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O jovem Jamil Ribeiro começou a se identificar como uma pessoa não binária em março deste ano, quando iniciava o último período do curso de psicologia na Universidade Estadual do Piauí (Uespi). Como tradicionalmente ocorre com os cursos de graduação, as fotos de formatura já haviam sido feitas um ano antes da colação de grau. Mas depois desse processo e uma nova identidade, Jamil decidiu refazer essas fotos porque, segundo ele, “me dei conta de que quem apareceria na placa não seria eu”. As informações são do site G1.

As primeiras fotos foram feitas em fevereiro de 2020 para a placa de formatura da turma. Porém, pouco mais de um ano depois, o jovem passou a ter outra aparência e nome. “[…] a turma quis decidir a colação de grau, se ia ou não ter, se iam cancelar, mas a certeza é que a gente ia fazer a placa e os convites e então me dei conta de que quem ia aparecer na placa era a foto do começo do ano, não seria eu. Fiquei muito triste porque ia aparecer meu nome social, mas eu ia aparecer maquiado, com cabelo grande e diferente do que sou hoje, com um macacão rosa… um pesadelo mesmo”, disse ao G1.

A nova foto de Jamil para o quadro de formatura (Foto: Reprodução)

A formatura

Na última terça-feira (5), finalmente chegou o dia da formatura. Jamil se tornou o primeiro psicólogo formado pela Uespi. Apesar dessa vitória, o psicólogo reconhece que é uma exceção dentro da sua própria comunidade, com relação a uma parcela da população brasileira. De acordo com dados levantados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), apenas 2% da população trans estão nas universidades.

Pessoas de gênero não binário são aquelas que não se percebem como um gênero exclusivamente. Ou seja,  a sua identidade e expressão de gênero não se limitam aos padrões masculinos e/ou femininos. “Eu acho que o ponto não é sobre lançar as primeiras pessoas, saber quem são, porque com certeza eu não sou o primeiro, com certeza não sou nem o segundo. O ponto é, por que antes não falaram dessas pessoas? Por que não têm registros?”, questionou o psicólogo.

(Foto: Arquivo Pessoal/Jamil Ribeiro)

Jamil contou ter trancado o curso no início do ano, porque a instituição de ensino não acatava seu nome social, reconhecido por lei. O jovem passou por diversos constrangimentos, como lembrar aos professores de sua existência enquanto pessoa. “Por causa da universidade recusar meu nome social por vários meses, chegou um momento em que eu coloquei tudo na balança e decidi não me desgastar com uma graduação que não me reconhecia”, relembrou.

Em nota, a Uespi informou que houve um erro no processo de retificação do nome social de Jamil, pois os dados acadêmicos estavam com o nome que ele informou e o e-mail institucional não. A universidade também pediu desculpas pelos transtornos que o aluno passou e disse que vai apurar o ocorrido para que novos erros não ocorram.

Mesmo com os desafios enfrentados na universidade e falta de representatividade e de pessoas trans ocupando esses espaços, Jamil diz ter encontrado o acolhimento com os colegas de turma, que acompanharam sua transição e o respeitaram. “Ser trans já é um processo solitário em si, porque eu sei que é difícil dar a cara a tapa e enfrentar tudo o que a gente tem que enfrentar. É ser tratado com indiferença no mundo. Pessoas cisgênero, não sabem as coisas simples que nos são negadas. Por mais que pessoas trans tenham companhia na universidade, sempre são pessoas cis”, pontuou.

(Foto: Arquivo Pessoal/Jamil Ribeiro)

 

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Jornalista formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (RS).