Melhor do dia: Vik Muniz responde seguidora que o criticou por usar #EleNão

A réplica já pode emoldurar, pois é uma obra digitada :P

O artista plástico brasileiro Vik Muniz postou em seu Instagram uma foto com sua filha em um protesto em Nova York. A legenda foi: “For a more feminine future everywhere! #elenão”.

vik muniz
Reprodução Instagram.com/vikmuniz

Uma seguidora, que se apresenta com o nome de ‘Marisa Garzin‘, parece ter se incomodado com a hashtag #EleNão e fez o seguinte comentário:

Marisa garzin
@marisagarzin

“O maior cretino hipócrita que já vi!!!! Deixa eu ver…pra quem você vende o que vc chama de arte? Pra classe B? C? Mora no país capitalista. Porque não vem morar aqui? Faça um leilão com essas suas bostas. Abra uma ong. Qualifique gente por aqui. Venda sua arte pelo valor que ela merece. Venda ela pra classe C, D. Ahh…vá se foder!” (sic).

A resposta de Vik já está sendo considerada uma arte:

“@marisagarzin Eu Moro no Brasil. Eu leiloo obras para causas o tempo todo. Eu mantenho com o dinheiro da venda das minhas bostas uma escola na favela do vidigal que atende 60 crianças locais com programas de professores internacionais. Eu sou diretor da Espetáculo, uma ONG que já formou milhares de jovens na área de áudio visual. Já doei mais de um milhão de dólares para a pesquisa do HIV. Fui indicado ao Oscar por um filme sobre catadores Brasileiros. Eu sou embaixador da boa vontade da UNESCO e recebi o Cristal Award do WEF, que é o Nobel da filantropia. Eu também fui nascido e criado na periferia pobre de São Paulo. Eu só estou te falando isso porque eu te respeito como eu respeito a todo mundo e gostaria que você me conhecesse mais um pouco e não parecesse nem cruel nem ignorante na próxima vez que for insultar alguém por esporte. Eu queria muito doar dinheiro para a sua ONG. Você certamente tem uma não? Porque todo o tempo que eu tive dando atenção e carinho para todo mundo que precisava, eu lamento ter ignorado pessoas como você.”

¯\_(ツ)_/¯

URL https://i2.wp.com/gay.blog.br/wp-content/uploads/2018/10/2nd-avenue_subway_PerfectStrangers-VikMuniz-1.jpg?resize=653%2C419&ssl=1 Título 2nd-avenue_subway_PerfectStrangers-VikMuniz-1 Legenda
Artista plástico Vik Muniz mostra a diversidade humana em mosaicos em metrô de NYC. Foto: reprodução

SOBRE O ARTISTA

Filho de pernambucanos, foi aluno da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), onde frequentou aulas do curso de Publicidade e Propaganda. As obras do artista plástico são feitas de materiais inusitados, como lixo, restos de demolição e componentes como açúcar e chocolate. Em seu quadro de Sigmund Freud, usou calda de chocolate para criar a imagem. Para sua série Sugar Children (Crianças do Açúcar), Muniz foi para uma plantação de açúcar em St. Kitts para fotografar filhos de operários que trabalham lá. Após voltar para Nova York, ele comprou papel marrom e vários tipos de açúcar, e copiou os instantâneos das crianças nuas espalhando os diferentes tipos de açúcar sobre o papel e fotografando-o.Isso gerou grande polêmica que só foi resolvida dois anos depois da obra:a obra estava liberada,porém teria que ser vendida por apenas R$4.000,50.

Mais recentemente, tem criado obras em maior escala, tais como imagens esculpidas na terra (geoglifos) ou feitas de enormes pilhas de lixo.

No 81º “Christmas Book” anual de Neiman Marcus, em 2007, os compradores podiam encomendar por US$ 110.000 um dos retratos de chocolate “His & Hers” feitos por Muniz e receber uma reprodução fotográfica tamanho “60 X 48” do trabalho. Muniz doou o produto das vendas para o Centro Espacial Rio de Janeiro, uma organização de caridade que trabalha com arte para crianças e adolescentes pobres no Brasil. Segundo Muniz, “os pobres precisam de dinheiro. É preciso ajudá-los diretamente. Não acredito em arte política. Sensibilizar: você tem o jornal para isso.”

Muniz fez uma exposição individual no University of South Florida Contemporary Art Museum, em Tampa, Flórida, atualmente denominada “Vik Muniz: Reflex”. Esta exposição, organizada pelo Museu de Arte de Miami, esteve em exposição no Seattle Art Museum e no PS1 Contemporary Art Museum em Nova York. Até janeiro de 2008, a exposição esteve em exibição no Musée d’Art Compemporain em Montreal, Quebec (Canadá). Muniz também publicou um livro, “Reflex – A Vik Muniz Primer” (2005: Aperture Foundation, Nova York), que contém uma compilação do seu trabalho e seus comentários sobre ele.

Seu trabalho também foi destaque no “The Hours-Visual Art of Contemporary Latin America” (2007), mostra apresentada no Museu de Arte Contemporânea de Sydney, New South Wales, Austrália.

Em 2010, o documentário “Lixo Extraordinário” sobre o trabalho de Vik Muniz com catadores de materiais recicláveis no aterro de Jardim Gramacho (Duque de Caxias) foi premiado no Festival de Sundance. No Festival de Berlim em 2010, foi premiado em duas categorias, o da Anistia Internacional e o público na mostra Panorama.

As fotografias feitas por Vik Muniz fazem parte do acervo particular e de galerias em São Francisco, Madri, Paris, Moscou e Tóquio, além de museus como Tate Modern e o Victoria & Albert Museum, em Londres, o Getty Institute, de Los Angeles, e o MAM, em São Paulo. A obra “Boom”, integrante da série “The Sarzedo Drawings”, de 2002, fotografia de gelatina de prata com viragem, está disponível a apreciação no Museu do Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais