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O professor de artes William Quintal procurou a Delegacia Especializada em Crimes de Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e Intolerâncias Correlatas de Belo Horizonte (MG) para denunciar uma demissão discriminatória. De acordo com o professor, após utilizar a expressão “bem-vindes” em seu site pessoal, o Pulo do Sapo, um grupo de pais de seus alunos reclamaram junto à escola e ele foi demitido. 

Professor de artes William Quintal (Foto: Arquivo pessoal)

Em entrevista ao Podcast do jornalista Ricardo Mello, o professor contou que tinha acabado de ser contratado pela escola e ainda estava na fase de experiência. “A escola me enviou cópia da mensagem de uma mãe reclamando da linguagem que usei no site. Em sala de aula, não uso gírias, nem pronomes neutros“, relata ele.

No texto do e-mail enviado ao professor, a escola usa o termo “versão contemporânea de caça às bruxas” para se referir à reclamação dos pais. “Duas mães me procuraram para me alertar e narrar o que estava sendo dito no grupo de pais do WhatsApp. Uma delas me disse que eu estava sendo chamado de seguidor de Marielle só porque tinha uma pintura da vereadora no site“, conta Quintal.

Mensagem com reclamação sobre linguagem neutra enviada à escola (Foto:Reprodução)

O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais acompanha o caso e disse em nota que “a postura da escola foi conservadora, excludente, não condizente com a proposta de uma escola que se diz cristã”. Segundo o comunicado, o “professor foi penalizado, julgado e demitido não por sua posição em sala de aula. Foi demitido por manter um site, sua vida privada, que tem na sua essência, o acolhimento à diversidade e respeito aos direitos humanos”.

De acordo o advogado André Costa, após análise das mensagens recebidas pelo professor, há claras violações às leis brasileiras. “A Constituição Federal garante a liberdade de expressão, desde que não seja um ato criminoso ou uma apologia ao crime. Essa é a primeira violação“, pontua ele. Costa ainda diz que caso a Justiça entenda que a questão da linguagem neutra foi determinante para a demissão, fica configurado o crime de homofobia. 

Em nota, a escola em que Quintal trabalhava afirma que, por questões contratuais, não expõe informações sobre professores e ex-professores. Diz ainda que, segundo a Consolidação das Leis Trabalhistas, o colaborador pode ter seu contrato de experiência rescindido antes do fim do prazo.




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)