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Paradigma expressivo autêntico: um fenômeno inconstante e contextual | Joaquim Leães de Castro
Paradigma expressivo autêntico: um fenômeno inconstante e contextual | Joaquim Leães de Castro

Judith Butler, em um dos seus principais trabalhos, problematiza as fundações do pensamento político feminista: a ideia do Sexo como sendo algo natural e Gênero como sendo algo socialmente construído.  A frase “Talvez o sexo tenha sido sempre gênero”, é um pensamento que propõe que não há diferenças entre eles. Seria repensar a identidade definida das mulheres dentro do movimento feminista. Butler argumenta que mesmo havendo uma unidade dentro da categoria “mulher” que essa definição, paradoxalmente, introduz e cria, no sujeito feminista uma divisão. A intenção de Butler é desconstruir a ideia que gênero decorre do sexo e entender de que forma essa relação / distinção é arbitrária, e de que forma sexo pode ser pensado, concebido também como algo que não é natural, mas discursivo e cultural.

Para Butler, a teoria que defende a identidade pelo gênero e não pelo sexo “escondia” a aproximação entre gênero e essência, entre gênero e substância.  Segundo Butler, a teoria feminista ao não problematizar o vínculo desejo e gênero deixa de pensar que o gênero expressaria uma essência ao sujeito, onde um “eu verdadeiro” seria composto simultaneamente e revelado no sexo, gênero e desejo sobrando, então, uma pergunta: Quando acontece essa construção do gênero?  Desta forma, como exemplo, Butler aponta para afirmação de Simone de Beauvoir “a gente não nasce mulher, torna-se mulher”, a seguinte questão: Onde, nesse pensamento, existe a garantia que o ‘ser’ que se torna ‘mulher’ é necessariamente fêmea? Claramente numa tentativa de desnaturalizar o gênero. Para Butler, portanto, o gênero não denota um ‘ser’ substantivo mas “um ponto relativo de convergência entre conjuntos específicos de relações, cultural e historicamente convergentes.”

Sendo, então, o gênero, um efeito constituído por uma cadeia de significantes e, assim, as identidades e essências entendidas como expressões e não um sentido em si do sujeito. Assim, a ideia é que não há uma Identidade de gênero por trás das expressões gênero, e que a identidade, é então, performativamente constituída.  A identidade de gênero, logo é, constituída no discurso e pelo discurso como uma forma institucionalizada de pensar, onde os limites são a própria forma de pensar os gêneros em dado momento histórico e cultural.  Quem é o sujeito mulher que busca libertação? Emancipação? Se não há um sujeito, ou seja, um conceito unificado de ‘mulher’ e algo que constitua um ‘quem’, cria-se um paradigma já que o feminismo, seu fundacionalismo, fixa e restringe os próprios sujeitos que espera representar e libertar em detrimento da ideia de Butler onde o sujeito seria um permanente processo, e algo que tem em aberto a questão da identidade.

Referências Bibliográficas
BUTLER, Judith P. Problemas de gênero: Feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2003. 236 p.

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