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A noite LGBT+ paulistana é repleta de histórias curiosas e passagens marcantes, muito em função das badaladas casas noturnas nas décadas de setenta e oitenta. Resgatando memórias da gay nightlife, é impossível não mencionar a importância de nomes como o da empresária Elisa Mascaro (1940-2019), proprietária de três das mais prestigiadas boates da época: K-7, Medieval e Corintho.

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Crédito: São Paulo em Hi-Fi

Cronologicamente, em 1971, Mascaro fundou em São Paulo a Medieval, considerada o primeiro point para os gays. A K-7 também emergiu nos anos setenta, porém era um espaço pequeno, ainda assim vivia sofrendo “batidas” da polícia motivadas por intolerância. Em 1985, surgiu a Corintho, que assim como a Medieval, se tornaram locais lendários, uma espécie de Studio 54 gay (que ao contrário da americana, não barrava ninguém na entrada) e que marcou uma geração que saia para dançar, se divertir e paquerar.

A Medieval tinha uma decoração inspirada nos castelos. Era “chique” e também cara, com shows notáveis de travestis e transformistas, atraindo até mesmo quem não era LGBT. As festas temáticas eram um acontecimento, todo mundo queria ver e ser visto ali. As casas noturnas da época investiam pesado em espetáculos, inspirados nas produções francesas com dançarinos e uma figura glamourosa com figurinos de gala.

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Reprodução

A Medieval fechou as portas em 1984 e no ano seguinte a Corintho entrou em cena. Localizada em Moema, há quem diga que a Corintho fez mais sucesso que a sua antecessora – de fato, a casa era enorme e possuía uma grande pista de dança, que lotava e entoava o som dos principais hits da época. Fabulosas festas à fantasia, de carnaval e Réveillon se tornaram memoráveis para quem viveu aquele tempo.

A figura de Elisa Mascaro vai muito além do lado empresarial, ela era “a mãe que todo gay gostaria de ter” e fez muito mais do que dar emprego de carteira assinada para transformistas, algo inédito na época. A empresária quebrou tabus: no ápice da epidemia dE HIV, nos anos oitenta, importou remédios dos Estados Unidos para ajudar amigos que haviam testado positivo. Também fez sepultamentos, já que familiares preferiram ignorar.

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Crédito: São Paulo em Hi-Fi

Tanto a Medieval como a Corintho guardam histórias divertidas, algumas já reveladas no documentário “São Paulo em Hi-Fi”, de Lufe Steffens. Personalidades conhecidas da noite paulistana, faziam de tudo para aparecer no sentido literal da palavra, valia tudo, desde chegar sobre um elefante ou dentro de um caixão de vidro. Famosos também frequentaram as boates, como Chiquinho Scarpa, Wanderléa, Elke Maravilha, Clodovil e vários outros artistas.

A drag queen Kaká di Polly se recorda com carinho da amiga empresária e suas casas noturnas: “A Medieval era um sonho. Todos os gays tinham um lugar para curtir, se divertir, assistir shows maravilhosos. Eles tinham festas que paravam a rua inteira e tudo era incrível. A Corintho foi um sonho também, tinha espetáculos divinos que, às vezes, ficavam em cartaz durante um ano ou mais. A Elisa era uma mãe pra mim, uma pessoa que eu amava. Eu era uma das únicas pessoas que saía com a Elisa pra cima e pra baixo, senti muito a perda dela. Eu tenho muito amor quando falo o nome Elisa Mascaro”, contou di Polly durante a criação deste artigo.

Foram mais de 20 anos dedicados a oferecer entretenimento para a comunidade gay, quando a ditadura militar ainda persistia. Em um dos espaços que chegava a receber 2 mil pessoas, Mascaro proporcionava um espetáculo único, com apresentações memoráveis de artistas da cena gay. A figura icônica de Elisa Mascaro frente aos seus empreendimentos colaborou para popularizar a arte transformista, dando espaço para quem não tinha.

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Crédito: São Paulo em Hi-Fi

Viúva, Mascaro teve que lidar ainda com a perda do filho em 1991, optando por se afastar da noite e passando temporadas no exterior. Sua vida rendeu uma biografia, intitulada: “Elisa Mascaro – A empresária dos espetáculos das noites de São Paulo”, de Marcelo Bértoli. Elisa Mascaro morreu aos 78 anos em 2019, vítima de câncer.

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