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No último dia 15 de dezembro, 400 líderes religiosos globais assinaram uma declaração conjunta em que pedem o fim de restrições legais aos LGBTQIA+ e o fim da “terapia de conversão” (cura gay) ao redor do mundo. As assinaturas foram organizadas pela instituição de caridade Fundação Ozanne, incluindo cristãos, judeus, sikhs, hindus, budistas e muçulmanos.

Segundo a ex-presidente irlandesa Mary McAleese, membro proeminente da Igreja Católica Romana, disse que a declaração conjunta representa “um pequeno passo para combater a homofobia”, mas que este é “um passo necessário para lembrar aos sistemas religiosos do mundo e às pessoas de fé que eles têm uma obrigação para com seus concidadãos, que também têm direito à plena dignidade de sua humanidade e à plena igualdade de direitos humanos”.

A declaração diz que há um “profundo pesar” que os ensinamentos religiosos ao longo dos séculos “causaram e continuam a causar profunda dor e ofenda àqueles que são lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer e intersex”.

69 países das Nações Unidas ainda possuem leis contra os LGBTs segundo o relatório “Homofobia de Estados 2020” divulgado pela IGLA. Apenas Brasil, Equador, Malta,  Alemanha e México instituíram formas de proibição nacional de terapia de conversão.

Líderes religiosos pedem fim de "cura gay" e leis contrárias aos direitos LGBTQIA+
Reprodução

CURA GAY, POR QUE ELA É PROIBIDA?

Segundo o vídeo Existe Cura Gay? do Nerdologia, existem muitas características nossas que queremos mudar e não necessariamente se tratam de doenças, citando que uma ruga na testa, por exemplo, dificilmente será considerada uma doença pela sociedade, mas a pessoa pode procurar um cirurgião plástico para aplicar botox e se livrar dela.

Partindo dessa premissa, uma pessoa pode saber que homossexualidade não é doença e mesmo assim, por crenças e valores morais, ela queira sair daquela condição, já que isso é motivo de sofrimento. Ou seja, a pessoa sente atração sexual por pessoas do mesmo sexo, mas gostaria de desejar o sexo oposto.

Ignorando o fato daqueles que renunciam seu desejo sexual em prol de viver uma vida heteronormativa sob o argumento religioso de que “isso é o certo”, um estudo científico publicado em 2008 pela Ohio State University em parceria com a University of Minnessota, avaliou todas as tentativas de terapia publicadas nos últimos cinquenta anos, incluindo psicoterapia individual ou coletiva; tratamento eletroconvulsivo; indução de náusea ou vômito; hipnose e reorientação de orgasmo.

Todas as tentativas falharam em reorientar o desejo sexual dos pacientes, causando aumento no número de depressões profundas, disfunções sociais, pensamentos suicidas e outros danos psicológicos. O estudo também concluiu que essas tentativas não tinham fundamentação teórica, haviam sérias falhas metodológicas e violavam princípios éticos e direitos humanos.

Já um outro estudo publicado na Professional Psychology: Research and Practice 33, fez uma entrevista com mais de 200 clientes que passaram pela terapia de reorientação sexual. Destes, apenas 26 declararam que a terapia era de alguma ajuda e só 9 disseram passar a desejar o sexo oposto. Já o restante, os danos psicológicos foram os mesmos citados anteriormente.

Os testes de hipótese apontam que, assim como os héteros não mudam sua orientação sexual pela presença de gays (ou seja, não há nada que faça a pessoa desejar o mesmo sexo), os homossexuais também não são convertidos em héteros.

A conclusão é de que não existe nenhum método que reoriente o desejo sexual de ninguém, já que a homossexualidade se trata de mais uma variação da natureza. Além disso, os gays que buscam ajuda por estarem sofrendo devido a sua condição, param de sofrer quando aceitam sua homossexualidade e não são mais perseguidos por aqueles que estão a sua volta.

O que acaba com o sofrimento é a aceitação, não a reorientação.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".