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Analista de Recursos Humanos, Ariel Luz (PT), de 43 anos, é candidata a deputada federal em Goiás. Moradora de Goiânia (GO), ela é mulher trans, graduada em Gestão de Turismo e foi uma das primeiras drag queens da capital. Em conversa com o Gay Blog BR para o especial “Eleições 2022“, a produtora cultural falou sobre sua trajetória e propostas.

Ariel conta que, ao perceber que com os projetos culturais não alcançaria uma grande grupo de pessoas trans e nem conseguiria criar políticas públicas para essa população, decidiu lançar seu nome na política. “Achei que estava na hora de descruzar meus braços e atuar de forma mais estratégica colocando meu nome a disposição do Partido dos Trabalhadores para concorrer ao cargo de Deputada Federal“, revela a candidata.

Sua campanha é marcada por sete eixos, onde busca pautar a causa LGBTQIA+: mulheres, educação, trabalho, direitos humanos, saúde, cultura e meio ambiente. “Enfrentar com políticas públicas todos os tipos de violência contra mulheres, sobretudo o feminicídio e o transfeminicídio; criar projetos de leis de formação educacional específicas para a comunidade LGBTI+; e metas que garantam o acesso de minorias vulneráveis ao ensino em todas as modalidades”, são algumas de suas propostas.

Ariel Luz, candidata a deputada federal do PT em Goiás (Foto: Reprodução/ Instagram)

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Ariel Luz: Sou graduada em Gestão de Turismo onde me apaixonei por eventos e trabalho atualmente com recursos humanos em uma startup mineira com cultura, engajamento, mem-estar, comunidades e recursos humanos. Desde 1997 também trabalho como produtora cultural, tendo sido uma das primeiras Drag Queens de Goiânia aos 19 anos (Lady Maligna) onde iniciei minha luta contra o preconceito e militei ativamente pela Comunidade LGBTQIAP+, o que resultou em alguns meios de comunicação de sua criação, como o site “Saindo do Armário”, em 2000 e o blog “O Confessionário”, em 2009, sendo que este último teve alcance internacional e 5 milhões de acessos em cinco anos. Também atuei como agente de uma banda de indie rock local onde consegui um contrato internacional para a banda e também agenciei modelos e organizei três concursos de beleza, eventos e festas. Em 2021 criei o “TransMISSion” que é o primeiro concurso de Miss para mulheres Trans com propósitos sociais do Estado de Goiás, tendo sido oito meses de projeto e sendo o festival de maior duração de todos os tempos no Estado.

GB: O que motivou a se candidatar?

Ariel: Ao perceber que com os projetos culturais não chegaria a alcançar a grande massa da coletividade trans e nem conseguir criar políticas públicas como membro da sociedade civil, achei que estava na hora de descruzar meus braços e atuar de forma mais estratégica colocando meu nome a disposição do Partido dos Trabalhadores para concorrer ao cargo de Deputada Federal. Também percebi que o momento é oportuno e que se eu não entrasse na disputa, não haveria outra pessoa trans pra representar a essa coletividade que defendo.

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidata abertamente LGBTQ+?

Ariel: O medo de ataques de ódio pela internet, o medo de estar em multidões e ser agredida por bolsonaristas.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBTQ+?

Ariel: Enfrentar com políticas públicas todos os tipos de violência contra mulheres, sobretudo o feminicídio e o transfeminicídio; Criar projetos de leis de formação educacional específicas para a comunidade LGBTI+; Metas que garantam o acesso de minorias vulneráveis ao ensino em todas as modalidades, em especial para mulheres trans e travestis; Direito a inclusão do nome social, linguagem neutra, sexualidades, violências sexuais e acompanhamento psicossocial para famílias de crianças e adolescentes LGBTI+; Também vamos criar e efetivar políticas públicas de oportunidade de trabalho com cotas obrigatórias para pessoas trans em entidades públicas e privadas; Enfrentar e combater o preconceito de ordem social, étnico, identidade de gênero, orientação sexual; Debater e propor outra redação sobre a questão do mérito/meritocracia do artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, garantindo, sobretudo, condições de equidade para as novas e justas demandas sociais; Legislarei para maior punibilidade de crimes discriminatórios; Garantir o direito do acesso aos cuidados de saúde mental com políticas públicas e sociais que combatam males como a depressão e ansiedade e as doenças que causam, ampliar a rede de ambulatórios transexualizadores que incluam atendimentos, entre outros, de cirurgias estéticas e questões reprodutivas para a comunidade de pessoas transgêneras; Uso de recursos federais para a construção e manutenção de Centros Culturais Comunitários de Cidadania e Acolhida LGBTI+ nos municípios, proporcionando o direito à convivência social e comunitária, promover ações culturais permanentes, de diferentes formas artísticas, que combatam a homofobia/transfobia e incentive o respeito à diversidade sexual e desburocratizar os editais para projetos culturais voltados para a comunidade LGBTI+ com objetivo de estimular o empoderamento e o desenvolvimento de iniciativas que estimulem ações de diversidades.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Ariel: Combater o machismo estrutural, ter uma bancada que represente a comunidade LGBTI+ tão forte como as antagônicas como a bancada evangélica, criação de políticas públicas e chamamento da população para uma nova constituinte, onde possamos acrescentar as novas demandas sociais de inclusão e diversidade e educação, pois acredito que a educação é a mola transformadora e propulsora de qualquer comunidade.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Ariel: Fundamentais para o momento que estamos vivendo, pois os jovens não tem se protegido com o uso de preservativos, mas a grande preocupação aqui é o uso indiscriminado do PEP (pós exposição), como se fosse algo banal, porém pode perder a eficácia se o uso for feito de forma contínua. Mas voltando ao PrEP, sou a favor, principalmente para casais onde um dos parceires e HIV positivo.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Ariel: O desgoverno do Bolsonaro trouxe inúmeros prejuízos a população brasileira e não é a toa que é chamado de fascista e genocida. Hoje eu, particularmente, tenho vergonha da nossa bandeira e das cores verde e amarelo usurpada por ele e seus seguidores. Um homem que se diz fiel a Deus e a família, mas prega o ódio e não se importa com os problemas do povo, dando cada vez mais espaço e dinheiro para os grandes empresários que se tornam cada vez mais ricos ao explorar a classe trabalhadora.

GB: O que você acha que poderia fazer em relação a trabalho e renda?

Ariel: Acredito que o primeiro e mais importante passo seria a criação de um Programa de Renegociação de Dívidas para negativados, onde o Governo arcaria com essas dívidas, negociando direto com as empresas benefícios fiscais para que a população tenha novamente acesso a crédito para recomeçar usas vidas pós-pandemia e começarem seus próprios negócios, saindo da informalidade com dignidade e injetando ao mesmo tempo dinheiro na economia brasileira.

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)