Um estudo publicado pela Universidade de Cambridge chefiado por Stanley Wells e Paul Edmondson concluiu que o dramaturgo William Shakeaspeare era inquestionavelmente bissexual.

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Para chegarem a esta conclusão, eles analisaram 182 sonetos, sendo 154 tradicionais e 28 retirados de peças. Destes, 27 foram destinados aos homens, 10 a mulheres e 145 falam apenas sobre o “desejo”.

“A linguagem sexual em alguns sonetos, que são definitivamente endereçados a homens, nos deixa sem quaisquer dúvidas de sua bissexualidade. Nos anos de 1980 virou tendência dizer que ele era gay, mesmo sendo casado e com filhos. Alguns destes sonetos eram endereçados a homens e outros a mulheres. Referir-se a ele como bissexual parece uma forma original de falar deste tema” – disse Edmondson ao jornal The Telegraph (Via UOL).

"William Shakeaspeare era inquestionavelmente bissexual" diz dois estudiosos
Reprodução

“Leituras biográficas que entendem erradamente a coleção de Shakespeare como uma coleção única buscam por uma única e determinada narrativa, que, de fato, não existe” – escreveram no estudo.

A sexualidade de William Shakeaspeare é debatida há muitos anos, e é praticamente um consenso entre os estudiosos de que ele era, de fato, bissexual, mesmo que não haja provas concretas e sim teorias. Acredita-se que os sonetos dirigidos a “um belo rapaz” seja uma referência ao patrão de Shakeaspeare, Henry Wriothesley.

Sabe-se que ele foi casado com uma mulher chamada Anne Hathaway, e alguns biógrafos acreditam que o casamento veio por ela estar grávida. Além dela, alguns sonetos são destinados a uma mulher casada que se chama “Dark Lady”, que muitos teorizam ser uma amante do dramaturgo.

Vale dizer que na era elisabetana não existia as classificações de “homossexualidade” ou “bissexualidade”, já que apenas o ato sexual era considerado. Mesmo assim, a homossexualidade era uma prática condenada por uma parcela da sociedade, que dizia ser uma variação entre amor e luxúria. Na época a Sodomia era crime, mesmo que eles tenham sido explorados em diversas peças teatrais.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".