O Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, iniciou no último dia 29 de junho, a primeira campanha de doação de sangue para que os LGBTQIA+ façam sua contribuição, sendo a primeira da história. A iniciativa é promovida pela Secretaria de Estados de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, e surge logo após a derrubada das medidas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que proibiam a doação de sangue.

Parte da fachada do hospital recebeu uma bandeira com cores do arco-íris Foto: Divulgação/SEDSODH
Parte da fachada do hospital recebeu uma bandeira com cores do arco-íris Foto: Divulgação/SEDSODH

Segundo informações apuradas pelo Extra, o primeiro dia registrou excelentes números; no planejamento original, seriam atendidas 20 pessoas, sob agendamento, em respeito às medidas de segurança. No entanto, às 15h, 38 pessoas já haviam doado.

O superintendente de políticas LGBTI, Ernane Alexandre, integrante do movimento Rio Sem Homofobia, abriu a campanha e também doou seu sangue.

“Tenho 15 anos dentro do movimento social, para mim, como superintendente, e para nós, no geral, essa decisão do STF e quebra de portaria da Anvisa foi uma mudança de paradigma. Hoje, poder doar é mais um direito que é garantido ao público LGBT. E já são tantos direitos não compreendidos ou não facilitados para essa população” – disse.

“Que a gente possa aproveitar isso e fazer valer nosso direito de doar. Principalmente neste período de pandemia do Covid-19, em que estão muito baixos os estoques de sangue. Eu mesmo doei e fique feliz demais com os 150ml” – comemora.

Já a presidente do Grupo Pela Vidda, Maria Eduarda Aguiar, também aproveitou a oportunidade para doar sangue, sendo a primeira trans a fazê-lo.

“Eu vejo como uma vitória fundamental. Temos um déficit nos bancos de sangue e é uma demanda constante. A quantidade de material que se perdia pelo preconceito por orientação sexual ou identidade de gênero era um absurdo. Não importava se você tivesse um parceiro fixo há dez anos ou mais, ou se tivesse filho. Na verdade, o que se leva em consideração hoje é a prática e conduta sexual da pessoa. Isso é um critério mais isonômico, que é para todos. Os bancos de sangues fazem testes periódicos mais de uma vez. Não era plausível a restrição pela pessoa ser homossexual ou travesti” – diz Maria Eduarda.

Para realizar a doação de sangue, é necessário que a pessoa leve um documento original com foto e tenha entre 16 e 69 anos. Além disso, o peso mínimo é de 50kgs, não estar em jejum, evitar alimentos gordurosos três horas antes e ter dormido por, pelo menos, seis horas. Usuários de drogas injetáveis, portadores de HIV, Hepatite B ou C ou Doença de Chagas não podem dar sangue.

Locais para doação na campanha:

Rio de Janeiro

  • Data: 29 de junho a 3 de julho
  • Horário: 8h às 15h
  • Local: Banco de Sangue Herbert de Souza – Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE)
  • Endereço: Boulevard Vinte e Oito de Setembro 109 – Vila Isabel – Rio de Janeiro
  • Agendamento: (21) 2868 8134.

Barra Mansa

  • Data: 29 de junho
  • Horário: 7h às 11h
  • Local: Banco de Sangue da Santa Casa de Barra Mansa
  • Endereço: Rua Pinto Ribeiro 205 (anexo à Santa Casa)
  • Agendamento: (24) 3323-1918

Volta Redonda

  • Data: 30 de junho a 3 de julho
  • Horário: 7h às 13h
  • Local: Hospital São João Batista
  • Endereço: Rua Nossa Senhora das Graças 235 – Colina
  • Agendamento: (24) 3339-4242

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".