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O zagueiro do Vasco da Gama Leandro Castán (34) em coletiva de imprensa, no último dia 2 de setembro, disse que foi “obrigado” a vestir um uniforme com a faixa nas cores do arco-íris em homenagem aos LGBTQIA+.

“No momento no qual expus o que acredito, quando eu fui, teoricamente, obrigado a vestir uma camisa, acho que algumas pessoas não gostaram. Mas eu respeito a todos e também acho que tenho de ser respeitado”, disse Leandro Castán.

Leandro Castán
Leandro Castán, que se autodenomina evangélico, ficou triste com a camisa arco-íris kkk – Reprodução

Na data em questão, que era celebrado o Dia da Orgulho LGBT, o jogador Leandro Castán, que se autodenomina evangélico, postou nas redes sociais um versículo bíblico promovendo o coito heterossexual sem preservativos para fins de aumento inconsciente da densidade demográfica: “Sejam férteis, multipliquem-se e encham a terra”.

O comentário de Castán não foi bem recebido pelo público, principalmente pela intenção de repudiar LGBTs, recebendo uma enxurrada de críticas no Twitter. No dia seguinte, Leandro usou seu Instagram para usar o nome de Deus para justificar seu erro: “Pouco me importa ser julgado por vocês ou por qualquer tribunal humano; de fato, nem eu julgo a mim mesmo. Embora em nada minha consciência me acuse, nem por isso justifico a mim mesmo; o Senhor é quem me julga”.

Germán Cano ergueu a bandeira LGBTQ+ para comemorar seu gol / Maga Jr/O Fotografico/Gazeta Press
Germán Cano ergueu a bandeira LGBT+ para comemorar seu gol – MagaJr/OFotografico/GazetaPress

Homossexualidade na visão religiosa

O relacionamento entre a homossexualidade e a religião varia conforme o segmento religioso, o tempo e os lugares. Muitas vezes há divergências entre os membros de uma determinada religião sobre os LGBTQIA+, o que leva a muitos debates.

Hoje em dia, o cristianismo tradicional ainda considera o comportamento homossexual como prática imoral ou pecaminosa, o que significa que caso a pessoa tenha “desejos homossexuais”, ela deverá renunciá-los em prol de ter uma vida mais próxima a Deus. Sentir o desejo não seria o pecado, mas ter relações sexuais, sim.  No entanto, há várias correntes mais progressistas que contestam essa visão, dizendo que a pessoa não pode ser condenada como pecadora por algo que é inerente a ela.

Dentro do judaísmo também não há um consenso, mas o rabino reformista Michel Schlesinger endossa o discurso dos cristãos progressistas, se manifestando no programa SuperPop da RedeTV! defendendo que se a pessoa nasce homossexual, você não pode condená-la como pecadora.

“Eu não posso condenar uma pessoa como pecadora se ela é baixinha, ou se ela é alta demais. Nem se tem olho castanho ou se tem olho azul. Da mesma forma, se uma pessoa é homossexual, não se pode falar em pecado”, disse.

Chico Xavier, do espiritismo, disse em 1971 no programa Pinga Fogo da extinta TV Tupi que a homossexualidade e bissexualidade são condições da alma humana e não devem ser “encarados como fenômenos espantosos” e nem serem atacadas pelo “ridículo da sociedade que desfruta de uma sexualidade dita normal” e, portanto, essas pessoas não deveriam ser “sentenciada as trevas”.

Dentro da Doutrina Espírita entende-se que o espírito humano não tem sexo. O doutrinador José B. de Campos prega que a questão mais importante no tocante à homossexualidade é a promiscuidade, aconselhando um homossexual a ter um parceiro e constituir um lar. O médium Divaldo Franco também alega que o homossexual, assim como o heterossexual, será julgado conforme a conduta moral, independente de sexualidade.

Já o Candomblé sempre acolheu os homossexuais e a condição nunca foi um empecilho para que as pessoas se tornassem sacerdotes ou tivessem alguma dificuldade dentro da estrutura hierárquica.

Para o Budismo, a homossexualidade é apenas “mais uma forma de existir”, não sendo uma ação não virtuosa (equivalente ao pecado dos cristãos) já que a pessoa não está fazendo mal a alguém. Por essa mesma razão, eles acolhem todos os segmentos LGBTQIA+, pois acreditam que a virtude ou a não virtude se dá com a intenção de seus atos.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"

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