A websérie Favela Drag conta com participação de oito drag queens convidadas que desenvolvem tutoriais de maquiagem e debatem de forma descontraída e documental temas de suas vivências enquanto TTTLGBQIA+, dissidentes, mulheres e periféricas. São três episódios que podem ser acompanhados no YouTube, enquanto lipsyncs de músicas da Beyoncé, Lady Gaga, Queen, Rita Lee e outros estão disponíveis no Instagram.

A série acompanha a trajetória das drags com o público, apresentando uma performance baseada em um tema definido pelas apresentadoras. No final de cada capítulo, é avaliado o desempenho da drag.

Os dois primeiros episódios foram ao ar no dia 7 e 14 de agosto pelo Facebook da Casa de Cultura Vila Guilherme – Casarão em caráter classificatório e as vencedoras irão competir na grande final, que ocorrerá no dia 4 de setembro.

O Favela Drag foi criado durante a pandemia com o objetivo de dar visibilidade aos artistas LGBTQIA+, dissidentes, mulheres de periferias que desenvolvem trabalhos de Drag Queen. A ideia é fomentar os artistas em meio a situação atual de Pandemia do COVID-19, criando conteúdos relevantes às demandas da comunidade e que reforcem a necessidade de seguir as recomendações de isolamento social do Ministério da Saúde e demais órgãos competentes.

O evento faz parte do projeto “Conexão Casas de Cultura 2020” e tem apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e Casa de Cultura da Vila Guilherme – Casarão.

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: LIVRE

Divulgação

Primeira Drag Queen da história era negra, ex-escrava e pioneira no ativismo LGBT

William Dorsey Swann nasceu em 1858 em Maryland, nos Estados Unidos e, por ser negro, era escravo mesmo sendo uma criança. Curiosamente, algum tempo depois da abolição da escravatura em 1863, ele se tornou a primeira pessoa a se autodenominar “queen of drags”, provavelmente se originando daí o termo “Drag Queen” para designar o estilo artístico que conhecemos hoje.

Antes, a palavra “Drag Queen” surgiu pela primeira vez nas anotações de William Shakespeare, identificando os atores que interpretavam personagens femininos em espetáculos em meados de 1590 a 1613. A expressão “Queen of Drags”, por Swann, teria sido usada pela primeira vez por volta de 1880.

Ele foi preso inúmeras vezes pela polícia por se vestir como drag queen e, em um dos encarceramentos, ficou 10 meses na cadeia pela falsa acusação de “manter uma casa desordenada”, referência a um suposto bordel que ele comandava.

Swann recorreu da sentença e pediu perdão ao presidente Grover Cleveland, sendo este negado. Apesar disso, ele acabou se tornando um símbolo do pioneirismo da causa LGBTQIA+ nos Estados Unidos, até porque em uma das vezes em que foi preso, ele gritou com o tenente responsável pela prisão “Você não é um Cavalheiro”, um ato considerado extremamente corajoso, ainda mais considerando a época. Curiosamente, ele também organizava bailes para que outras drags se apresentassem, sendo estes outros ex-escravos que iam para dançar e se “vestirem como rainhas”.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".