A Costa Rica é o primeiro país da América Central a aceitar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A informação é de uma matéria do jornal El País, que aproveitou a ocasião para fazer uma homenagem a Chavela Vargas (1919-2012), cantora nascida no país que se revelou lésbica oficialmente aos 81 anos em sua biografia “And If You Want to Know About My Past”.

“Foram muitas ocasiões em que Chavela Vargas reclamou de seu país natal. Dizia que a Costa Rica a ‘afogava’, que a liberdade tinha que ser buscada fora e que sua vida começou quando saiu da América Central e foi para o México” – diz a matéria.

As duas primeiras mulheres a se casarem foram Dunia Araya e Alexandra Queirós, que celebraram a união na última terça-feira, dia 26 de maio. A cerimônia foi transmitida ao vivo pela campanha “Sim, Aceito Costa Rica”.

Quanto a lei, a Câmara Constitucional do Supremo Tribunal de Justiça declarou, em 2018, que era inconstitucional a proibição do casamento homo afetivo, e deu um prazo de 18 meses para a Assembleia Legislativa para legislar sobre o assunto. A decisão vai de encontro a Corte Interamericana de Direitos Humanos, que em janeiro do ano citado determinou que os homossexuais deveriam ter os mesmos direitos matrimoniais dos héteros.

Assim como acontece no Brasil, alguns conservadores e evangélicos não ficaram satisfeitos com a decisão. A deputada Nidia Céspedes publicou um vídeo nas redes sociais (via Cláudia) dizendo que este “é um dia triste para a família tradicional da Costa Rica (…) A entrada em vigor do casamento igualitário atinge a alma de gerações de costarriquenhos, que lançaram as bases de um grande país ligado à família e à vida”.

Já durante a transmissão da já citada “Sim, Aceito Costa Rica”, personalidades internacionais cumprimentaram o casamento e parabenizaram a mudança legislativa. A cantora espanhola Mónica Naranjo disse que a mudança “fará com que outros países do continente sigam o mesmo caminho”, enquanto a mexicana Lila Downs disse “estamos progredindo, humanizando-nos com ações como essa”. 

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".