Negro, gay e ex-drag queen, conhece bem as feridas profundas causadas pelo avanço da política e do pensamento neoliberal defendidos por Roy Cohn. Isolado e enfraquecido, Roy recebe a visita de uma velha conhecida, o fantasma de Ethel Rosenberg (Patrícia Selonk), que foi condenada à cadeira elétrica nos anos 50 graças à influência do advogado nos anos do Macarthismo. O que fazer diante de um sofrimento arrasador? Como sobreviver a uma época monstruosa? É preciso parar ou devemos manter as nossas vidas em constante movimento?

Ficha técnica

ANGELS IN AMERICA, de Tony Kushner
Direção: Paulo de Moraes
Tradução: Maurício Arruda Mendonça
Elenco (em ordem alfabética): Jopa Moraes (Prior Walter), Lisa Eiras (Harper Pitt), Luiz Felipe Leprevost (Louis Ironson), Marcos Martins (O Anjo), Patrícia Selonk (Hannah Pitt + Ethel Rosemberg), Ricardo Martins (Joe Pitt), Sergio Machado (Roy Cohn) e Thiago Catarino (Belize + Sr. Mentira)
Cenografia: Paulo de Moraes e Carla Berri
Iluminação: Maneco Quinderé
Figurinos: Carol Lobato
Música Original: Ricco Viana
Videografismo: Rico Vilarouca e Renato Vilarouca
Preparação Corporal: Paulo Mantuano
Fotografia: Mauro Kury
Designer Gráfico: Daniel de Jesus
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Assistente de Produção: William Sousa
Produção Executiva: Flávia Menezes e Isabel Pacheco
Direção de Produção: Patrícia Selonk
Produção: Armazém Companhia de Teatro

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