ONG planeja centro de convivência para idosos LGBT em SP

Segundo uma matéria publicada na Folha de São Paulo, o administrador de empresas Rogério Pedro (29 anos) quer criar um centro de convivência e referência para idosos LGBT.

Presidente da ONG EternamenteSOU, a ideia é continuar os trabalhos dessa organização com uma sede fixa e, para isso, ele iniciou uma campanha de financiamento coletivo para tirar a ideia “do papel”.

“Envelhecer já é um desafio, por falta de políticas públicas para idosos. Quando se é LGBT, o desafio vai para outro patamar. A ideia é ter um espaço para que possam estar com os seus e ser exatamente o que quiseram ser” – diz Pedro.

A ONG já realizou diversas atividades, como a criação de um grupo de canto coral, a realização de um café da tarde mensal para troca de experiências entre idosos e o lançamento do Seminário Velhices LGBT, que já teve a Daniela Mercury como participante.

Todas essas atividades visam o enfrentamento de questões comuns aos idosos LGBTs, como a solidão e o isolamento social, que aliado a ausência de filhos (na maioria dos casos), rompimento afetivo com a família biológica e o histórico de violência ao longo da vida podem contribuir para um quadro depressivo.

ONG acolhe idosos LGBTs (Foto: Reprodução)
ONG acolhe idosos LGBTs (Foto: Reprodução)

Segundo o geriatra Milton Crenitte, que trabalha no Hospital das Clínicas da USP e escreve uma tese de doutorado sobre o grupo, além dos pontos citados anteriormente, há também a invisibilidade, considerando que há poucos dados e políticas públicas voltadas para esse segmento da sociedade.

A professora aposentada Dora Cudignola, de 67 anos, se assumiu lésbica na década de 1980, em uma época que poucas mulheres tinham essa coragem, e também havia poucos lugares para encontros e socialização. Cudignola diz a Folha que tem o desejo de superar uma barreira:

“Sabe o que tenho vontade? Andar de mãos dadas e dar beijo, como fazem os jovens de agora. Ainda tenho vergonha. Quando os vejo fazendo isso, tenho vontade de dizer: isso mesmo! Lutamos para que vocês conseguissem” – diz.

Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek e agora está em busca de novos desafios. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".