Parece que o isolamento está trazendo novos problemas às pessoas trans. Segundo uma matéria publicada no Huffpost Brasil, diversos países da América Latina estão segregando os dias em que mulheres e homens podem sair de casa devido ao surto de coronavírus, levando as pessoas trans a ficarem em um limbo jurídico. No Panamá, por exemplo, uma mulher trans foi multada por ter saído de casa em um dia reservado as mulheres.

Tanto o Panamá quanto o Peru promulgaram a regra de que homens e mulheres podem sair de casa em dias separados. Segundo o presidente do Peru, Martín Vizcarra, o decreto facilita às forças de segurança a monitorarem a movimentação de pessoas e consegue reforçar a quarentena.

Foto: Reprodução

O problema, segundo o pesquisador de direitos LGBT da Human Rights Watch, Cristian González Cabrera, é que as medidas não englobam as pessoas trans.

“[As medidas] levantam bandeiras vermelhas para pessoas trans, que são vistas pela sociedade como pessoas que não se enquadram necessariamente nas categorias tradicionais de homens e mulheres. Apenas dizer que os homens podem sair neste dia e as mulheres naquele dia simplesmente não é suficiente para amenizar seus medos de assédio e discriminação” – disse em entrevista a Reuters.

No Panamá, as pessoas transexuais só podem mudar legalmente sua identidade de gênero quando são submetidas a cirurgia de redesignação sexual. Já no Peru, o decreto proíbe “qualquer tipo de discriminação”, mas na prática as pessoas trans relatam preconceitos e obstáculos legais.

“Estou preocupada com o nível de abuso e vulnerabilidade que homens e mulheres trans estão passando no momento”, disse Venus Tejada, uma mulher trans e ativista de direitos no Panamá. “Voltamos ao tempo de Adão e Eva, onde havia apenas homem e mulher e não havia absolutamente mais nada.”

Um caso ocorrido no Panamá foi da mulher trans , Barbara Delgado, que foi multada em 50 dólares por estar circulando pelas ruas em um dia designado às mulheres. Aparentemente, o policial que a abordou entendia que ela devia estar em isolamento.

“Me senti péssima. Totalmente quebrada emocionalmente, psicologicamente” – disse, alegando também que está com medo de sair às ruas.

Ela também estava na rua fora do horário permitido pela lei, mas no caso ela tinha uma autorização de um centro médico onde ela se voluntaria para estar circulando por aquele horário. O Ministério da Saúde do Panamá não se pronunciou sobre o assunto.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".