O padre Robson Oliveira Pereira, de 46 anos, que comanda a Basílica do Divino Pai Eterno em Trindade, na região metropolitana de Goiás, teria um caso amoroso com o hacker que o chantageou, Welton Ferreira Nunes Júnior, para que ele pagasse R$ 2,9 milhões com dinheiro da Associação do Filhos do Divino Pai Eterno (Afipe) em troca do arquivamento das mídias. As informações foram apuradas pelo G1 e fazem parte do processo que desencadeou a operação que investiga desvio de doações de fiéis.

Atualmente afastado das atividades religiosas, a defesa do sacerdote disse que o “padre Robson foi vítima de extorsão, tendo buscado suporte da Polícia Civil, que monitorou as transações, e culminou na prisão dos extorsionários. Já houve sentença, e os criminosos foram punidos pelo Judiciário com severidade. Não havia qualquer conteúdo verídico como objeto das ameaças”.

De acordo com o juiz Ricardo Prata, a informação do romance entre ambos foi realçada pelos hackers à época do julgamento.

“Observa-se que os acusados foram responsáveis por transmitir as ameaças à pessoa da vítima [Robson], por meio de mensagens em aplicativos e e-mails. Nessas, disseram os acusados que a vítima possuiria relacionamento amoroso com diversas pessoas, inclusive com o próprio Welton”, diz o magistrado no documento.

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Além de Welton, depoimentos apontam que o padre também teria um outro relacionamento amoroso, dessa vez com uma mulher, que era parte de seu círculo de amizade.

“Ele [Robson] me mostrava [mensagens]. Um dos vídeos, vamos lá, um deles né, parece que era um vídeo gravando a tela de outro celular, onde tinha uma foto do padre com a [mulher] próximos um ao outro, e suposta troca de mensagens amorosas, né?”, relatou a pessoa ao MP.

Essa imagem foi confirmada pelo hacker em depoimento ao MP, e graças a esses dois romances, o padre teria feito o pagamento de valores tão expressivos para manter as informações sigilosas. As extorsões duraram dois meses.

“O padre se viu, por diversas ocasiões, incapaz de celebrar missas e continuar com o seu trabalho, por ter sido afetado pelos amedrontamentos para denegrir sua imagem pessoal e como sacerdote” – diz o magistrado.

Os promotores também estão apurando se R$ 120 milhões doados por fiéis à entidade foram usados pelo padre para comprar uma casa na praia, fazendas e outros itens de luxo.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".