Homofobia teria motivado invasão em boate LGBTQI+ de Patos de Minas

Homofobia teria motivado a ação de policiais no primeiro espaço destinado ao público LGBTQI+ da cidade de Patos de Minas, o Queen Lounge. A denúncia, feita através das redes sociais da casa, diz que houve abuso de autoridade da Polícia Militar.

Segundo a página do oficial do Queen Lounge no Facebook, 12 policiais distribuídos em quatro viaturas liderados pelo sargento Romeu Araújo teriam sido chamados por uma denúncia anônima de perturbação de sossego. Os policiais teriam levado o equipamento de som e os funcionários do estabelecimento teriam sido orientados a não discutirem sob ameaça de desacato a autoridade.

De acordo com o post, o som estava desligado e os policiais apareceram na hora em que a casa estava sendo fechada. Além disso, o comunicado da fanpage também diz que todas as denúncias de perturbação do sossego vieram da mesma pessoa ou familiares, visando “obstaculizar o 1º estabalecimento declaradamente LGBT de Patos de Minas”.

“Vale ressaltar que na mesma quadra, na esquina, funciona um desses botecos que ficam tocando forró e/ou technobrega. Enquanto os policiais criavam caso na Queen Lounge, esse outro bar funcionava normalmente e nada foi feito. Se não foi homofobia, então não sei o que foi”, comenta o leitor Paulo Henrique.

O Queen Lounge enviou uma nota de repúdio, veja abaixo na íntegra:

Homofobia teria motivado ação de policiais ao Queen Lounge
Foto: Reprodução

“NOTA DE REPÚDIO DE ABUSO DE AUTORIDADE
Ao Sr. Romeu Araújo 1ª Sargento da Polícia Militar de Patos de Minas

Todas as providencias legais serão tomadas nos próximos dias, para garantir nosso direito de SERMOS NÓS MESMOS!

Na madrugada de hoje, por volta das 04:12 da manhã, fomos surpreendidos em nosso estabelecimento com uma ação da PM liderada pelo 1º Sargento Romeu Araújo, onde o mesmo, acompanhado 4 viaturas e 12 policiais, atendendo à uma ilegal denúncia de perturbação do sossego (dos mesmos detratores de sempre) nos deu voz de prisão e apreendeu todo o nosso equipamento de som, de forma ilegal, uma vez que o som estava desligado e a casa sendo fechada.

Não houve advertência anterior sobre a perturbação naquela noite, a postura do 1º Sargento não nos permitiu diálogo e fomos orientados a não discutir para não decorrer por desacato/desobediência.

Lamentamos o ocorrido. Este tipo de abordagem truculenta nunca aconteceu nas mais de 20 denúncias anteriores à desta madrugada (sempre pela mesma pessoa). Onde a postura dos colegas do 1º Sargento sempre foi ilibada e de tentar harmonizar a coletividade.

Desde antes da nossa inauguração, o denunciante e familiares, tenta obstaculizar o 1º estabelecimento declaradamente LGBT de Patos. Ele se escora no fato de ser advogado em um escritório influente (e conhecer o meio jurídico, oferta denuncia como perturbação do sossego) que é improcedente e comprovado por laudos e pareceres que constam em toda nossa documentação.

Infelizmente ontem o denunciante encontrou, para o nosso inconveniente, um policial desinformado, que agiu de forma truculenta e em desacordo com as próprias recomendação da PM.

A Queen não é apenas um bar. Nossa proposta vai muito além da geração de emprego/riqueza para Patos. Quem nos acompanha sabe do nosso engajamento em apoiar a comunidade LGBT. Em 4 meses de existência fizemos uma campanha de setembro amarelo (um LGBT é 9 vezes suscetível à cometer suicídio), fechamos uma parceria com a @aptha.rh (empresa de recrutamento que abriu esse espaço para receber currículos da nossa comunidade e orientá-los), na próxima 5ª feira – 30/01 faremos um evento onde a bilheteria será a doação de material escolar para crianças carentes (projeto que seria divulgado nos próximos dias, mas estou adiantando aqui), além de vários outros projetos que estão por vir.”

Foto: Reprodução

Barulho deve ser medido no local onde está quem reclama do som

A medição de barulho deve ser feita no local onde está a pessoa que dele reclama e não apenas onde ocorre o show, disse o desembargador André Gustavo Corrêa de Andrade, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em outra situação. Confira outro caso similar que aconteceu no Rio de Janeiro, em 2008.

Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek e agora está em busca de novos desafios. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".