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Todo quarto domingo do mês de julho, desde 1971, a pequena cidade de Serrita, em Pernambuco, recebe visitantes de várias partes do Nordeste.  Na conhecida “capital dos vaqueiros“, eles tomam as ruas do município, seguindo a cavalo em procissão até chegar em uma missa realizada para pedir bênçãos para os meses de estiagem que estão por vir.

No último domingo (24), entre as pessoas que seguiam a procissão, em cima do cavalo Boomerang, estava Valmir Calaça, de 55 anos. Ele segurava a bandeira do orgulho LGBTQIA+, cavalgando ao lado de outras bandeiras políticas do estado e dos municípios.

(Foto: Adriano Alves/UOL)

Calaça já participa da festa há mais de 20 anos e, em 2016, assumiu para si a missão de carregar o símbolo da luta LGBTQIA+, após se deparar com dois fatos marcante: em junho daquele ano, o massacre na boate Pulse, de Orlando (EUA); e uma agressão homofóbica em uma festa realizada em sua cidade, semanas depois da tragédia americana.

De acordo com a reportagem do Tab Uol, Calaça disse que quando começou a carregar a bandeira “deu um choque, porque no meio de vaqueiro isso é uma coisa diferente, quase um tabu”. Ele chegou a ser abordado pela organização do evento, que o questionou se sabia o significado da bandeira que carregava.

O bispo até interviu e pediu para que Calaça baixasse a bandeira durante a celebração, em 2016. No entanto, ele não obedeceu e mostrou uma frase que mandou bordar no peitoral do cavalo: “Diga não ao preconceito”.

O vaqueiro frequenta diversas missas durante o ano, sempre acompanhado da bandeira: “É uma coisa fora do comum, você leva tanto nome“, diz ele se  referindo aos xingamentos que escuta.

Conforme a reportagem, Calaça foi criado com a imagem de que o vaqueiro é um homem “macho”. “Quando tinha um [gay] de um lado, mandavam para fora, não ficava na minha cidade, iam todos para a capital. Era muito comum antigamente“, lembrou ele ao Tab Uol.

Apesar Calaça ter sido criado nesses princípios, ele se diz livre de preconceitos: “É tipo uma pedra bruta, você vai se lapidando. Até que você pensa ‘homem, tá tudo certo, o mundo tem que ser desse jeito mesmo’“.

(Foto: Adriano Alves/UOL)

 




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)