Peça ‘Entrega para Jezebel’ retrata vida de travesti que trabalha como babá

Em cartaz em São Paulo até 26 de junho, 'Entrega para Jezebel' terá também edições extras em Araçatuba (dia 21) e Campinas (6 de julho)

A história de uma travesti que alterna o seu tempo cuidando de uma criança durante o dia e tentando ganhar dinheiro pelas ruas à noite é o ponto de partida de Entrega para Jezebel.

espetáculo narra a vida de Jezebel, uma travesti que tem como maior desejo ser mãe, mas que vive a sombra da transfobia
O espetáculo narra a vida de Jezebel, uma travesti que tem como maior desejo ser mãe, mas que vive a sombra da transfobia. Foto: divulgação

Montagem do Teatro do Indivíduo, a peça segue em cartaz até 26 de junho, de segunda a quarta-feira, às 20 horas, na Oficina Cultural Oswald de Andrade com entrada franca. Escrita pelo autor piauiense Roberto Muniz Dias, a peça tem direção de Rodolfo Lima e conta com Valéria Barcellos, Bibi Santos e Clodd Dias, todas atrizes negras e transexuais. Daniel Sapiência completa o elenco.

Contemplado pelo PROAC LGBT, o espetáculo narra a vida de Jezebel, uma travesti que tem como maior desejo ser mãe e vive a sombra da transfobia. A maternidade é o ponto nevrálgico da peça, já que ela cuida do filho de uma amiga, que retorna um tempo depois querendo reaver a guarda, fazendo com que o mundo de Jezebel desmorone.

Para o diretor Rodolfo Lima, a montagem propõe um diálogo intimista e poético entre o público e as artistas selecionadas para o trabalho sobre o universo de mulheres transexuais.

“Jezebel sonha em viver dentro do arquétipo do gênero feminino, que condiciona a mulher a uma casa, um marido, filhos e quem sabe virar uma artista famosa. Porém a travestilidade e a falta de oportunidade são empecilhos para a concretização de seus sonhos. O que está guardado para Jezebel diante da violência que sofre diariamente? Jezebel canta nas horas vagas, mas quem ouve o que ela tem a dizer? Travesti pode ser mãe? Pode ser artista?”, indaga ele.

O espetáculo narra a vida de Jezebel, uma travesti que tem como maior desejo ser mãe, mas que vive a sombra da transfobia. Foto: divulgação
O espetáculo narra a vida de Jezebel, uma travesti que tem como maior desejo ser mãe, mas que vive a sombra da transfobia. Foto: divulgação

Transfake

Alçado à mídia em 2017 pelo Movimento Nacional de Artistas Trans (MONART), capitaneado pela atriz Renata Carvalho, o termo transfake (referência aos atores cisgêneros que interpretam personagens transexuais) foi o mote para que o autor Roberto Muniz Dias desenvolvesse a dramaturgia de Entrega para Jezebel.

“O texto traz uma mensagem sobre a transfobia muito forte, mas com a presença e convívio com as atrizes percebi que a peça não podia ter só um recorte, pois havia mais coisas a serem abordadas. A questão racial foi acrescentada a questão trans, bem como a necessidade de representatividade dessas atrizes no meio artístico, inclusive interpretando personagens que se adequam ao seu gênero e não necessariamente falando sobre as questões de um corpo trans e/ou sua sexualidade”, diz Rodolfo, explicando ainda que Valéria faz a travesti Jezebel, mas que Clodd faz Joana, a mãe da criança.

SERVIÇO

ENTREGA PARA JEZEBEL
De segunda a quarta-feira (até 26 de junho)
Horário: 20h

OFICINA CULTURAL OSWALD DE ANDRADE
Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo, SP
Telefone – (11) 3222-2662. Capacidade – 30 lugares
Duração – 70 minutos.
Recomendado para maiores de 14 anos.
GRÁTIS – retirada de ingressos com uma hora de antecedência.

PS: Especialmente nos dias 11 e 25 de junho, um debate será realizado logo após a apresentação do espetáculo.

No dia 20 de junho, quinta-feira, às 18h30, a apresentação acontece no Teatro Sérgio Cardoso dentro da programação Parada no Sérgio, em parceria com o Museu da Diversidade. O Festival de Teatro de AraçatubaFestara 2019 recebe a peça no dia 21 de junho, sexta-feira, às 22h e o MoDive-se, de Campinas, no dia 6 de julho, sábado, às 20h.

Créditos

Texto – Roberto Muniz Dias. Direção – Rodolfo Lima. Elenco – Bibi Santos, Clodd Dias, Daniel Sapiência e Valéria Barcellos. Cenografia – Jeff Celophane e Rodolfo Lima. Design Gráfico – Betinho Neto. Fotos – Luciana Zacarias. Figurinos – Jeff Celophane e Karla Pêssoa. Cenotécnico – Renato Ribeiro. Assistente de produção – Lucimara Amorim. Operação de luz – Hugo Nacari. Contraregragem e Operação de som – Bibi Santos. Mediação Pedagógica – Magô Tonhon. Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta.