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Primeira vereadora abertamente lésbica e a mais jovem eleita em Florianópolis (SC), Carla Ayres (PT) disputa uma vaga como deputada federal por Santa Catarina. Cientista social e política, ela tem 34 anos e é uma das entrevistadas no especial “Eleições 2022” do Gay Blog BR. 

Carla Ayres, candidata a deputada federal pelo PT de SC (Foto: Reprodução/ Facebook)

Formada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), Carla é mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e doutora em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Essa é quarta vez que ela concorre a uma cargo público e a primeira vez a vaga de deputada federal.

Motiva pela defesa dos direitos humanos, das mulheres, da população LGBTQ+ e da cultura, a candidata entra na política por ver a possibilidade de, como uma mulher, feminista, lésbica, defender a democracia. “Defender que nós LGBTI+, falamos de nós, de nossas vidas, mas pensamos a sociedade e a política como um todo”, pontua Carla.

“Queremos discutir educação, saúde, geração de emprego, cultura, meio ambiente, mobilidade, os direitos das mulheres, refletir sobre a possibilidade de uma sociedade antiproibicionista”, acrescenta a candidata. Além disso, Carla pauta a criação de um Marco Regulatório das Políticas LGBTQ+ e do fundo orçamentário, a fim de garantir a realização das políticas públicas para essa população.

Carla Ayres (Foto: Reprodução/ Facebook)

GB: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Carla Ayres: Sou formada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (PR); mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos (SP); e doutora em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (SC).

Tenho orgulho de ser a primeira pessoa da minha família a ingressar em uma universidade pública, gratuita e de qualidade, graças aos programas de expansão universitária dos governos petistas. Mas também muito ciente que isso só foi possível pois fui beneficiária dos programas de permanência estudantil: bolsas de extensão, bolsas de pesquisa, alimentação universitária e moradia estudantil.

Minha formação me possibilitou construir uma trajetória profissional, até então ligada à pesquisa e consultorias de políticas públicas, como Projetos desenvolvidos para o PNUD e ONU Mulheres.

GB: O que motivou a se candidatar?

Carla: Este ano estou em minha quarta candidatura. Em 2016 concorri a vereadora de Florianópolis; 2018 à Deputada Estadual; 2020 fui Candidata e me elegi a primeira vereadora lésbica e a vereadora mais jovem eleita em Florianópolis; e agora, em 2022, concorra uma vaga à Câmara Federal.

Lá atrás, minha motivação foi – e continua sendo – a defesa dos direitos humanos, dos direitos das mulheres, da população LGBTI+ e da Cultura. Mas especialmente, a possibilidade de como uma mulher, feminista, lésbica, defender nossas ideias e a sociedade justa e igualitária que queremos; defender a democracia e dizer que as instituições só serão realmente democráticas se ampliarmos o perfil lá representado. Quero falar como uma mulher lésbica, integrante do movimento e defensora dos direitos LGBTI+, mas é mais que isso: é defender que nós LGBTI+, falamos de nós, de nossas vidas, mas pensamos a sociedade e a política como um todo

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidata abertamente LGBTQ+?

Carla: No início havia um receio muito grande do descrédito e de possíveis violências, que confesso ser menores e menos frequentas do que imaginávamos. Nossos grandes desafios são dois: 1) desmistificar diariamente que as pautas LGBTI+, de mulheres, das juventudes, racial, originárias, etc, não são pautas “identitárias”, mas sim uma discussão que buscas mostrar seu, na sociedade em que vivemos – diante das pessoas e do Estado – nossas “identidades” são utilizadas para nos negar acesso integral a direitos e políticas públicas, e que isso gera um ciclo de desigualdade social, econômico, político, simbólico e sobretudo MATERIAL, um prejuízo pra nossa existência concreta; 2) além de fazer com que o conjunto das pessoas entendam que queremos defender nossas pautas, mas não só isso. Queremos e podemos ser uma representação ampla, cotidiana e completa.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBTQ+?

Carla: Como eu disse anteriormente, nós queremos nos apresentar como uma representação que parte da minha existência lésbica, feminista e jovem pra pensar o mundo e todos os múltiplos problemas que nos afetam cotidianamente.

Queremos discutir educação, saúde, geração de emprego, cultura, meio ambiente, mobilidade, os direitos das mulheres, refletir sobre a possibilidade de uma sociedade antiproibicionista, e, claro, sim especificamente sobre a população LGBTI+ temos discutido a necessidade da criação de um Marco Regulatório das Políticas LGBTI+ e do fundo orçamentário para garantir a realização das políticas públicas para essa população; a Garantia da saúde integral da população LGBTI+, de acesso ao serviço de processo transexualizador e dos direitos reprodutivos de lésbicas, bissexuais e pessoas trans.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Carla: A primeira coisa é pensar que a violência é o final, o fim, de um processo de exclusão estrutural, que começa desde a propaganda de TV, passa pelas músicas, é reforçado muitas vezes em todas as idades pelos livros de didáticos, pela religião, pelas famílias, na escola e deságua em agressões e assassinatos. 

Nós precisamos criar instrumentos, não só legais e punitivos, pra interromper esse ciclo no seu início. Com políticas públicas inter e multisetoriais, mas não só. É sobre um pensar, é sobre um concientizar, é sobre promoção de cidadania para evitar a violência, e não o contrário. 

Nossa sociedade tende a pensar sempre a punição, na coerção. Mas educa pouco para o bem-viver, julga antes de ouvir, recrimina antes de amar. E nós precisamos inverter a chave.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Carla: A PrEP é uma conquista do ponto de vista de Saúde Pública no Brasil. Inclusive da perspectiva da liberdade sexual e democratização do acesso à tecnologias de prevenção, sobretudo por que o protocolo de quem acessa a PrEP pressupõe um acompanhamento da saúde e de uma gama de ITs que garante um cuidado continuo com a saúde. 

A grande questão é que hoje é uma política que tem um foco centrado em algumas populações e públicos chave – como Homens que fazem sexo com Homens, Gays, profissionais do sexo em geral. E nossa defesa é para que essa política seja expandida para qualquer pessoa que queira acessa essa tecnologia de prevenção. Ampliar e  Democratizar ainda mais o acesso

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Carla: Um desastre histórico. Um prejuízo à civilidade.

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)