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Marciano Diogo, 32 anos, é um dos integrantes que compõe a candidatura coletiva LGBTQIA+ Liga de Lutas (PDT), que concorre a uma vaga de deputado estadual por Santa Catarina. Empreendedor e jornalista, ele é pansexual e morador de Florianópolis (SC) e é um dos candidatos entrevistados pelo Gay Blog BR no especial “Eleições 2022”. 

Marciano Diogo (Foto: Reprodução)

Somam-se a ele, na candidatura coletiva, Ana Lima, graduada em Serviço Social, pós-graduada em Psicopedagogia e ativista em grupos psicossociais; e Fernando Honorato, professor, artista, músico, produtor e graduado em Artes Cênicas.

Sobre as principais proposta da Liga de Lutas, Marciano diz que são baseadas em pilares  da equidade, sustentabilidade e educação, todos temas transversais a nossa população LGBTQIA+.

“Em um país onde menos de 1% dos parlamentares são LGBTs, ver um LGBT votar em alguém que não seja da nossa população parte o meu coração. Para mudarmos isso, é necessário informação […]. Representatividade importa muito porque precisamos urgentemente de um legislativo brasileiro que defenda de fato os nossos direitos humanos”, pontua Marciano.

Fernando Honorato, Ana Lima e Marciano Diogo, integrante do “Liga de Lutas” (Foto: Reprodução/ Instagram)

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional? 

Marciano: Sou graduado em Jornalismo e também em Cinema e Audiovisual, e pós-graduado em Ciências da Linguagem. Trabalhei uma década no mercado da comunicação, em que fui repórter e editor em diferentes veículos como TV, impresso, online e rádio, nas principais corporações da área em Santa Catarina, como afiliadas da Globo e da Record. Já trabalhei também com publicidade e assessoria de imprensa. Atualmente, empreendo uma hospedagem no Sul de Florianópolis.

GB: O que motivou a se candidatar?

Marciano: A desigualdade social, tão pertinente em populações vulneráveis como LGBT+s e negros

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser um candidato abertamente LGBTQ+?

Marciano: Vários! Além dos preconceitos na política institucional, sofremos violência cotidiana nas ruas e nas redes com o conservadorismo e bolsonarismo no país. Mas lutamos para que o ódio vença o amor e vamos ganhar esta guerra.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBT+?

Marciano: Temos várias. Eu digo temos porque nesta candidatura, diferente de 2020 quando me candidatei a vereador na capital catarinense, sou cabeça de chapa de um coletivo, a Liga de Lutas, que é o primeiro coletivo LGBT+ a se candidatar para uma cadeira no legislativo estadual em Santa Catarina. Os pilares de nossas propostas são equidade, sustentabilidade e educação, todos temas transversais a nossa população LGBT+. Algumas das principais para fazermos uma SC progressista de verdade:

Implementar públicas voltadas para mulheres, considerando as dimensões étnico-raciais e de gênero no campo profissional, educacional e social; Criação de núcleos municipais de discussão que difunda a prevenção, denúncia e acolhimento de vítimas de violência de gênero; Retorno da educação sexual na grade curricular das escolas; Cultura LGBT+ contemplada em editais públicos; Empregabilidade trans através de incentivos fiscais de contratações; Instalação de ambulatórios regionais para pessoas trans e travestis; Desarquivamento do Projeto de Lei que cria o Conselho Estadual LGBT+; Instalação de um Delegacia de Combate a Crimes de LGBTfobia e racismo, com núcleo de profissionais especializados a investigar esses casos; Recuperação das áreas ambientais degradadas, praias e mananciais, com contratação de empresas especializadas; Defender uma organização urbana centrada em infraestrutura verde e desenvolvimento sustentável; Investimento na aquisição de produtos oriundos da agricultura familiar e pesca artesanal para merendas escolares e políticas de segurança alimentar em restaurantes populares.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Marciano: Uma lei que criminalize especificamente  a LGBTfobia, e não equipare ao crime de racismo como o STF fez em 2019, afinal, sabemos que raça e sexualidade são coisas distintas. Além disso, precisamos do retorno da educação sexual na grade curricular das escolas, qualificação contínua de funcionários públicos da saúde e segurança quanto ao atendimento à população LGBT+, inserção da contemplação da cultura LGBT+ em editais públicos de cultura, empregabilidade de pessoas trans através de incentivos fiscais de contratação e mais.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Marciano: Fundamentais, inclusive a expansão dessa política que dê acesso ao PeP e a PreP. Infelizmente a sorofobia ainda é pulsante em nossa sociedade e PHIVs são vulneráveis não apenas pela questão da imunodeficiência mas pelo preconceito. Precisamos do aumento do volume desses medicamentos para garantir acessibilidade a todes e combater a desinformação e garantir a saúde pública. Lembrando sempre que a Prep é gratuita e os interessados podem ter acesso no posto do SUS, e lembrar sempre também que I = I, Indetectável é igual a Intransmissível em PHIV. Mas outras ISTs estão aí, bora se cuidar!

Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Marciano: A pior gestão pública e um desastre profundo na história de nosso país. Enfrentamos um governo fascista, genocida, miliciano, racista, machista, misógino, lgbtfóbico, negacionista, que nós jogou na maior recessão econômica e social das nossas vidas. Vamos superar e vencer essa luta mas para isso é necessário projeto econômico de recuperação para o próximo presidente

GB: O que você observa como ainda necessário progredirmos entre a nossa população LGBTQIA+?

Marciano: Consciência da importância da sororidade. Em um país onde menos de 1% dos parlamentares são LGBTs, ver um LGBT votar em alguém que não seja da nossa população parte o meu coração. Para mudarmos isso, é necessário informação, e por isso é tão importante veículos como o próprio GayBlog, que promovem essa conscientização. Representatividade importa muito porque precisamos urgentemente de um legislativo brasileiro que defenda de fato os nossos direitos humanos. 

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)