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Um homem trans e negro identificado como Guilherme ganhou na Justiça Federal de Pernambuco (JFPE) o direito a uma indenização na Caixa Econômica Federal por ter sido xingado com palavras de teor racista e ser ameaçado com uma arma por um segurança terceirizado, cujo nome não foi divulgado. As informações são do G1.

A audiência foi realizada na terça-feira, dia 20 de julho, e foi julgado pela Daniela Zarzar, da 30ª Vara Federal, com a decisão sendo divulgada no site da Justiça Federal no dia seguinte. O valor fixado foi de R$ 5 mil.

O caso começou quando Guilherme, acompanhado de sua esposa, pretendia depositar R$ 3 mil em uma agência da Caixa referente as vendas de doces e salgados, que garantem a renda do casal. Ambos estavam na fila para serem atendidos por um caixa, quando um segurança apareceu e interveio de forma “grosseira”, segundo relatos feitos à Justiça Federal.

Guilherme, já na boca do caixa, contou que o mesmo segurança declarou: “O próximo neguinho que vir aqui fazer bagunça e confusão, eu vou levar para o quartinho, vou bater e ninguém vai nem saber. Não vai dar em nada”. Em resposta, o homem trans se dirigiu ao segurança educadamente dizendo “boa tarde”, e que ele não deveria falar palavras ofensivas durante o trabalho.

Segurança da Caixa indenizará homem trans após ofensas racistas
Reprodução

O segurança então teria questionado o que o Guilherme estaria fazendo na agência e o levou até a porta giratória do banco. A vítima, então, sugeriu que não deixaria o local e pediu para falar com o gerente. O vigilante ficou alterado, abriu o coldre e mostrou a arma, bem como ameaçou atirar.

A Justiça Federal informou que foi preciso a presença de outros vigilantes para conter a confusão. Guilherme acabou perdendo a compostura e xingou o agressor com palavras de baixo calão e dizendo que ele era racista.

A magistrada entendeu que Guilherme só reagiu com xingamentos por ter sido tratado de forma grosseira, além de que havia provas de que eles não se conheciam ou tiveram algum tipo de contato antes desse momento.

“Não é crível que o autor tenha se indisposto a ponto de falar palavrões grosseiros, como ele próprio confessa, se não fruto da revolta ao tratamento dispensado ao atendimento anterior ao seu que indicava atitude racista e opressora do segurança, ao se reportar a levar o neguinho ao quarto para silenciá-lo”, escreveu na sentença.

“Para muitos, o que ocorreu foi uma mera alteração, um aborrecimento qualquer havido em fila de banco, que teria sido desimportante para outras pessoas, mas não no caso em que se tratou do estopim para fazer cessar as condutas repugnantes do preconceito velado”, acrescentou a juíza.

Ela também deu uma oportunidade das duas partes fazerem um pedido de perdão mútuo, alegando que de um lado houve a “referência autoritária e racista”, enquanto do outro houve palavras “grosseiras e agressivas”.

“Embora resistentes inicialmente, os interessados expuseram seus pedidos de desculpas, o que representou um ponto final no episódio, de modo a virar a página para uma nova vida, uma vida de respeito e dignidade aos cidadãos”, informou a magistrada.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"