É comum que os LGBTs “olhem torto” para os evangélicos devido ao posicionamento conservador em que defendem a heteronormatividade como o certo e o que “é de Deus”. No entanto, uma reportagem feita pela edição brasileira do El País mostra que há setores progressistas de diferentes correntes entre os evangélicos que não concordam com declarações como a de Ana Paula Valadão, que recentemente gerou polêmica ao afirmar que a união sexual entre dois homens “gera a AIDS que leva a morte”.

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“Em meio à onda de conservadorismo, esse tipo de pensamento [como de Ana Paula Valadão] tem sido revelado sem constrangimentos. Por fora, vemos um discurso de amor e aceitação. Mas, na primeira oportunidade, os pastores não hesitam em tachar integrantes da comunidade LGBT como seres impuros e pecadores” – diz Gregory Rodrigues, 29 anos, que é gay e pastor evangélico.

Assim como muitas pessoas que foram criadas dentro das igrejas, Gregory sofreu muita discriminação da família ao se revelar gay por volta dos 16 anos. Após  uma surra do pai, ele chegou a tentar o suicídio, mas acabou sendo acolhido em uma igreja inclusiva de Belo Horizonte.

“Fui atacado ao defender a tese de que Deus não faz distinção de pessoas, independentemente de orientação sexual”, disse, salientando que grupos de fiéis progressistas não são exclusividade dos templos inclusivos.

Evangélicos progressistas pró-LGBTs querem avançar na política
Reprodução

“O medo do inferno é uma forma de manipular pessoas. Dentro das igrejas tradicionais de cunho conservador, também temos gente com pensamento mais aberto. Mas há repressão por parte da alta cúpula a essas ideias. Ou, em alguns lugares, a defesa do que chamamos de inclusão de cabresto“.

Essa última diz respeito movimentos que dizem aceitar fieis LGBTs, desde que “abram mão” de sua sexualidade em prol de um voto de castidade. Dentro do que essa corrente pensa, o desejo sexual não é o pecado, mas sim a prática, então eles recomendam que a pessoa se “afaste do pecado das práticas homossexuais”.

E há também outros igrejas que propõem tratamentos espirituais para que a pessoa “mude sua orientação sexual“, porém sem nenhum respaldo científico. Acredita-se que essas pessoas renunciam o seu desejo em prol de viverem uma vida heteronormativa.

No entanto, há dois movimentos evangélicos progressistas: Cristãos contra o Fascismo e Evangélicxs pela Diversidade, que articulam candidaturas coletivas em várias cidades para fazer oposição ao fundamentalismo religioso.

É o caso do grupo de esquerda que concorrerá à Câmara Municipal de Belo Horizonte pelo Unidade Popular (UP). Os quatro integrantes dizem que o objetivo da candidatura é representar evangélicos que não se sentem contemplados pela “bancada da bíblia” e ressignificar a ideia de como a religião se manifesta nas esferas de poder.

“Somos uma minoria [na igreja] que não dá pra ser ignorada. Os movimentos de evangélicos progressistas já estão em praticamente todas as capitais do país”, diz Jonatas Aredes, um dos membros do coletivo, lembrando que a frente do progressismo protestante começou a ganhar corpo em 2016, após a bancada evangélica apoiar o impeachment de Dilma Rousseff.

Sobrinho-neto de Silas Malafaia precisou ir a um ‘terapeuta evangélico’ para tentar a ‘cura gay’

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".