O app Dandarah alcançou um total de 7.168 usuários em menos de dois meses de atividades – ele foi lançado no último dia 18 de dezembro. Ao todo, 23 países estão fazendo uso do aplicativo idealizado a partir do Projeto Resistência Arco-Íris, da ENSP – FIOCRUZ em parceria com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT).

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O aplicativo propõe um ecossistema digital para facilitar à população LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, mulheres transexuais, homens trans e intersexos) se informar, denunciar, registrar, enfrentar e evitar diversas formas de violência às quais essa população está sujeita.

App Dandarah registra mais de sete mil usuários em menos de dois meses de lançamento
Foto: reprodução

Os estados com mais usuários são Rio de Janeiro (1.200), São Paulo (976) e Ceará (414). Uma média de 2,3 mil pessoas cadastraram contatos de emergência através do botão de pânico que, quando acionado, envia imediatamente para três pessoas previamente cadastradas pelo usuário, uma mensagem informando que ele (a) se encontra em situação de risco. Por enquanto, o botão de pânico e o mapa de locais seguros ou que devem ser evitados ainda estão em processo de aperfeiçoamento. Todos os usuários cadastrados no app receberão um aviso sobre a normalidade desses recursos. Até o momento, o app recebeu 23 denúncias de violência LGBTIfóbica.

Angélica Baptista, especialista em saúde digital e que também é uma das pesquisadoras do projeto Resistência Arco-Íris, avalia que a adesão ao app é satisfatória. “Vivemos um momento em que 99% das pessoas não se sentem seguras no país. Oferecer um meio delas poderem comunicar as violências que sofrem e indicar os locais em que se sentem seguras ou não, foi nosso objetivo na hora de desenvolver o Dandarah”.

Aplicativo Dandarah, da Fiocruz. Foto: Maiza Santos
Aplicativo Dandarah, da Fiocruz. Foto: Maiza Santos

Violência no Brasil

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais – ANTRA divulgou um dado alarmante para o primeiro mês de 2020: o aumento de 180% dos casos de assassinatos de pessoas T. No mesmo período em 2019, foram cinco casos, contra 14 deste ano. Os estados que mais acumulam casos de crimes são o Rio Grande do Sul, Paraná, Ceará e Rio de Janeiro, com dois casos cada. Em seguida vem Pernambuco, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Bahia e Roraima, com um em cada. O Brasil continua sendo o país que mais mata travestis e transexuais no mundo há dez anos consecutivos e é um dos mais violentos para pessoas LGBTI em geral. Há ainda uma dificuldade em realizar registros de denúncias e a efetiva a participação da população em ações pensadas para o enfrentamento da violência LGBTIfóbica.

Dados do Dossiê dos Assassinatos de Pessoas Trans Brasileiras, desenvolvido pela ANTRA, mostram que, manipulações nos usos de dados passam a ideia de que o número de assassinatos de pessoas trans caiu em 2019 por ações do Estado. Em 2019 São Paulo foi o estado que mais teve casos de assassinatos, com um aumento de 66% em relação a 2018. Ceará, Bahia e Rio de Janeiro vêm logo atrás com os índices de crimes contra a população trans. Um dado alarmante é que, a cada ano, a idade das vítimas é menor. No ano passado houve vítimas de 15 anos. 82% são mulheres negras. Travestis e mulheres trans são 98% dos casos. Uma pesquisa inédita realizada pela ANTRA revela que 99% das pessoas LGBTI não se sentem seguras no Brasil.

De acordo com Bruna Benevides, autora do Dossiê da ANTRA, o aumento se dá, também, pela falta de ações por parte do Estado: “a relação entre a falta de ações do poder público e o aumento da violência, assim como a impunidade e dificuldade de identificação dos agressores/assassinos e a dificuldade ou negação para o enquadramento na lei do racismo, a partir do entendimento do STF, impacta no aumento desses números que estamos apresentando”, diz. Vale ressaltar que não existem dados governamentais e que a ANTRA faz a pesquisa com casos divulgados na mídia.

O Dandarah foi batizado em homenagem à travesti Dandara Ketlyn– assassinada brutalmente em 2017, no Ceará. O app está disponível, na versão Beta, na Play Store. Em breve também estará na App Store.

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