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O vídeo de uma freira interrompendo um beijo entre duas mulheres está repercutindo pelo fato inusitado. O caso ocorreu quando as modelos italianas Serena de Ferrari e Kyshan Wilson estavam posando para a revista “Not Yet Magazine” e a freira interrompeu as duas.

A freira tentou separar as duas mulheres falando várias coisas em forma de protesto. Depois, a religiosa se dirigiu a multidão, mas as pessoas não levaram a sério o comportamento da religiosa. Já a página oficial da “Not Yet Magazine” no Instagram colocou na legenda: “Quando você se torna viral, mas não por uma coisa boa”.

O episódio teve vários memes compartilhados na internet. Um deles satirizou com uma seta apontando para os sapatos de uma das atrizes e colocou na legenda “Talvez seja por isso”.

HOMOSSEXUALIDADE E RELIGIÕES

Alvo de muitas polêmicas, a homossexualidade é condenada por fundamentalistas religiosos que argumentam que é pecado usando versículos da bíblia, em especial Levítico e Romanos. No entanto, há diversas correntes de pensamentos que não enxergam dessa forma, assim como cada religião (cristã ou não) tem sua própria visão sobre o assunto.

Para o judeu reformista Michel Schleisenger, membro da Congregação Israelita Paulista, em um debate no programa SuperPop da Luciana Gimenez, não podemos associar homossexualidade e pecado.

“O que é importante se perguntar nessa questão é: até que ponto uma pessoa é totalmente livre para escolher a sua tendência sexual? As pesquisas mais recentes e entrevistas de primeira pessoa de homossexuais nos indicam que essa escolha é menor do que se imaginava antigamente (…) Se existe uma programação pré-estabelecida, não se pode falar em pecado. Você não pode condenar uma pessoa como pecadora se ela nasceu baixinha ou se é alta demais, nem se tem olho castanho ou olho azul. Da mesma maneira você não pode condenar uma pessoa que nasceu com uma inclinação sexual determinada.”

Já a pastora homossexual Lanna Holder, fundadora da igreja evangélica inclusiva “Cidade de Refúgio”, argumenta que é necessário acreditar na inclusão dos homossexuais dentro do ambiente evangélico. Por anos, Holder foi missionária da Assembleia de Deus e argumentava ter sido curada do homossexualidade. No entanto, ela eventualmente percebeu que o que estava fazendo era uma agressão contra ela mesma.

“Eu era o Silas Malafaia de saias. Por sete anos preguei contra a homossexualidade. Eu inicialmente entrei para igreja para mudar minha sexualidade. Eu achava que, por ser quem eu sou, iria para o inferno. Percebi que estava me agredindo, que aquilo não me representava. Procurei uma teologia mais inclusiva” – diz, em entrevista a Época, argumentando também que os discursos radicais contra homossexuais têm raiz na falta de esclarecimento sobre o Evangelho – “Eles falam isso por sensacionalismo, para conseguir ibope. Não defendo a promiscuidade. Defendo minha vida ao lado de alguém que amo e com quem quero constituir família. Deus nos ama como nós somos”

Dalai Lama, do budismo, diz que está tudo bem com a homossexualidade desde que ambos os lados concordem. Sua visão é endossada pelo mestre butanês Dzongstar Rinpoche, que argumenta que as pessoas não deviam ser “tolerantes”, mas respeitosas.

“Tolerância não é uma coisa boa… se você ‘tolera’, significa que você pensa ‘isso é errado, mas vou tolerar’. Você tem que ir além disso. Você precisa respeitar essa pessoa, de verdade”.

Chico Xavier, do espiritismo, disse em uma entrevista ao programa Pinga Fogo da extinta TV Tupi em 1971, que as variações da sexualidade são “condições da alma humana que não devem ser interpretadas como fenômenos atacáveis pelo ridículo da sociedade”.

No Candomblé, a homossexualidade é aceita e registros históricos mostram que havia homossexuais nos terreiros pelo menos desde o século XIX.

Freira homofóbica tenta impedir duas modelos de se beijarem e vídeo repercute na web
Reprodução



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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"