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Os números de casamentos homoafetivos dispararam no Ceará. As uniões mais do que dobraram entre janeiro e setembro de 2021, em comparação com o mesmo período do ano passado. Nos nove primeiros meses de 2020, foram registradas 143 celebrações entre a comunidade LGBTQIA+. Em 2021, já foram contabilizadas 309 cerimônias – aumento de 116%. As informações são do site G1.

De acordo com os dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen), houve um aumento de formalização dos relacionamentos homoafetivos em meio à segunda onda da pandemia de Covid-19. Em 2020, os números reduziram, especialmente nos meses onde  os maiores índices de casos e óbitos pela doença foram registrados, o que não se refletiu em 2021.

Thiago Mena e André Teixeira foram um dos 309 casais LGBTQIA+ de se casaram em 2021 no estado (Foto: Reprodução)

Entre os mais de 300 casamentos homoafetivos realizados no Ceará, um deles foi entre o professor Thiago Mena e o médico André Teixeira. O casal resolveu oficializar o amor, que começou em 2015, mesmo após cinco adiamentos devido a pandemia. “É uma grande conquista nossa. Algumas pessoas até colocam: ‘ah, mas qual a diferença, vocês já moram juntos’. É uma garantia de direitos, uma segurança que você tem. O casamento civil representa tudo isto. Significa que eu não preciso mentir pras pessoas que convivo, inventar uma história que eu vivo uma vida que não é minha, é poder ser quem eu sou”, disse Thiago ao G1.

Thiago e André se conheceram quando estavam em um bar, a partir de um amigo. O casal não imaginava que aquele amigo faria o papel de cupido e, lá na frente, se transformaria em um dos padrinhos do casamento. Além disso, a união foi marcada pela presença dos avós de Thiago, que entraram com as alianças para ele e o marido. “Foi muito emblemático. Um casal com mais de 80 anos entrando num casamento LGBT e entregando as alianças. Foi uma emoção muito grande”, relembra.

(Foto: Reprodução)

Para a registradora civil e tabeliã Fernanda Gomes, que trabalha no cartório do distrito do Mondubim, em Fortaleza, desde março do ano passado, houve mais procura de casais para formalizar a relação nos períodos em que os índices de Covid-19 caíam. “Por conta da pandemia, os casais de modo geral optaram por aguardar e muitos adiaram a formalização do relacionamento”, explica.

Fernanda trabalha em uma unidade que é considerada referência na realização de casamentos homoafetivos. Segundo a tabeliã, o cartório realiza essas uniões há muito tempo sem nenhum obstáculo. “Eu costumo dizer que o requisito para casar no Mondubim é o casal estar apaixonado. Se preencher esse requisito, ótimo, tá resolvido! Para a gente o que interessa é o amor do casal”, comenta.

Aumento na união estável

De acordo com a Arpen, também houve um aumento nos números de união estável homoafetiva no Ceará. Entre janeiro e setembro de 2020, foram confirmadas 70 uniões. Já no mesmo período deste ano, foram registradas 114 formalizações junto aos cartórios cearenses, um aumento foi de 62,8%.

A tabeliã explica que há diferenças entre a união estável e o casamento. Segundo Fernanda, a principal diferença é que quando se opta pelo primeiro, o casal continua com o estado civil considerado como “solteiro”, enquanto o segundo é considerado automaticamente como “casado”.

Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável homoafetiva em decisão plenária. Dois anos depois, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou uma resolução que obriga os cartórios de todo o país a celebrar o casamento civil e converter a união estável em casamento.

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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

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