Muito debatida por pesquisadores, a orientação sexual de Leonardo da Vinci ainda é alvo de muitas polêmicas, apesar de que há praticamente um consenso de que ele era gay.

Da Vinci Foto: Reprodução
Da Vinci Foto: Reprodução

“O maior gênio da história era filho ilegítimo, gay, vegetariano, canhoto, muito disperso e, às vezes, herético”, alegou Walter Isaacson, jornalista e autor de várias biografias, incluindo uma do pintor renascentista, apontando que dois aprendizes de Da Vinci podiam ser casos com ele.

Gian Giacomo Caprotti da Oreno, mais conhecido como Salaì
Gian Giacomo Caprotti da Oreno, mais conhecido como Salaì – Reprodução

O primeiro seria Gian Giacomo Caprotti, posteriormente conhecido como Salaì. Seu apelido, Salaì, foi dado por Da Vinci em referência ao sultão Saladino, líder islâmico nas cruzadas que era considerado tão sanguinário quanto sedutor. Chegando ao ateliê do pintor em Milão ainda criança, ao longo dos anos Salaì se tornou um dos discípulos preferidos de Da Vinci, sendo retratado em diversos desenhos. Até seu mais famoso quadro, Mona Lisa, poderia ter sido inspirado no rosto dele, segundo estudiosos.

Mona Lisa poderia ter sido inspirado no rosto de Salaì, segundo estudiosos
Mona Lisa poderia ter sido inspirado no rosto de Salaì, segundo estudiosos

Outro aprendiz, Francesco Melzi, passou a ser uma espécie de “secretária particular” de Leonardo Da Vinci, sendo que os rumores também apontam que ambos poderiam ter tido um caso romântico.

Francesco Melzi
Autorretrato de Francesco Melzi

Vale dizer que na época do renascimento, a cidade de Florença, na Itália, era muito “aberta” com a homossexualidade.

“A cidade era muito mais tolerante e liberal do que outras cidades-estados italianas da época. Especialmente com os artistas. Tanto que se dizia que a homossexualidade era a ‘doença florentina’ “ – diz.

No entanto, dependendo da época, as autoridades da cidade tentaram controlar a “prática homossexual”, e quem era denunciado, podia ter sérios problemas com a justiça.

“Há alguns indícios, que vão da denúncia por sodomia em 1476 ao fato de que nunca se casou nem teve filhos, a completa ausência de relatos de suas amantes ou namoradas e seus comportamentos efeminados”, explica o professor e historiador Vezzosi. “Ao mesmo tempo, entre os escritos de Leonardo aparecem vários desenhos de órgãos genitais femininos e referências ao orgasmo da mulher. Ele devia saber do que estava falando para escrever isso com tanta precisão.”

Esse contexto poderia ter levado Da Vinci a praticar o celibato até o fim da vida, como apontado no livro A History of Celibacy, de Elizabeth Abbot.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".