De acordo com uma pesquisa feita pelo Hornet, um terço dos homens gays e bissexuais dizem se sentirem vulneráveis em casa durante a pandemia do coronavírus, relatando impactos em sua saúde mental.

A pesquisa foi feita com 3.500 homens, incluindo os trans, que dizem se sentirem inseguros dentro de suas próprias casas, especialmente aqueles que possuem famílias que não lidam bem com questões LGBT.

“Pense em como é ter 21 anos e viver com uma família que não apoia e constantemente o pressiona a casar com uma mulher. Temos que nos desafiar a pensar em como apoiar as pessoas em ambientes onde elas se sentem inseguras” diz Alex Garner, estrategista sênior de inovação em saúde da Hornet.

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A quarentena colocou bilhões de pessoas em casa, e consequentemente leva a um aumento do abuso doméstico, independente de gênero ou orientação sexual. No entanto, há uma pressão particular sobre as pessoas LGBTQIA+ nas famílias mais conservadoras.

Apesar disso, Garner se demonstra otimista pela mobilização da comunidade, fazendo uma analogia durante a pandemia do HIV/AIDS nos anos de 1980 e 1990.

“Homens gays e bissexuais têm as habilidades necessárias para superar isso, mas precisamos priorizar a saúde mental de nossa comunidade LGBTQ”

A pesquisa foi feita através de um questionário enviado para os 30 milhões de usuários da rede social em todo o mundo. 18% das respostas vieram do Brasil, 10% da França e Rússia, e 9% da Turquia. 72% disseram que os bloqueios afetaram a saúde mental, aumentando a ansiedade, e 24% dizem que se sentem solitários.

O co-fundador da PrEPster, Will Nutland, organização britânica de saúde sexual LGBTI+, disse que os problemas de saúde mental só aparecerão depois que as restrições forem levantadas.

“Se pensarmos que temos problemas de saúde mental agora, espere até o fim do bloqueio. Veremos transtornos de estresse pós-traumáticos, não apenas da comunidade LGBTI+, mas da sociedade como um todo. As consequências disso serão enormes.”

Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".