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Ernani Maia dos Reis, líder do Mosteiro Santíssima Trindade, em Monte Sião (MG), foi procurado por um monge para uma confissão. Em vez de aconselhamento, o homem encontrou abuso. Agora o padre está sendo investigado após denúncia de violência sexual. As informações são da reportagem especial do site Uol.

De acordo com a vítima, que preferiu não ser identificada, ele teria procurado o padre para confessar um conflito interno entre sua vocação religiosa e o desejo de constituir uma família. “Mas você é gay, casar para enganar uma moça, mentir pra ela uma vida inteira? Porque você é gay”, disse Ernani, de acordo com o relato do monge

Além disso, o padre teria pego a mão da vítima e levado ao próprio pênis. “Você tá precisando disso aqui, de pinto”, relata o monge, que diz ter sido surpreendido neste momento. O episódio descrito ocorreu em 2016, mas os abusos de Ernani eram comuns com os integrantes do mosteiro.

O padre Ernani Maia dos Reis é acusado de assédio sexual (Foto: Reprodução)

Relatos colhidos pela reportagem da Uol, afirmam que, pelo menos oito monges, teriam sofrido assédio e violência sexual praticadas pelo padre. Segundo os entrevistados, outras 11 pessoas que viviam sob autoridade de Ernani sofreram abuso moral, através de humilhações e agressões verbais.

Os relatos ainda dizem que os crimes sexuais cometidos pelo padre teriam ocorrido, pelo menos, entre os anos de 2011 e 2018, ano em que Ernani se afastou do mosteiro. As oito vítimas eram homens, com idade entre 20 e 43 anos, quando os abusos começaram. Já das 11 pessoas que sofreram agressões verbais, 10 eram mulheres.

De acordo com a reportagem, Ernani usava da sua posição de líder para conquistar a confiança dos integrantes do mosteiro e praticar os abusos. Os relatos dos crimes sexuais atribuídos ao padre chegaram ao conhecimento da Igreja Católica, mas ele só foi afastado em agosto de 2018 – após o próprio líder pedir seu desligamento, alegando “cansaço” e “crise vocacional”.

O padre nega as acusações

Ernani Maia dos Reis negou as acusações em duas ocasiões e se recusou a responder perguntas específicas dos repórteres. Aos 53 anos de idade, atualmente ele vive na cidade de Franca (SP), onde mantém um consultório de psicanálise.

Em resposta a Uol, a Igreja Católica disse que “nunca negou qualquer fato (dele) ou ato atribuído quando do exercício na liderança daquela comunidade” e que não se omitiu em relação ao caso. A Igreja não respondeu sobre as conclusões internas do caso e nem quais medidas foram tomadas em relação aos abusos de Ernani.

(Foto: Reprodução)

 




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)