Em 1983, revista Life fez uma das primeiras matérias exibindo pais gays de modo positivo

O site Pink News resgatou uma foto de 1983 feita para a revista Life Magazine onde narrava a história de dois pais gays que criaram quatro crianças. Na época, a imagem foi considerada bastante provocante, ainda que seja uma das primeiras vezes onde um casal gay foi descrito de um modo positivo por uma revista.

A primeira imagem "mainstream" mostrando uma família composta por casal gay (Foto: J.Ross Baughman)
A primeira imagem “mainstream” mostrando uma família composta por casal gay (Foto: J.Ross Baughman)

O fotógrafo foi J.Ross Baughman fez a imagem para ilustrar a história chamada “The Double Closet” ou, “Duplo Armário” em tradução livre, escrita pela jornalista Anne Fadiman.

O texto contava o cotidiano de dois pais criando seus filhos, mostrando que não mudava em praticamente nada a adoção de filhos por casais gays, exceto que os pais são dois homens.

CRIANÇAS CRIADAS POR GAYS: MITOS DESCONSTRUÍDOS

Foto: Caco Neves / Superinteressante
Foto: Caco Neves / Superinteressante

A revista Super Interessante publicou uma matéria em 2012 desconstruindo quatro mitos relacionados a dúvidas e preconceitos que pairam a sociedade sobre casais gays.

De acordo com a psicóloga e especialista no assunto, Mariana Farias, o desenvolvimento de uma criança não depende do tipo de família, mas sim do vínculo que os pais e mães estabelecem entre eles.

“Afeto, carinho, regras: essas coisas são as mais importantes para a criança crescer saudável”.

O primeiro mito desconstruído é a de que há uma necessidade de figura paterna e materna. Segundo uma estimativa, o Brasil tem 17,4% das famílias constituídas por mães solteiras. A psicóloga diz que é importante a criança conviver com ambos os sexos, mas pode ser alguém significativo a criança, como uma avó ou uma tia.

O segundo mito é de que as crianças terão problemas psicológicos pelo preconceito que sofrerão de terem dois pais ou duas mães. As crianças vão ser discriminadas por outras crianças por qualquer saída de um padrão: se for mais gordo, magro, baixinho, menino mais afeminado, menina mais masculinizada, cor da pele etc.

Tanto que uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas com quase 19 mil pessoas mostrou que 99,3% dos estudantes brasileiros têm algum tipo de preconceito. Portanto, preconceito sofrerão, mas isso não está diretamente ligado a problemas psicológicos que eles possam vir a ter.

O terceiro mito é de que as crianças adotadas por gays se tornarão homossexuais também. Evidente que isso não seria um problema caso fosse uma realidade, mas o argumento não é válido considerando o mais óbvio: os gays são gerados por casais héteros.

Ainda há muita discussão sobre o que determina a sexualidade das pessoas, mas é praticamente unânime entre os gays de que eles nasceram assim, e os especialistas no assunto concordam que se trata apenas de mais uma variação da natureza.

O quarto mito é de que as crianças correm risco de sofrer abusos sexuais. Segundo a Super Interessante, esse argumento é um resquício da época em que a homossexualidade era considerada um distúrbio.

A Associação de Psiquiatria Americana esclarece que os “Homens homossexuais não tendem a abusar mais sexualmente de crianças do que os homens heterossexuais”.

Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek e agora está em busca de novos desafios. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".