Como fazer a diversidade avançar dentro das organizações?

Apesar do tema "diversidade" ter ganhado relevância nos últimos anos, precisa-se fazer a pauta avançar, principalmente nas empresas nacionais

Por Tauan Mendonça

O debate sobre representatividade e diversidade cultural está cada vez mais presente no nosso dia a dia e não seria diferente no mundo corporativo. Criar ambientes de trabalho que sejam inclusivos, diversos e que representem a sociedade tal como ela é já se tornou uma demanda latente dentro das organizações. Mas, apesar do tema ter ganhado maior relevância nos últimos anos, precisamos fazer a pauta avançar, principalmente nas empresas nacionais que ainda estão muito atrasadas frente as organizações multinacionais.

A mais recente pesquisa sobre diversidade feita pela consultoria global McKinsey, nomeada como “Diversidade Importa”, aponta que empresas com maior diversidade de orientação sexual, gênero, raça, etnia e idade estão mais propensas a ter maiores retornos financeiros. Embora a correlação não seja igual a causalidade – ou seja, diversidade não se traduz automaticamente em lucro – indica que as empresas que se comprometem a ter uma liderança diversa conseguem recrutar os melhores talentos, manter os funcionários engajados e produtivos e aprimorar sua visão, orientação e atenção com os clientes.

Quanto maior a pluralidade de ideias e visões, mais fácil se torna entender a dor do seu cliente e se conectar com ele, construindo relacionamentos duradouros entre a marca e seus stakeholders. Tudo isso leva a um ciclo virtuoso que se traduz em mais resultados para a companhia.

Apesar da diversidade ser um dos caminhos mais promissores para ambientes de trabalho saudáveis e prósperos, ainda estamos muito aquém do desejado, principalmente na pauta de diversidade de gênero e orientação sexual. De modo generalista, as empresas nacionais estão bem atrasadas quando as comparamos com as multinacionais. Essa disparidade é resultado da nossa cultura paternalista, que acaba por se traduzir em preconceito.

A boa notícia é que algumas empresas já estão caminhando em direção à um ambiente mais justo e, nesse sentido, as organizações precisam aprimorar sua comunicação institucional para mostrar para o mercado como a cultura de inclusão está caminhando dentro da empresa. No quesito recrutamento, não podemos fazer nenhum tipo de distinção. A atração de talentos tem que visar encontrar os melhores profissionais. As políticas claras de inclusão acabam abrindo espaço para que o público LGBT se sinta seguro e acolhido em trabalhar dentro dessas organizações.

O grande problema é que quando a empresa não possui políticas claras e não constrói um ambiente de verdadeira inclusão, muitas vezes, o funcionário esconde sua orientação sexual e acaba por não incluir o parceiro no plano de saúde, o que é permitido por lei. Por medo de ser excluído e ridicularizado, ou receio de retaliação, esse profissional acaba não sendo ele mesmo dentro do ambiente profissional. E, nesse cenário, pergunto: como uma pessoa que não consegue assumir sua essência de ser humano poderá se dedicar e engajar verdadeiramente dentro de uma organização? Como ela conseguirá se desenvolver profissionalmente sem conseguir expor de fato todas suas habilidades, características e aspectos comportamentais?

É preciso estruturar políticas contra o assédio moral, ter canais seguros de denúncia no RH para que qualquer funcionário que perceber ou identificar situações de preconceito possa se manifestar e, principalmente, ter uma liderança verdadeiramente preocupada com ambientes inclusivos. Os líderes são catalizadores desse ambiente aberto, produtivo, eficiente e são eles também que vão assegurar o respeito entre os colaboradores.

Para que a pauta da diversidade e inclusão LGBT avance dentro das organizações é preciso que o RH se emprenhe verdadeiramente em tornar isso uma meta para os próximos anos. Sem dúvida, estamos caminhando, mas é válido manter o assunto em alta, debatermos de maneira constante e principalmente lembrarmos que, apesar de termos avançado muito, o caminho ainda é longo.

Tauan Mendonça é advogado especializado em Gestão de Negócios e sócio da VITTORE Partners, consultoria de recrutamento especializada nos mercados Jurídico, Tributário, Compliance e Relações Governamentais.

 Sobre a VITTORE Partners

Consultoria boutique no recrutamento especializado nas áreas Jurídicas, Tributárias, Compliance e Relações Governamentais. A empresa nasceu em outubro de 2013, com a missão de ser os olhos de seus clientes no mercado e, sendo assim, tornar-se uma profunda conhecedora das movimentações em suas áreas de especialização. A VITTORE tem como foco principal o recrutamento para cargos de top management, sendo posições em níveis de gerência, diretoria e vice-presidência.