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O policial Henrique Harrison, que recentemente ganhou uma ação na justiça contra o tenente-coronel Ivon Correa por declarações homofóbicas deste último, comunica que pretende lançar um set de músicas com uma hora e vinte de duração no próximo dia 3 de dezembro, tanto no SoundCloud quanto no YouTube, a partir das 20h.

Harrison apostará no estilo tribal house music com influência Guaracha, estilo musical cubano e eletrônico.

“Antes de me tornar policial militar, era DJ, sempre toquei na cena LGBT, viajava bastante levando energia pelo país, dessa vez precisei dessa energia de volta, foi terapêutico e renovador”, diz o policial.

A ideia de realizar o set veio pela visibilidade perante os últimos acontecimentos, já que no meio de tantos problemas com a PMDF, ele pelo menos teve sua “voz ampliada”, e agora Harrison quer utilizá-la o “máximo o possível” para ajudar quem precisa.

“Aprendi os pilares de ser um policial militar: não julgo, não sou juiz. Ajudo, dou suporte, faço meu papel na garantia dos direitos humanos e sou policial 24 horas. Ser policial é mais abrangente do que pensam, a PMDF sabe bem disso quando usa de seu lema muito mais que segurança”, disse

O PM vai utilizar frases conhecidas do capitão nascimento, do filme Tropa de Elite em seu trabalho como “O sistema é f0d4”, “Para as coisas melhorarem vai demorar muito tempo”, e “é por isso que em Brasilia acontece tantos escândalos”.

O Wagner Moura é um personagem simbólico para os que tentam trabalhar de forma correta dentro de um sistema fechado para práticas pre estabelecidas.

“Antes de pensar em ser policial, eu assisti ao filme Tropa de Elite e admirava o quanto ele [Capitão Nascimento, personagem de Wagner Moura] se sacrificava para fazer o certo, estava com estresse muito grande, perdeu o casamento, problemas com ansiedade. E cheguei a me perguntar se valia a pena enfrentar tudo tento tantas perdas ao seu redor, hoje eu entendo, quando temos em nós a necessidade de fazer um bem maior, efeitos colaterais são inevitáveis, mas é destino, não tem como fugir dele”

Wagner Moura no papel de capitão nascimento no filme tropa de elite (Foto: Reprodução)

O trabalho audiovisual é uma prática comum dos DJs do cenário eletrônico, mas Harrison nunca tinha visto nenhum que visasse explorar as belezas de Brasília. Foi aí que ele procurou explorar, ao máximo, os pontos turísticos de Brasília, exibindo no vídeo também a diversidade, mas nunca apelando para a lascívia.

“Não há nada de apelativo no video, é uma representação de amor. A cidade é de todos e é importante lembrar que nós [LGBTQIA+] fazemos parte da historia de Brasília”, disse.

Harrison disse que o projeto não teve patrocínio e nem tem objetivo para lucrar. Houve até uma tentativa de parceria, mas o PM diz que eles tiveram receio de alguma represália da Polícia Militar.

O projeto não teve patrocínio e também não objetiva o lucro. Harrison até tentou apoio de alguns estabelecimentos, que se mostraram disponíveis, mas tiveram medo de alguma represália da polícia militar por conta do apoio, ele queria um projeto maior.

“É muito triste ver que o medo que os agentes da corporação quando iniciaram procedimentos contra mim, tentam me punir, reflete no medo de possíveis apoiadores da causa LGBTQIAP+, é isso que pouca gente percebe, o quanto perdemos por apenas sermos quem somos, o poder da Policia é muito grande, ela deveria nos apoiar.”, disse

O projeto estar disponível no Youtube e SoundCloud dia 3 de Dezembro as 20H.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"