Homem queima bandeira LGBT e é condenado a 15 anos de prisão

Nos Estados Unidos, Adolfo Martinez (30 anos) foi condenado a 15 anos de prisão por ter roubado a bandeira LGBT de uma igreja progressista (United Church of Christ) e ter queimado do lado de fora de um clube de strip-tease. O caso ocorreu no centro de Ames, no estado americano de Iowa.

Segundo suas próprias palavras, ele não tolera a homossexualidade. Foi julgado por crime de ódio, uso imprudente do fogo e acusações de assédio. De acordo com a polícia, tudo começou quando eles foram chamados para conter Martinez, que estava fazendo ameaças no Dangerous Curves, o clube citado anteriormente. Ao chegar lá, ele já havia sido expulso.

Adolfo não se arrepende de ter queimado a bandeira LGBT (Foto: Reprodução)
Adolfo não se arrepende de ter queimado a bandeira LGBT (Foto: Reprodução)

Posteriormente, Martinez foi a igreja e arrancou a bandeira. Em seguida, voltou lá e usou fluido para isqueiro para queimá-la na rua, ameaçando também colocar fogo no bar. Réu confesso, ele não se arrepende de seus atos:

“Foi uma honra fazer isso. É uma benção do Senhor. Queimei o orgulho deles, pura e simplesmente” – disse em uma entrevista a KCCI-TV.

Já a pastora da igreja, Eileen Gebbie, que é homossexual, concorda que as ações foram motivados pelo ódio.

“(…) 12 pessoas [do júri] que eu não conheço, que não têm interesse em mim ou nesta congregação, disseram que esse homem cometeu um crime e foi um crime causado por intolerância e ódio”. 

Essa é a primeira vez que alguém comete crime de ódio na história do condado, segundo a procurado Jessica Reynolds.

“A dura realidade é que há pessoas que têm como alvo indivíduos e cometem crimes contra indivíduos por causa de sua raça, gênero ou orientação sexual. E quando isso acontece, é muito importante que, como sociedade, a gente se posicione, e as pessoas recebam punições severas por essas ações”. 

O QUE CAUSA A HOMOFOBIA?

Homofobia tem origem multi-fatorial (Foto: Revista Arco-Iris)
Homofobia tem origem multi-fatorial (Foto: Revista Arco-Iris)

De acordo com uma matéria publicada pelo canal Bonde pelo especialista em terapia sexual Maurílio Jorge Maina, a homofobia inclui um tipo de opressão intencional e premeditada, que ocorre de forma sutil com ironias, gestos ou hostilidade, ou em casos mais graves, agressões físicas.

A origem é multi-fatorial, como a crença de que a heterossexualidade é o “normal”, o machismo estrutural da sociedade, valores passados por religiões ou pela própria família, e também há casos em que a própria pessoa é um LGBT e nega para si mesmo a sua orientação ou identidade de gênero, como argumenta Ana Lúcia Santana no canal InfoEscola.

“Aqueles que abrigam em sua mente esta fobia ainda não definiram completamente sua identidade sexual, o que gera dúvidas, angústias e uma certa revolta, que são transferidas para os que professam essa preferência sexual. Muitas vezes isso ocorre no inconsciente destes indivíduos. Para reafirmar sua sexualidade e como um mecanismo instintivo de defesa contra qualquer possibilidade de desenvolver um sentimento diferente por pessoas do mesmo sexo, os sujeitos tornam-se agressivos e podem até mesmo cometer assassinatos para se preservarem de qualquer risco.”

Já Maina argumenta que quanto maior o aspecto afeminado do gay, a hostilidade tende a ser cada vez maior, e quando a homofobia tem origem na formação religiosa, fica mais difícil desconstruí-la.

E COMO SE COMBATE O PRECONCEITO HOMOFÓBICO?

A homofobia se combate com informação e união (Foto: Reprodução)
A homofobia se combate com informação e união (Foto: Reprodução)

Para o canal AstroCentro, a informação continua sendo a melhor “arma” contra o preconceito e a autoaceitação dos próprios gays é o primeiro passo para fazer uma mudança dentro daquele seu núcleo social e, desse modo, contribui para a sociedade inteira.

Além disso, o canal defende que é necessário se posicionar a favor da causa LGBT, já que a omissão contribui para que a falta de conhecimento seja perpetuada.  Neste ponto, os próprios heterossexuais podem atuar, dizendo que apoiam e que querem ver os LGBTs terem os mesmos direitos que eles.  Quanto mais pessoas unidas pela mesma causa, melhor.

A comunidade LGBT luta por uma sociedade plural, onde as variações sexuais e de gêneros sejam vistas com normalidade por todos, desconstruindo a ideia de que apenas a heterossexualidade e os cis-gêneros são o “certo”. Com informação, união e luta, podemos ter uma sociedade cada vez mais inclusiva e livre de preconceitos.