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Ele poderia facilmente assinar um daqueles ensaios famosos como modelo internacional que a gente vê por aí. Beleza é o que não falta para Max Deeds, esse galês que ganhou fama tirando a roupa em frente às câmeras e transando com belas mulheres em pomposas produções europeias.

Ainda que seja muito bem pago para isso, diz Max que o trabalho não é pelo dinheiro. É pela exposição. Isso mesmo. Ele gosta de ser visto e quer ser reconhecido pelo seu trabalho no pornô e também fora dele – atualmente, o rapaz é dono de uma grife de roupas.

Nessa entrevista exclusiva à coluna Inside Porn, o jovem do País de Gales fala dos desafios de ser um ator pornô em plena era da internet, da adolescência como o patinho feio da escola e até de uma série de TV sobre sexo de sua autoria que quer um dia publicar.

Max Deeds
Max Deeds – Reprodução

Se a gente digitar Max Deeds agora no Google vai se surpreender com o que encontra por lá?

Olha, acho que sim. Mas sou mais bonito nos filmes do que pessoalmente. Sou baixinho, tenho mais ou menos 1,70 cm e, em dias de sorte, pareço mais alto. Pelo Google não vai dar pra sentir, mas meu cheiro é Paco Rabanne misturado com aquele cheiro natural que todo homem tem, que as pessoas sentem quando estão perto de mim. Dizem que tenho cheiro de macho. Então se você já deu um Google, vai saber que sou um dos novos rostos do pornô britânico.

Não é todo dia que se vê um ator pornô do País de Gales e também sem aquele estereótipo que o senso comum constrói para um profissional do cinema adulto…

Verdade. E eu vivo no País de Gales, em uma pequena cidade chamada Newport, com pouco mais de 170 mil habitantes. Acho que as pessoas me reconhecem, mas são tímidas demais para me abordar na rua. Quando vou a cidades maiores, como Birmingham ou até mesmo a Londres, ninguém me aborda, mas sinto o peso dos olhares. Deve ser engraçado o que passa na cabeça delas. Se me reconhecem é porque me assistiram em momentos bem íntimos e fazendo algo que elas não querem que eu saiba (risos). Mas queria dizer que podem falar comigo sem problemas. Vou adorar.

Max Deeds
Max Deeds – Reprodução

Verdade que você é muito tímido?

Já fui mais. Inclusive, estou solteiro e, pra falar a verdade, não estou procurando ninguém. Deve ter um pouco a ver com a timidez. Sou o mais jovem de quatro irmãos – duas garotas e dois meninos. Eu sempre fui aquele tipo magrelo e baixinho na escola e não era lá tão brilhante, sabe? Tinha um interesse especial em ciências e em física, mas não passava disso. Na adolescência, eu tinha muito interesse por carros, amava os da Volkswagen. Amo como as pessoas conseguem modificar e consertar essas máquinas. Nem sobrava tempo para me interessar pelas garotas. Cresci com pouco ou com quase nenhum interesse por elas, acho que pela magreza e o jeito estranho que eu tinha, vai saber. Sempre ouvia a mesma coisa. “Eu gosto de você, mas como um irmão”, elas gostavam de repetir. O tempo passou e eu perdi minha virgindade aos 18 anos, mas, obviamente, eu nem sabia o que estava fazendo.

E o assédio por parte do público masculino? Eles também te veem como um irmão?

Risos. Olha, eu sou muito paquerado pelos gays e héteros também, acreditem. Esse negócio do pornô pra mim não é só pelo dinheiro, mas pelo orgulho que tenho pelo meu trabalho. Então, eu nunca toparia, por exemplo, ser garoto de programa porque é algo do qual eu não me orgulharia de fazer. Mas ganho muitos presentes dos fãs e das pessoas que apreciam o que eu faço. Gosto disso, das pessoas que mal me conhecem e compram presentes bem caros. Tomo também como um reconhecimento. Outro dia ganhei de um fã um relógio da Armani de 400 libras.

Max Deeds
Max Deeds – Reprodução

E como você passou de um garoto estranho para essa pinta de modelo internacional?

Quando completei 17 anos, comecei a frequentar a academia e ficar um pouquinho mais bonito graças ao ganho de massa muscular. Passei a chamar atenção das mesmas meninas que me excluíam antes, vejam só como é a vida… Então não deixei mais de ir. Minha rotina de malhação mudou recentemente. Agora vou cinco dias na semana e descanso sábado e domingo. Eu queria comer de forma mais saudável e acho que se investisse nisso estaria em melhor forma agora. Mas sou sortudo, tenho uma boa genética.

No pornô hétero tamanho importa?

Não vou dizer que sou dotadão, mas estou acima da média, pelo que percebo e dizem. As pessoas que dizem que tamanho não importa estão mentindo. Importa sim. Toda mulher que eu já transei, fora e dentro da indústria pornô, diz que prefere os maiores, mas nem tão grandes assim. Mas pela minha experiência pessoal e agora profissional, percebo que elas preferem os mais grossos aos mais longos. Sexo é importante pra mim. Particularmente, o sexo que faço é bem diferente do que vocês veem nos filmes. Eu sou mais apaixonado e intimista é algo que reservo para quando há sentimento. Gosto de ter essa conexão com a pessoa. É mais que uma foda. O restante, o meu trabalho se encarrega de mostrar.

A barba é um elemento que os diretores cada vez mais têm permitido. Você gosta?

Já me pediram para fazer a barba em três ocasiões por causa do trabalho, já que queriam que eu parecesse mais jovem para a cena. Eu adoro minha barba. É parte de quem eu sou e acho que cai perfeitamente em mim. Não é algo que tenho como moda, eu me sinto confortável com ela.

Max Deeds
Max Deeds – Reprodução

Como foi sua carreira como modelo?

Trabalhei por dois anos como modelo antes de entrar no pornô. Já fiz várias campanhas para marcas de roupas e alguns comerciais e ensaios fotográficos, para outdoors e até para condomínios de luxo. Ainda modelo de vez em quando, mas não tanto quanto antes. Mas gostaria de voltar a modelar e investir mais nisso. Tenho paixão pelo mundo da moda. Uma amiga minha modelo me convidou uma vez para uma sessão de fotos com ela porque precisava de um casal para o portfólio. Claro que topei. E foi aí que fiquei conhecido como modelo. Desde esse episódio, já fotografei para diferentes profissionais para trabalhos privados e para comerciais, de cueca ou como pai de família. Acho que fico bem como pai de família…

De pai de família para o predador galês do pornô…

Foi rápida a transição. Minha carreira no pornô começou quando um amigo me convidou por meio de uma rede social se eu estava interessado em transar em frente às câmeras. Ele conhecia uma atriz pornô e poderia me colocar em contato. Me mostrei interessado e fui convidado para um teste. Uma coisa que nunca vou me esquecer é que o preço da viagem de trem – ida e volta – era exatamente tudo o que eu tinha no bolso (79 libras, pouco menos de R$ 700 reais). Resolvi investir nisso. Quando cheguei lá, eles já me perguntaram se eu tinha um nome artístico. Eu não consegui pensar em nada, exceto que em um dos meus ensaios como modelo um fotógrafo me disse que eu parecia o Russel Crowe no filme O Gladiador Maximus Decimus. E foi aí, no susto, que Max Deeds nasceu. Atualmente, faço diversas cenas, uma diferente da outra. Acabei de finalizar o capítulo seis de uma série pornô que estou escrevendo e que adoraria colocar nas mãos de um produtor para ver o que acontece.

Max Deeds
Max Deeds – Reprodução

E como tem sido a aceitação de sua figura na indústria pornográfica?

Como eu disse, o tempo voa. Estou na indústria pornô há cinco anos e, até aqui, eu não ganhei nenhum prêmio, mas estive envolvido em filmes que foram premiados. Também não fui indicado a nenhum prêmio e é óbvio que essa é uma experiência pela qual eu quero passar, mas, de novo, espero que seja uma questão de tempo. Eu sei que existem caras muito bons nesse mercado e eu tenho a humildade em reconhecer que, a cada nova cena, eu aprendo um pouco mais. Tenho orgulho do trabalho que desenvolvo. Acho que por isso é tão difícil escolher uma cena ou filme favorito, mas arriscaria dizer que gostei muito de The Invitation, que gravei com a Sienna Day para a Joyber, e The Girlfriend Material, para a Daring, que contracenei com Julia de Lucia.

O que tem em mente para o futuro?

Meus planos para o futuro, eu acho, são apenas continuar trabalhando duro e cuidando da minha carreira com seriedade. Eu não faço pornô apenas pelo sexo com mulheres bonitas ou pelo dinheiro, mas, como disse, pelo orgulho que sinto em me ver atuando. Eu tenho sido reconhecido no Reino Unido como uma das novas facetas do pornô daqui e meu perfil é bastante requisitado para alguns tipos específicos, como o soft porn, que eu pessoalmente acho exigir bastante atuação e controle. Gosto de ter controle das coisas. Acho que quando você tem controle e é requisitado isso mostra que você está fazendo algo certo e que está no topo daquilo que faz. Eventualmente, é claro, eu queria investir mais em atuação, trabalhar como ator além do pornô, e eu acho que esse vai ser meu grande próximo passo.

Max Deeds
Max Deeds – Reprodução

Os homens têm sido mais valorizados no pornô?

Se você pensar em dinheiro, que somos pagos por hora trabalhada, então é bom. Mas se você levar em conta a diferença de cachê para mulheres e homens, então, é bastante injusto. Em alguns casos, eu mesmo já vi atrizes recebendo mais que o dobro do homem para fazer exatamente a mesma cena. Diria que 80% das vezes o homem faz a maior parte do trabalho e tem toda aquela pressão de manter o controle da cena e a ereção. Uma atriz pornô pode fingir que está excitada enquanto os homens não podem. Eu entendo a razão pela qual as mulheres são melhores remuneradas e tem a ver com a demanda. As pessoas que assistem pornô ainda querem ver as garotas, não os garotos e essa procura valoriza o passe delas.

E ainda tem a questão da proteção. Você se sente seguro?

Eu já filmei para duas empresas que exigiram o uso da camisinha – uma delas era americana e a outra, francesa. É claro que isso faz o nosso trabalho mil vezes mais difícil, mas entendo que essas são regras e fico feliz que no Reino Unido a gente não tem essa obrigação. Eu me sinto seguro porque todo mundo faz testes o tempo todo. E aqui a comunidade que filma pornô é bem pequena. Todo mundo conhece todo mundo ou já filmou com alguém. Se tiver algum problema, certamente saberíamos de onde veio. E além do mais, eu nunca contraí nenhuma doença.

Você disse que gosta de soft porn e está escrevendo o roteiro de uma série. Pensa em trocar de lado, ou seja, deixar de atuar para ser roteirista ou diretor?

Ponto chave. Minhas cenas favoritas são mesmo as grandes produções, com história a ser contada e com muito texto para trabalhar. Eu gosto dessas cenas porque atuar é algo que eu me vejo bastante e quero investir. Já a minha posição favorita depende da situação. Se for filmando, eu gosto de quatro, já que é mais fácil para filmar, porque a câmera pode ver toda a ação. Na vida pessoal, eu gosto de papai e mamãe porque eu adoro olhar nos olhos de que estou transando porque me conecto completamente. Gosto das garotas com descendência ou que pareçam espanholas. Elas são tão apaixonadas e gostosas, estão sempre sorrindo. Veja Julia de Lucia como um exemplo. E sobre ser diretor, bem… acho que conhecendo todos os ângulos e preferências, talvez seja um grande passo a ser dado.

Mas antes, por favor, tire essa série do papel. Estamos curiosos.

Pode deixar! Eu gosto de me manter ativo e aprender coisas novas. Espero que a série que escrevo saia um dia do papel e que vocês conheçam um lado do Max além do pornô. Por falar nisso, conheçam a Deeds Apparel (deedsapparel.com), minha marca de roupas lançada com essa minha experiência e olhar da moda. Sempre disse que meu trabalho favorito não é exatamente um trabalho, mas é ser demandado, requisitado e reconhecido. E uma coisa que eu sempre lembro e vivo com isso é que todo dia na nossa vida é muito curto para respostas negativas ou duvidosas. Diga sempre sim e caia de cabeça. Se não funcionar, aprenda a lição e nunca desista.

Twitter: @max_deeds
Onlyfans: @max_deeds
Instagram: @max_deeds_official

Max Deeds
Max Deeds – Reprodução

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