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O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por meio da 2ª Vara Criminal de Nova Friburgo, aceitou a denúncia do Ministério Público contra a pastora evangélica Karla Cordeiro dos Santos Tedim, que fez um discurso criticando fiéis que defendiam causas raciais e LGBTQIA+. A decisão foi proferida pelo juiz titular Marcelo Alberto Chaves Villas no último dia 26 de agosto. As informações são do G1.

O magistrado entende que o discurso da pastora evangélica “perpassa, sim, a noção inicial de que a intenção da agente seria, de fato, de induzir ou de incitar a discriminação ou preconceito de raça e cor, bem como o preconceito ou a discriminação de grupos identificados pelo ponto comum da vulnerabilidade com o movimento LGBT”.

A pregação ocorreu no dia 31 de julho e foi divulgada no canal oficial do grupo jovem da Igreja Sara Nossa Terra, posteriormente excluída após a repercussão negativa. No vídeo, Karla afirmou que “é um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, bandeiras de LGBTQIA+, sei lá quantos símbolos tem isso aí. É uma vergonha, desculpa falar, mas chega de mentiras, eu não vou viver mais de mentiras. É uma vergonha. A nossa bandeira é Jeová Nissi. É Jesus Cristo. Ele é a nossa bandeira”.

O advogado de defesa de Karla Cordeiro, Paulo Donin, disse que a pastora não é homofóbica e nem racista. “A denúncia se baseia no relatório da autoridade policial no qual não concordamos, haja vista termos a certeza da inocência da senhora Karla, não sendo a mesma racista nem homofóbica”, finalizou.

Já a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) foi feita no dia 20 de agosto, alegando que a pastora praticou, induziu e incitou o preconceito e a discriminação contra as pessoas negras e aos LGBTs.

“Endereçando suas palavras aos jovens presentes e à audiência irrestrita das mídias sociais, a denunciada Karla, a pretexto de enaltecer sua ‘bandeira’, induziu e incitou menosprezo pelas pessoas de cor preta e por aquelas integrantes da comunidade LGBTQIA+, praticando discriminação e preconceito contra aquelas e suas causas ao enfatizar a ‘vergonha’ que tais ‘bandeiras’ importariam se fizessem parte das manifestações sociais dos seus ouvintes”, declarou o Ministério Público em denúncia.

Justiça do RJ acata denúncia contra pastora evangélica por discurso racista e homofóbico
Reprodução

“O direito a liberdade religiosa e de culto, garantida constitucionalmente, não pode encobrir discursos de ódio ou práticas racistas. […] nem um direito individual pode ser reputado como um direito absoluto”, ressaltou o Ministério Público, acrescentando que “Ao Estado está vedado qualquer forma de censura ou de ofensa à liberdade de expressão, de pensamento ou de crença, mas […] mesmo tais direitos devem ser exercidos por todos os cidadãos com responsividade”.

Karla também publicou uma nota nas redes sociais informando que não tinha a intenção de discriminar ninguém.

“A minha intenção era de afirmar a necessidade de focarmos em Jesus Cristo e reproduzirmos seus ensinamentos, amando os necessitados e os carentes. Principalmente as pessoas que estão sofrendo tanto na pandemia. Fui descuidada na forma que falei e estou aqui pedindo desculpas”, disse.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"