O Memorial da Resistência de São Paulo, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo dedicado à preservação de referências das memórias da resistência e da repressão política do Brasil republicano (1889 à atualidade), inaugura no próximo dia 15 de outubro a exposição Orgulho e Resistências: LGBT na ditadura.

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A mostra, realizada em parceria com o Museu da Diversidade Sexual, sob a curadoria de Renan Quinalha, faz um recorte sobre as relações entre autoritarismo e diversidade sexual e de gênero.

“Para o Memorial o reconhecimento desses lugares e vozes são um importante instrumento de educação para a cidadania, uma vez que aproxima os fatos que ocorreram no passado com as permanências no presente. Ainda que muitos direitos tenham sido conquistados e políticas públicas implementadas durante as últimas décadas, o Brasil segue entre os países que mais matam pessoas LGBTs”, afirma a coordenadora do Memorial da Resistência, Ana Pato.

Na exposição, o público terá acesso à série de ações de resistência que surgiram em defesa da diversidade neste período, incluindo obras literárias, cartazes de peças de teatro, músicas, filmes, fotografias e materiais que confrontavam a censura na época, além de documentos oficiais da ditadura.

Há várias fotografias de Vânia Toledo e um desenho inédito da Laerte Coutinho no tocante a pluralidade de gêneros. A ideia é mostrar como o movimento LGBT dava “seus primeiros passos” mesmo em uma época tão repressora, mostrando uma série de fotografias que mostra como os gays e travestis se socializavam em bares e boates no centro de São Paulo.

O público também perceberá como as prisões em massa foram instrumentos do Estado para reprimir tipos sociais “indesejáveis” baseados no ideário da moral e dos bons costumes. E o projeto curatorial reforça como essas prisões se mantiveram frequentes após o golpe de 1964 com a intenção de manter uma espécie de “higienização moral”, sendo comumente batizadas de Operação Boneca, Operação Limpeza, Pente-Fino, Arrastão.

Resistência LGBT durante a ditadura é tema de exposição em SP
Reprodução

Nas décadas de 60 e 70, a resistência também é demonstrada no âmbito cultural, com o surgimento de uma arte considerada transgressora e de contracultura. Para a mostra, uma das referências é o grupo Secos e Molhados que tinha como vocalista o Ney Matogrosso, de aparência andrógina, e que por meio da mídia chegava a inúmeras casas brasileiras, numa clara referência a pluralidade de gêneros.

Orgulho e Resistências: LGBT na ditadura contextualiza também o surgimento de um movimento LGBT mais organizado a partir de 1978. O visitante terá acesso a imagens de atos de rua e capas de publicações das imprensas alternativa que abordavam o assunto.

Por fim, a exposição faz um paralelo ao demonstrar que mesmo com a constituição de um movimento mais organizado no fim da década de 70, muitas das reivindicações históricas do Movimento LGBT foram conquistadas bem recentemente, como a união estável e casamento homoafetivos (2011), mudança de prenome e sexo nos registros de pessoas trans (2018) e criminalização da LGBTfobia (2019).

“A proposta desta exposição de conduzir e mudar o olhar para o passado diz respeito também ao desejo de olhar para o presente, a fim de buscar meios para que uma determinada versão da moral e os bons costumes não volte a ter o mesmo peso que teve há tão pouco tempo entre nós”, afirma Renan Quinalha.

Como parte do projeto de mediação da exposição, a Casa 1 – Casa de Cultura e Acolhimento LGBT foi convidada a desenvolver uma edição virtual do Instituto Temporário de Pesquisa sobre Censura. Em uma plataforma digital serão disponibilizados ao visitante materiais articulados aos eixos curatoriais da exposição, reunindo um conjunto de imagens, vídeos, áudios, textos, ilustrações e propostas de atividades.

SERVIÇO:

Memorial da Resistência de São Paulo
Reabertura: a partir de 15 de outubro de 2020
Horário de funcionamento: das 12h às 18h
Endereço: Largo General Osório, 66, Luz.
Grátis, mas é preciso reserva a data e horário de visitação pelo site
www.memorialdaresistenciasp.org.br.
Orgulho e Resistências: LGBT na ditadura
Período: de 15 de outubro de 2020 até 26 de abril de 2021
Classificação indicativa: 12 anos

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".