Neste final de semana, nos dias 26, 27 e 28 junho, o TOKKA Festival fará uma edição virtual para angariar fundos para o Coletivo Arouchianos, associação que trabalha com assistência para pessoas em situação de vulnerabilidade na região central de São Paulo.

TOKKA Festival fará live beneficente em prol do Coletivo Arouchianos
Reprodução

Com as atrações Etcetera, From House to Disco, Tríade DJs, Ricardo Goii, Pedro Gariani, a carioca Carol Legally e os mineirinhos Gustavo Bezzi, Babi Deejay e Alex Bonno, a transmissão pretende arrecadar o equivalente a 237 cestas básicas para a população.

Serviço:

TOKKA Live+ Festival
26, 27 e 28 de junho

Dia 26: a partir das 21 horas
Dia 27: a partir das 21 horas
Dia 28: a partir das 16 horas
Onde assistir: youtube.com/tokkatv
Onde fazer doação: ingresse.com/tokkalive
Realização: Haute, Efeito e Ingresse

AROUCHE, PATRIMÔNIO LGBT+

A região do Largo do Arouche (zona que fica dentro das Avenidas Duque de Caxias, São João, Ipiranga e Ruas da Consolação e Amaral Gurgel, no centro de São Paulo) é ocupada há pelo menos 50 anos pela comunidade LGBT+.

Os registros oficiais que levam a identificar esta ocupação são por parte das forças de segurança do Estado que, historicamente, reprimiam (e ainda reprimem) a comunidade. O jornal O Lampião também deixou registrado na história as perseguições por parte do Estado contra a comunidade LGBT+ durante os anos de 1970 e 1980.

Segundo conta o livro Ditadura e Homossexualidades, organizado por James N. Green e Renan Quinalha, no início dos anos de 1970 a polícia civil passou a fazer rondas para reprimir a ‘criminalidade’ nas grandes cidades por meio de blitz. Assim, apreendiam LGBT+ nas ruas sob a justificativa de averiguação (naquela época, havia uma lei contra a “vadiagem”, que era usada como motivação para deter quem não era heterossexual).

A partir de 1976, a polícia civil de São Paulo passou perseguir travestis. Segundo o Coletivo Arouchianos, o delegado Guido Fonseca, responsável por uma pesquisa em criminologia envolvendo pessoas que ele considerava “pervertidas”, determinou, então, que toda travesti devia ser levada à delegacia para que fosse fichada e tivesse registro em foto “para que os juízes pudessem avaliar seu grau de periculosidade”.

Além da repressão oficial, as décadas de 1970 e 1980 testemunharam uma onda de assassinatos brutais de LGBT+, algumas delas bastante conhecidas, como o diretor de teatro Luíz Antônio Martinez Corrêa, irmão de Zé Celso. Na praça da República, aconteceram ataques homofóbicos em que um deles a artista e ativista LGBT+ Renata Perón, perdeu um dos rins por conta das agressões físicas sofridas.

Em 1987, a polícia deu início à “Operação Tarântula”, cujo objetivo principal era prender travestis que se prostituíam na região. Apesar de a operação ter sido suspensa pouco tempo depois, travestis passaram a ser assassinadas misteriosamente, a tiros.

Além da suspeita, que recaiu sobre policiais, houve desconfiança da ação de grupos homotransfóbicos que se manifestavam abertamente e, não raro, a própria população era favorável à matança como uma forma de “higienização” das ruas da cidade. Declarações mostradas no documentário Temporada de Caça, dirigido e produzido por Rita Moreira, dão a dimensão de como o ódio generalizado predominava na sociedade e, de certa forma, sancionava uma verdadeira caçada às minorias sexuais.

Conhecer esse período tenebroso da história brasileira é importante para se analisar novas movimentações semelhantes de ataques à comunidade LGBTs – que podem começar como uma simples defesa à liberdade de expressão e ao direito de “não gostar de homossexuais”. A linha entre a livre manifestação de um ponto de vista preconceituoso e a ação pode ser mais tênue do que se imagina.

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