O ator polonês Witold Sadowy, considerado uma “lenda vida” em seu país de origem, concedeu uma entrevista para um programa de TV local expondo sua orientação sexual, dizendo que “nasceu diferente”.

“Tenho orgulho que sou um homem honesto. Nunca me casei, não tive filhos, algo que me arrependo. Mas eu nasci diferente. Sou gay. Agora eu disse tudo, como uma confissão” – disse.

O ator polonês ganhou em 2012 um troféu da Associação de Artistas Poloneses por sua contribuição para o cinema e teatro. (Foto: Reprodução)
O ator polonês ganhou em 2012 um troféu da Associação de Artistas Poloneses por sua contribuição para o cinema e teatro. (Foto: Reprodução)

A atitude de Sadowy é dita por muitos como corajosa, considerando que na Polônia há diversas cidades que se dizem “livres da ideologia LGBT+”. A revista polonesa Replika, destinada a este público, escreveu no Facebook:

“Nestes tempos sombrios tivemos uma surpreendente mensagem positiva. Sair do armário aos 100! Sadowy é associado com Varsóvia [capital da Polônia] toda sua vida. Sr.Witold, parabéns! E desejamos 200 anos!”

A atitude do ator polonês também repercutiu no Twitter, com muitos poloneses parabenizando-o.

“Meus sinceros parabéns Sr Witold em sair do armário em uma idade tão maravilhosa e bonita – você prova que nunca é tarde para sair das sombras e mostrar que a diversidade sexual anda de mãos dadas com a diversidade etária.” disse um usuário, segundo o Pink News.

POLÔNIA NÃO É UM AMBIENTE AMIGÁVEL PARA LGBTS

Foto: Reprodução

Segundo um artigo publicado por Vivian Kulpa no blog Brasileiras Pelo Mundo, a Polônia faz parte de um pequeno grupo da União Europeia que não tem alguma legislação para proteger os LGBTs.

Dados levantados pelo ILGA – Europe em 2016 apontam que a Polônia é um dos piores países da Europa para a comunidade, ficando a frente apenas da Lituânia e Letônia.

Por lá não é permitido nem mesmo a união estável dos homossexuais e muitos setores da sociedade são veementemente contra os direitos do LGBTs.

Por outro lado, há também as pessoas que lutam para que esse cenário mude, e por lá há o que chamam de Parada anual da Igualdade, o equivalente a nossa Parada do orgulho LGBTQIA+.

Quanto às já citadas “zonas livres da ideologia LGBT”, o Parlamento Europeu aprovou em dezembro de 2019 uma resolução que condena o discurso, argumentando que ele incita à discriminação contra minorias sexuais. O texto foi encaminhado a Varsóvia pedindo para que “revogue todas as resoluções”.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".