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Em Goiânia (GO), a Polícia Civil instaurou um inquérito, na última quarta-feira (6), para investigar quatro vereadores da cidade por homofobia. De acordo com a investigação, eles são suspeitos de falarem frases preconceituosas durante uma sessão da Câmara Municipal, em meio a uma discussão sobre propaganda de uma rede de fast food, em junho deste ano, que celebrava o Dia Internacional do Orgulho Gay. As informações são do site G1.

Segundo a Polícia, os comentários foram manifestados no dia 29 de junho, no plenário. Os vereadores investigados são: Cabo Senna (Patriota), Sargento Novandir (Republicanos), Gabriela Rodart (DC) e Thialu Guiotti (Avante). Ao G1, a Câmara Municipal de Goiânia informou que “ainda não foi notificada ou citada no âmbito ou em decorrência do inquérito”.

O G1 também  entrou em contato com o vereador Cabo Senna (Patriota), que disse que não irá se pronunciar até ser intimado. Já o Sargento Novandir (Republicanos), não respondeu às mensagens enviadas pelo portal. A vereadora Gabriela Rodart (DC) disse que “é uma honra ser processada por defender o direito natural e a doutrina da Igreja Católica, ainda sob protestos daqueles que negam a verdade”. Thialu Guiotti (Avante) também respondeu, e falou que “não existe ofensa a ninguém”.

Cabo Senna, Sargento Novandir, Gabriela Rodart e Thialu Guiotti são investigados por homofobia (Foto: Reprodução)

O inquérito foi instaurado pelo Grupo Especializado no Atendimento à Vítima de Crimes Raciais e de Intolerância (Geacri). De acordo com o delegado, Joaquim Filho, os comentários foram feitos após discussão sobre uma campanha publicitária que abordava como as crianças veem as relações homoafetivas. “Logo após isso, os vereadores falaram que era ‘uma vergonha’, que ‘não era coisa de Deus’, então, fizeram comentários discriminatórios“, contou o delegado. 

De acordo com Joaquim, as investigações ainda estão no começo e  nenhum dos suspeitos foi ouvido até o momento. Os vereadores são investigados pelo crime de homofobia, que se enquadra no artigo 20, da Lei 7.716, que cita a “discriminação em razão da orientação sexual ou identidade de gênero”. Se condenados, cumprirão de dois a cinco anos de prisão.

Na época, a Defensoria Pública do Estado de Goiás considerou homofóbicas as falas dos vereadores e repudiou os discursos. Um dos parlamentares, Thialu Guiotti (Avante), afirmou na tribuna que “ninguém nasce homossexual” e que ativistas LGTBQIA+ querem “instaurar uma ditadura da opinião e da expressão”. “Essas declarações merecem atenção, merecem indignação dos demais atores do sistema de Justiça, porque isso acaba prejudicando a sociedade como um todo”, disse o defensor público Leonardo César Stutz.

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Jornalista formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (RS).