Segundo uma matéria publicada no UOL CARROS, o Jeep rosa Willys 1957 rosa com placas “GAY 0024” foi barrado na parada LGBT. O dono é o empresário Wilson Zulim (55), que é hétero, e adquiriu o veículo há 17 anos, com outra pintura, porém com essa placa.

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Em 2013, ele fez uma restauração do carro e esta custou cerca de R$ 35 mil, trocando a cor antiga, que era verde militar, pela atual, que é rosa. A ideia era transformar o veículo para alugá-lo em eventos. Por não conseguir cumprir esse objetivo, os planos mudaram, e hoje o jipe está à venda.

“O proprietário anterior contratou um despachante para instalar essas placas. Na época, ele era estudante universitário e tinha pouco mais de 20 anos. Segundo soube, o rapaz não é gay e escolheu essa sequência de letras e números por zoeira, para ‘tirar onda’ mesmo”, diz Zulim, que também diz ser espírita e que respeita todos os seres humanos.

“A ideia de transformá-lo em um jeep rosa foi marcar e fazer acontecer. Imagina usar esse Jeep em um casamento?”, questiona o empresário, salientando que sua intenção “nunca foi ofender ninguém” – diz o empresário, que para sustentar seu argumento, diz que tem muitos amigos e parentes gays.

“Somos todos criaturas de Deus”.

Jeep rosa “GAY 0024” foi barrado pela Parada SP para "não reforçar preconceitos"
Reprodução

O Jeep rosa já apareceu de algumas manifestações do movimento LGBT e ele forneceu ao UOL CARROS algumas fotos de seu arquivo pessoal demonstrando esses momentos. Em duas imagens, o veículo aparece sobre um caminhão plataforma e dá para identificar que elas foram tirada em 2014, durante a 18ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.

No entanto, mesmo com a boa intenção de Zulim, o jipe foi barrado e os integrantes da APOLGBT SP explicam a razão:

“Ele queria participar, mas negamos e o veículo teve de ser retirado da Avenida Paulista em um guincho. Repudiamos esse tipo de ação, pois não podemos reforçar preconceitos, do tipo menino veste azul e menina, rosa. E que rosa identifica pessoas frágeis”, relata Renato Viterbo, vice-presidente da APOLGBT SP.

O canal também conversou com Nelson Matias Pereira, sócio fundador da associação.

“Para alguém como ele, esse local de manifestação acaba não sendo legítimo. Parece muito claro que não trouxe proposta alguma além de fazer merchandising e publicidade própria. Aí, não é honesto. Não faz sentido eu me apropriar de uma pauta que não é minha e, além disso, estimular estereótipos”, avalia o ativista de 54 anos.

Pereira reforça que “gênero não tem cor” e lembra que Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, discursou em sua posse, no ano passado, que “menina veste rosa e menino, azul”. “Ainda é muito comum, antes de nascer o bebê, você ter um enxoval azul para meninos e rosa para meninas. Ou um amarelo neutro, na época em que não havia como saber com muita antecedência o sexo da criança. O rosa associado à mulher, identificando-a à fragilidade e à submissão, só traz preconceito”. “Antigamente”, pontua Pereira, “não havia essa divisão de cores”, que passou a acontecer após a Revolução Industrial, por razões mercadológicas.

“Dos anos 2000 para cá, com a chamada geração Y, cada vez mais eu vejo homens heterossexuais usando rosa sem problema nenhum. Eu sempre usei, independentemente de ser gay ou não. Sempre adorei a cor e acho bonito homem de rosa”, opina.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".