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Nesta sexta-feira (18), completa 27 anos da morte de Cintura Fina, figura emblemática da história LGBTQIA+ que viveu em Belo Horizonte (MG). Travesti, negra, cearense, pobre e órfã, Cintura é símbolo de resistência ao conservadorismo e de ocupação dos espaços públicos. Chamada de “Marilyn Monroe dos detentos” pela imprensa, Cintura Fina viveu em solo mineiro na década de 1950.

(Foto: Reprodução)

Cozinheira, faxineira, lavadeira, gerente de pensão, profissional do sexo, alfaiate, cabeleireira e gari, Cintura Fina foi alvo de constantes agressões da polícia e, para se defender, ela usava com destreza uma navalha – o que lhe rendeu 11 inquéritos policiais por furto e lesão corporal. 

No final da década de 1990, sua história ficou conhecida nacionalmente através da interpretação de Matheus Nachtergaele na minissérie “Hilda Furacão”, da TV Globo. A obra foi recentemente disponibilizada na plataforma Globoplay.

Cintura Fina – JM 08-08-1972 / Reprodução
Cintura Fina – JM 08-08-1972 / Reprodução

Em dezembro de 2021, Cintura Fina foi reconhecida como Cidadã Honorária de Belo Horizonte, em condição de post mortem. Além disso, sua história também ganhou uma biografia, Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte, escrita pelo pesquisador Luiz Morando, especialista em memória LGBTQIA+. 

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“Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte”

A biografia recém-lançada, “Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte”, apresenta sua história através da mídia que a retratou entre os anos de 1950 e 1980 em Belo Horizonte. O autor Luiz Morando conta a trajetória dessa figura emblemática, desde sua chegada na capital mineira, a transformação no ícone da boemia da Lagoinha, até seu fim em Uberaba.

“Acho que para a época, sobretudo nos anos 1950-60, a ousadia dela estava em performar uma imagem feminina à luz do dia, na rua. Isso não era pouca coisa para a época. Em 1953, em sua primeira detenção policial na cidade, ela foi levada para a delegacia vestida com traje feminino, maquiada, sobrancelhas pinçadas, unhas esmaltadas, cabelos cortados ao modo feminino”, conta Morando em entrevista ao GAY BLOG BR.

“Era ousadia suficiente aos olhos da população e da imprensa, que viam isso como excentricidade e rompimento de regras sociais. E havia o destemor por ser muito hábil no manejo da navalha e usar essa arma branca apenas para se defender de ataques”, complementa o autor.

A biografia de Cintura Fina foi premiada na categoria “Literatura”, no prêmio Poc Awards. “Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte” foi escolhida pelo júri, formado por integrantes do SCRUFF, como a melhor obra de não ficção no último ano.

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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)