No estado de Oaxaca, situado ao sul do México, existe um gênero que não é considerado feminino e nem masculino, conhecido como “muxes“. Nas culturas zapotecas, muxe nada mais é que uma pessoa não-binária (que não se limita a ser masculino ou feminino) que se expressa no gênero feminino embora tenha nascido com o gênero masculino. Por isso, elas são chamadas de terceiro gênero, mas defini-las não é tão simples assim. Talvez a melhor descrição seria dizer que existem homens e mulheres, e no meio, as muxes.

Reprodução

As mulheres da região de Istmo de Tehuantepec (em Oaxaca) usam roupas bordadas, coloridas; cujo o visual lembra o de Frida Kahlo. Várias muxes seguem essa tendência de vestuário também; entretanto, algumas podem usar roupas mais ocidentais, espalhafatosas estilo drag queen e, em alguns casos, roupas masculinas, em que o tom feminino se revela na maquiagem discreta e nas unhas pintadas.

Alguns estrangeiros descrevem as muxes como uma mulher trans, travesti ou até um gay afeminado que opta por usar trajes femininos; contudo, existe na comunidade das muxes um componente étnico, de pertencimento a uma cultura específica de uma região e que para eles, de um modo geral, existe uma simbologia ligado às tradições locais. Há particularidades entre elas: algumas podem optar por tratamentos hormonais, enquanto outras não. Algumas podem até se declarar com alma feminina nascida em um corpo masculino e, em alguns casos, podem até colocar prótese de silicone para ter seios, mas isso não torna uma muxe mais ‘muxe’ que a outra, elas são vistas de formas iguais.

Reprodução

E como elas têm se posicionado na sociedade? As muxes geralmente cuidam da casa e dos irmãos mais novo e, em geral, se dedicam a fazer bordados, tecer e alguns trabalhos braçais que precisem de delicadez. Nas tradições mais antigas, elas não podiam manter relacionamentos longos, pois tinham a tarefa de cuidar de suas mães na velhice.

As famílias descobrem ter uma muxe “em casa” ainda na infância, sendo comum o menino usar as saias de sua mãe ainda criança; aqueles que não são da região, costumam vê-los como não sendo normais, com olhares de reprovação.

Reprodução

Um detalhe curioso é que, de modo geral, a sociedade zapoteca não é preconceituosa quando um homem heterossexual faz sexo com uma muxe. Na verdade, as muxes só mantêm relações sexuais com héteros, elas nunca se relacionam intimamente com homens gays, isso não faz parte da cultura delas. Sendo elas um gênero cultural, não devem ser definidas como homossexuais, bissexuais ou assexuais, não cabe pôr uma orientação sexual, quando elas são parte de uma identidade social e cultural, que não se caracteriza pelo desejo em alguém, assim descreveram antropólogos que estudaram a comunidade das muxes no México.

reprodução

Apesar das muxes serem bem aceitas, isto não significa que a comunidade LGBT+ num todo viva em segurança e completa aceitação no México. Se por um lado a Cidade do México legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o país possui ainda uma alta taxa de crimes motivados por discriminação contra a comunidade LGBT; a título de exemplo é proibido ainda que gays assumidos sirvam às forças armadas no México.

Reprodução

No mundo das muxes existem festas como a ‘Festa da Vela’ e eventos como o concurso anual Rainha das Muxes.

Hijras

Na Índia ocorre uma situação um pouco semelhante, porém com algumas diferenças e particularidades importantes; trata-se da Hijra, uma comunidade hinduísta (religiosa) vista como o terceiro gênero (sendo a letra T na sigla LGBT), em que ocorre a castração da genitália masculina como uma forma de agradar à deusa Bahuchara Mata. Um lado triste dessa história é que meninos que foram vítimas de abuso sexual são levados pela própria família para os líderes da seita para serem castrados como parte do um ritual místico, tornando-se assim uma Hijra. Após o ritual, é obrigatório usar trajes femininos e “agir como uma mulher”.

reprodução

A National Geographic já fez documentários sobre as Hijras, que de acordo com a tradição hindu, tem a capacidade de abençoar e amaldiçoar as pessoas, essa superstição evita situações envolvendo transfobia, embora às vezes aconteça mas em uma proporção inferior, mesmo assim a realidade delas não é fácil, a grande maioria vive da prostituição e também perambulando pelas ruas pedindo dinheiro.  

Reprodução
Google Notícias